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sexta-feira, junho 01, 2012

O Extraterrestre - Contos Femininos

O Extraterrestre
Hetebasile Selva

Certa noite aconteceu um fato estranho aqui em casa.
Miro, meu esposo querido, acordou assustado subiu para o andar superior, onde fica o atelier dele e meu escritório.

Nada vi ou ouvi. Mas nosso filho despertou com os passos cuidadosos do pai a subir a escada.
Não era exatamente o ladrão. Era algo estranho no teto, aparentemente escondido no forro. Um som assustador, porém não alto o suficiente para acordar os de sono mais pesado.

Uma espécie de baba viscosa descia pelo canto da parede do atelier e escorria até o chão, próximo aos cavaletes de pintura, de cores diversas e fantasmagóricas pela iluminação da lua que brilhava no céu de primavera.

João Lucas, meu filhote é especialista em fantasmas e ufos. Sabe praticamente tudo sobre o assunto. Conhecimento adquirido nos muitos livros infanto-juvenis que consome em nossa pequena biblioteca.
E foi assim que decifrou o enigma da parede viscosa e do som que vinha do forro, enquanto o pai saiu para pegar uma escada para subir ao forro.

Faz-se necessário dizer que em cima de nosso teto estão guardados diversos objetos da família. São caixas e mais caixas de telas que João Lucas e Farrel pintaram durante os primeiros anos de atividades “artísticas”, enquanto acompanhavam as aulas do pai. Ainda estão lá alguns manuscritos de meus livros anteriores, já que escrevo tanto a mão antes de digitar cada um deles. Há ainda por lá bonecas e outros brinquedos de Farrel, minha filha adolescente e alguns dos de João Lucas, que se diz adulto, mas ainda prefere ter junto consigo a maioria de seu esquadrão de bonecos e jogos. Deve ser porque ainda não alcançou a puberdade...
Assim nosso ufologista de plantão chegou a conclusão que eram alienígenas de um planeta distante que estavam escondidos entre os souvenires familiares.

Vale salientar que eram férias e que Braiann, meu sobrinho de 5 anos estava conosco e foi despertado pela ausência do primo no quarto.

A barulheira se formou e ai sim, fomos todos despertos pela gritaria de Braiann, que confuso tentava esconder-se dos seres extraterrestres que tentavam abduzir nossa casa.
Isto mesmo. Abduzir nossa casa.

Pode parecer estranho para você que não acredita em seres de outras galáxias. No entanto, estes estranhos invasores tentavam levar não só os habitantes da casa, mas ela em si, como intuito de saber como vivem de fato os humanos.
Incrível mesmo era eles quererem conhecer o comportamento da família mais maluca do planeta.

Quando Farrel, Maria e eu chegamos ao atelier, depois de passar pelo meu escritório, onde Braiann escondia-se assustado, encontrei João Lucas já paramentado como Caçador de Fantasma, todo equipado mesmo, com leitor de aura, lupa de longo alcance, bússola, capacete e um objeto não identificado que tinha a capacidade de absorver os poderes destes seres e enviá-los para seu lugar de origem.

É necessário dizer que meu esposo querido sabe lidar com qualquer situação, menos com seres de outro mundo. Nunca sabe o que fazer quando eles invadem nossa casa e tentam destruir a segurança e a paz de nosso lar.

Salientando- se que pouco entende dos ânimos de Braiann, que parece ser a pessoa que mais interessa estes seres, já que é quando ele está em nossa casa que estes aparecem.
E assim, aquele som que antes parecia tão pequeno, agora se distende por toda a casa, entrando por cada lugar que encontra, por cada fresta e ecoa pelo andar superior como se ali resolvesse viver para sempre.

Foi o Braiann quem notou a sombra da nave. Isto só aumentou seu desespero.
Ele saiu de baixo da escrivaninha e ia procurar outro lugar para se esconder quando a viu. Era uma sombra gigantesca e parecia aberta sobre a casa.

A choradeira, que antes se tornara um sussurro apenas, voltou a ecoar pela casa toda. Não havia nada que pudéssemos fazer para calar o menino, que berrava, sem saber explicar o que o assustara agora, já que não conseguia ao menos gaguejar algo compreensível em nosso dialeto.

A confusão só aumentava.

De um lado Miro tentando convencer a Maria que não havia de fato monstros dentro de casa e minha filha e eu de outro tentando entender o que acontecera com Braiann.
Cansada de tentar acalmar os ânimos do pessoal,  subi no teto, apesar das advertências de nosso ‘Caça Fantasma’. No forro, como já imaginava, na havia nada, mais com a ajuda da lanterna notei que a mancha vinha da parte de cima, infiltrando-se pelas janelas. Quando entrei no sótão dei de cara com algo realmente incrível.

Sentado sob uma mesa esquecida ali, estava um serzinho todo sujo de tinta e coberto de gel.
E foi assim que entrou em nossa vida Cláudio Henrique, um garotinho de 4 anos, mudo e sorridente, que sabe lá Deus como entrou em nossa casa e tomou conta de nossas vidas, transformando-a.


Elisabeth Lorena Alves

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