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quarta-feira, julho 07, 2021

Então vamos de indicações e de Análises e coloquemos nossas leituras em dia

 Olá! 



A nova rodada do Desafio de Literatura do site Entrecontos está a todo vapor e você pode Ler, comentar, elogiar e dar uma de fã odioso também (hater) porque lá pode tudo! 

E como quis ler vou colocar alguns aqui para vocês acompanharem.
Começo por Diversão, com o autor ainda incógnito sode codinome Espinafre. O texto é uma delícia de retorno à infância a quase todo leitor de trinta anos ou mais. 

As informações sobre o ambiente são bem geniais e aproximam o leitor do Conto. O fim abrupto deixa em aberto todas as possibilidades que levaram à mãe  a errar na atividade cotidiana.
Passa lá, lê e nos conta aula sua recepção à leitura. Principalmente se você for menor de trinta. hehehe,

Ok, você pode dizer que estou zoando o coreto, mas sim, há brincadeiras que não fazem mais sentidos para os mais jovens por mais que elas sejam divertidas e relaxantes. 

Tapete mágico, por exemplo, se você utilizar um buscador da web não vai encontrar os meninos se arrastando pelas salas com os tapetes (cobertas, lençóis, flanela do irmão menor, toalha da mesa). porque sim, a brincadeira se chama Tapete Mágico mas todos utilizavam o que deslizasse melhor pelo vermelha ou taco da casa. 

Abraços, beijos.  Boa leitura e tchau! 

Por Elisabeth Lorena Alves

segunda-feira, junho 21, 2021

Retorno de Resenhas em Conto - Thiago Costa

 Quando há retorno...

Ler um texto, como leitor e não como profissional da Literatura é uma tarefa difícil para alguns. Para mim uma leitura só é aproveitada se conseguir captar o texto sem teoria imediata. E, acredito que seja por isso que algumas de minhas resenhas em Concursos Literários sejam tão densas. Minhas primeiras percepções são sempre leves, de intertextualidades imediatas.
Entretanto, minha segunda leitura, já analítica, segue um padrão investigativo que acompanha minhas primeiras impressões e suas imediatas conexões com outros textos e, obviamente, as teorias. Aqui segue outro diferencial. Procuro escapas da Academia nesse processo.

Alguns de meus trabalhos são mais próximos, teoricamente, do que o autor utilizou na sua produção do que exatamente o que se espera de uma Análise Literária padrão. Consequentemente o resultado é outro. Muitas vezes muito mais denso do que se espera de uma professora de Literatura convencional. Mas, quem me conhece sabe que convencional mesmo é só meu nome, que amo. Minhas práticas de leitura, ensino e análise são todas padronizadas em minha obsessão em ser melhor para mim mesma. Sim, analiso procurando competir comigo mesma, só assim minha investigação se aprimora.

Esperando que resultados? — alguns interpelarão. Esperando meu melhor. Sempre.

E quando você compromete tempo e esforço em um texto e recebe um retorno magnífico, então, a compensação é dupla. E essa edição do Concurso Literário do Entrecontos foi uma experiência frutífera. Tudo bem que meus prediletos não ganharam os três primeiros postos e, um conseguiu a 14ª posição — fato com o que não me conformo. Mas, fora isso, tive experiências maravilhosas e retornos grandiosos. E vou postar ao longo da semana aqui o retorno e, futuramente, três de minhas melhores análises. Quem quiser ler todas é só seguir o enlace do Desafio e ler todos por lá.


Minha primeira manifestação é sobre o retorno obtido através das redes sociais do escritor Thiago Castro, autor do Conto "Manuscritos de um Motorista de Aplicativo". Participando com o pseudônimo Abel Linklater, Thiago postou nos grupos do Desafio e no próprio site do Entrecontos seu agradecimento por meu comentário em seu conto. 

Autor de livros diversos, que você pode encontrar contatando o autor diretamente por aqui, Thiago tem boas participações e desta vez é o Campeão. Você pode contatar seu perfil biográfico e obras aqui.





domingo, abril 25, 2021

Entrecontos, Aline Cruz, Almeida Júnior - algumas indicações em um só lugar




Olá.

Nossa conversa hoje é sobre Literatura.

O texto de que vou falar é  "A Persistência da Memória ", da escritora Aline Cruz. E está no EntreContos - não, não estou ganhando para divulgar eles, não. Só faço se gosto e gostei da escrita dessa escritora.

O conto - porque é um conto, conta uma história de divagação frutífera - eu sei, eu poderia dizer que é uma reflexão, mas prefiro dizer que é uma viagem linda da Memória.

Voltemos.

Nessa divagação frutífera o narrador  fala sobre sua existência de forma generosa e vai construindo uma espaço afetivo entre o leitor e a personagem  principal que é quebrado de forma magistral ao final. Ruptura que muda o foco sobre tudo o que foi dito até aí. E sobre isso deixo a expectativa. Você precisa ler para entender.

No mais, só digo que amo quando um autor consegue fugir da caricatura e dos perfis marcados, como se todo caipira fosse desprovido de conhecimento e do uso do pensamento complexo e da fala formal. E essa fala faz parte do comentário que deixei lá. O texto é belíssimo e merece sua leitura. 

E há mais. A ilustração do conto ficou a cabo da imagem de Almeida Júnior, “Caipira picando fumo”. 

Imagem que amo, por sinal. Vê-la ali refrescou minha esperança.

É minha indicação de leitura hoje. 

De resto, Feliz Domingo e fui, porque o cuscuz está quente e cheiroso e o café me espera.

Abraços literários.



Serviço


Ficha técnica
Ano: 1893
Dimensões: 202 x 141 cm
Técnica: óleo sobre tela
Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil




terça-feira, janeiro 26, 2021

A Senescência em O Mestiço, de Gustavo Araújo - Porque envelhecer dá trabalho




 Olá, sou eu de novo com um texto do Entrecontos. 


Desta feita meus olhos baixaram sobre o Desafio Envelhecer, novamente. Talvez porque ontem relembrei uma postagem do Ano passado, lendo meus blogs e retornei minha leitura à essa antologia. 
O Conto traz por ilustração a figura de Candido Portinari, "O Mestiço", 

"Mestiço", do escritor Gustavo Araújo, traça, de forma leve e até descompromissada o caminho da senescência de um carroceiro urbano e de seu cavalo. Antes de continuar, vale lembrar aos amigos que me seguem o quê é senescência. Essa é a parte em que, sem realmente adoecer, o jovem adulto vê em si a metamorfose ocorrer. Já não corre como antes, já não o mesmo cabelo de outrora e suas preferências mudam, até que ele passe a preparar "preparo o chá para os fantasmas", como diz a poesia "Envelhecer",  de Mario Quintana.   

Há parte no conto que mostra exatamente o reconhecimento desse estado. Tanto o homem quanto o cavalo estão envelhecendo sem grandes complicações físicas, portanto, sem doenças patológicas, não atingiram o estado de senilidade e, ativos que são, talvez não chegarão a esse estado. Entretanto, envelhecer apresenta certas dificuldades e mudanças físicas que são delineadas no texto e, interessantemente, o autor faz uma junção das duas figuras, sem no entanto juntá-las de fato. 


Ao observar a pelagem do animal desfiando nosso carroceiro lembra dos tempos heroicos do animal e também dos seus tempos de juventude, nos confins da floresta. Esse instante de focagem sobre si e o cavalo me fez pensar em "O velho e o Espelho", de Mário Quintana, porque lendo, temos a ilusão de que as reflexões que envolve a existência do homem e do cavalo são mais frutos de sua própria vontade do que de sua realidade e, mais não digo porque prefiro que o leia.



O final do conto remete mais uma vez a Mario Quintana  e transcrevo, não o conto, porque estou escrevendo aqui para vocês irem lá, ler, mas o poema "Do mal da velhice": 

"Chega a velhice um dia... 

E a gente ainda pensa Que vive... 

E adora ainda mais a vida! 

Como o enfermo que em vez de dar combate à doença 

Busca torná-la ainda mais comprida


E agora vou.



Serviços

Textos de Gustavo Araújo no Entrecontos

Livros  

 

sábado, abril 25, 2020

Mulher-Dama, texto de Regina Ruth Rincon Caires



Olá. Vim aqui rapidinho para contar-lhes de um texto que li no Entrecontos esses dias, "Mulher-Dama", a autora ao inseri-lo no Desafio Envelhecer usou por pseudônimo o nome Guadalupe e, quando li, lembrei-me de Marcos Rey, Marianinho e Lu. Não, não é uma Fanfic. É texto próprio da autora, Regina Ruth Rincon Caires. 

Uma história maravilhosa, triste, rica de crítica sutil. A narrativa é cativante e vai levando o leitor de forma coercitiva e tentando convencê-lo de seu ponto de vista, que na verdade é só uma narração dos fatos e, no entanto, parece algo mais. Você precisa ler. 

Durante a leitura eu imaginava a Bruna Lombardi, travestida de Lu, contando-nos o fato. Sabe, aqueles lábios vermelhos, pintados com extremo cuidado, deixando a voz sair doce e aveludada, serpenteando no ar e indo aos nossos ouvidos. 

A crítica fica bem marcada na posição das pessoas em relação aos atos da personagem principal. Os atos que nos homens são aceitos, na mulher passam claro, como se ela não pudesse ser humana e tal. A violência que a personagem sofre é invisível, o amor que ela tem é o seu defeito, como se o marido violento fosse santo só porque não traiu - ou porque seus erros não vieram a público na pele dos filhos. 

Mais não conto, deixo por conta de sua curiosidade e leitura. 

Corram lá e leiam. Texto excelente. 

Abraços e fui.



quarta-feira, março 15, 2017

Pássaro Azul - Regina Ruth Rincon Caires

Semana que passou recebi de presente dois textos. Pássaro Azul e Estrangeiro. A autora?
  Regina Ruth Rincon Caires.
E o que eu achei deles?
Belíssimos. Ambos entrarão para minha plataforma de aula social. Mas hoje vou falar do primeiro.

Pássaro Azul


Pássaro Azul é um relato, com narrador padrão na terceira pessoa e, no entanto, o texto deixa tanto à interpretação do leitor. Abusa da forma escrita elaborada, mas tem um vocabulário acessível, amplo. A repetição do verbo girar, no infinitivo, em uma das frases abre a interpretação extratextual e abarca outros termos já citados no texto: desconforto; invasiva claridade; holofote; desconforto;  descompasso.  A palavra diferente, separada em sílabas, estabelece uma comunicação com um sofrimento e logo depois a autora apresenta o Estigma, e o faz em força de sentido, dando voz e personalidade a ele:  palavra Estigma. E aqui podemos nos lembrar que normalidade é um fenômeno criado pelo homem e que por ela, estabelecemos valores de superioridade e inferioridade:

[...] Somos nós (os normais) que construímos as teorias sobre o estigma,  elaboramos uma ideologia que justifica a inferioridade do outro, baseada na idéia que representam para a sociedade. Muitas vezes essas teorias representam racionalizações de animosidadades, baseadas em diferenças como aquelas de classe social”(GOFFMAN, Irving, Estigma, p.5).

Ao apresentar o termo codinome, Regina grava com fogo algo doloroso nos olhos e pele do leitor e reforça a ideia do Estigma, como apresentada no fragmento acima. E continua construindo seu campo de significados com frases como: ecoou nos pensamentos; inocentes nove anos; reiteradamente dita. O texto, sem apresentação externa, já mostra a dor que esse narrador apresenta, e,  que essa dor pertence à um Universo específico. Ao entender de que se trata, ele se torna um hino, uma voz que representa o universo Azul, posto no título do Conto.

De forma  simples, a autora leva seu narrador a fazer redundâncias perfeitas, dando uma veste de poesia ao seu texto. Só que se engana quem crê que ela introduz esse recurso poético como uma marca estilística. Ela ainda está reforçando o campo semântico ao dizer os dois conjuntos  sequenciais: lábios/falavam; olhos/fitavam. E então ela quebra, fazendo um retorno ao tema do estranho: gestos de espanto/ dirigiam. E, é quando ela engana o leitor, apresentando-lhe uma verdade incômoda, que está ali o tempo todo: "E, ironicamente, ele não falava. Ouvia silenciosamente, mudo." 
Essa ironia ela coloca o tempo todo. Quando começa falar que os brinquedos giram no ar, ela apresenta carros e trens, objetos da terra. A criança que gosta tanto de girar e voar, não encontra no texto nenhum objeto do ar. Falta-lhe aeronaves, pipas, balões e afins.  Tudo gira, não voa. É uma busca incessante de liberdade, que no ambiente de casa, dá sempre no mesmo lugar, por isso gira, é cíclico.
Ele só é livre à beira do precipício, quando observa, ansioso, o voar dos pássaros, que descem, sem mover as asas rumo ao chão e quando próximos da terra, abrem-nas e sobem em um voo que maravilha a criança. Incrivelmente é a figura paterna que lhe permite esses momentos de prazer e que também os interrompem. E a entrada do menino ao mundo, mais uma vez é um retorno incomodo, como foi o nascer: confuso; complicado; incômodos,  são as palavras que permeiam o instante do retorno. 
O ensaio para a liberdade é um exercício indolor de contínua vivência. E o final, surpreendente, suspenso e real.
Um texto magnífico para falar de uma situação que aflige muitas famílias: o Autismo.
Ao ler, percebemos a dor de quem vive, de quem é e de quem conhece um autista e não sabe como chegar de fato a ele. Retrata as dificuldades diárias dos dois lados, sem florear uma realidade desgastante. Texto excelente. 
Indico a todos.  

SERVIÇOS
Em breve em uma livraria próxima de você. O texto faz parte de uma Antologia.

PS. Ainda vou montar um plano de aula sobre ele.
PS. 2. Texto será utilizado por outra professora, aqui de Manaus, com Ensino Fundamental e Médio.

IP Casa de Oração - Rua Moreira Neto, 283 - Guaianases - São Paulo

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Gióa Júnior