Folhei-me, olhe-me com carinho, ou como o desejo te permitir. Sou teu livro, abra-me com cuidado, para que eu possa durar sempre mais. Este não é um blog qualquer, são as páginas de minha vida. Descubra-me aos poucos... Leia-me!
Mostrando postagens com marcador Criança. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Criança. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, setembro 04, 2015
Mala de Criança
Já viu criança fazer mala?
Quando uma criança inventa de fazer mala, coloca dentro tudo o que a faz feliz.
O bichinho de pelúcia preferido.
O cobertor colorido.
Os brinquedos prediletos.
O pijama mais bonito - mesmo que esteja puído.
Criança não acumula peso sem importância.
E não se apega tanto, se não couber na malinha, fica em casa. E fecha mal a malinha.
Criança sabe que a vida tem mais a oferecer.
Diferente do adulto que faz mala com o que precisa, com o que vai precisar, com o que pode eventualmente precisar e, se sobrar espaço, coloca algo que agrada.
Criança é como passarinho, sabe que a vida tem em abundância para oferecer e sai de peito aberto para captar as bênçãos do Universo.
Adulto é como tartaruga. Leva nas costas a casa e, diferente do réptil, ainda consegue levar mais alguma coisa extra, para atravancar a vida.
Criança e passarinho, vive de modo pleno.
Criança sorri rápido, em meios às lágrimas ainda.
Perdoa voando, ainda sentindo na pele o ardume do tapa.
Se diverte com pouco.
É nosso dever aprender com a criança. Ela nos mostra que viver é mais fácil quando aprendemos a lidar com a vida de forma leve e plena.
Entregue-se à vida, como fazem as crianças. Sonhe, ria, brinque e reinvente-se. E seja feliz, afinal, criança é sempre feliz.
sexta-feira, março 01, 2013
Nascer é sempre emocionante
Nascer é sempre emocionante.
Foi esta impressão que tive ao entrar naquela maternidade. Não era minha primeira vez ,nem como profissional, nem como mulher. Mas o local tem todo um clima de festa, embora às vezes seja motivo de tristeza. Ir para a maternidade receber uma nova vida é mudar o rumo de tudo. Resumindo: chegam duas pessoas e voltam três ou mais.
Desde a admissão onde se vê a necessidade de internar ou não, saber se está cedo ou se já está até passando da hora, o trabalho é contínuo, progressivo e muita das vezes rápido fazendo com que a dinâmica da instituição seja flexível para se adaptar aos mais diversos desfechos. Como por exemplo, a mudança na intervenção de um parto normal para o cesáreo, as medidas que devem ser tomadas nas intercorrências e o desfecho disso tudo no final.
Claro que nascer é fisiológico mesmo por que a vida inteira pessoas nasceram, e muito antes de todos estes recursos tecnológicos, psicológicos, farmacêuticos e intervencionistas. Nascer sempre foi natural para o homem, com o avanço da medicina e de outras áreas, nascer tornou-se um evento, com direito a planeamento familiar, agora é um evento grandioso cercado de muitos cuidados, muitos mimos e muita orientação para que o recém - nascido de hoje não seja cliente da emergência de amanhã, para que os índices de mortalidade materna e infantil caia todos os anos, para que se tenha uma melhor assistência de fato e qualidade de vida para o binômio mãe e filho.
A instituição possui a referência de parto humanizado. Pessoalmente interpreto este termo como redundante, afinal todo parto obrigatoriamente deve ser humanizado, feito por humanos não? Logo humanamente deve ser. Embora este termo humanizar alcance as técnicas que antecedem o parto e seu desenrolar, muito antes já tínhamos a humanização quando as parteiras faziam os partos das mulheres em casa rodeada pela família com água quente e tesoura esterilizada no calor do fogão, mas tudo dava certo, dentro do que se esperava para a época.
Naquele tempo sofria-se a dor, não tinha alternativa de anestesiar esta dor. O pai esperava lá fora pelo choro da criança e o restante dos cuidados era entrar de “resguardo” e se resguardar de tudo mesmo, com todo o direito de não pegar chuva, sol, subir escadas, comer certos tipos de comida e milhões de recomendações, mas tudo fluía bem pelo menos na maioria das vezes, mostrando que desde que mundo é mundo, mulheres parem seus filhos naturalmente e humanamente, e o que fazem depois durante o período de resguardo é que vai ditar o resto da história de sua gestação.
Porém, algumas inovações mudaram os rumos de algumas coisas. Hoje a mulherada logo após o parto, semanas depois, ou até mesmo alguns dias levam seus filhos para o shopping, dão leite em pó quando chegam em casa e queimam os bebês com assaduras de fraldas, isso ao lado da queda dos índices de mortalidade materna e infantil, digamos que a qualidade de cuidados com esta nova vida caiu junto.
Além de tudo isso hoje as maternidades recebem acompanhantes para a mãe. Pode ser o pai, a mãe, o avô, a prima, a amiga, o importante é ter alguém. Porém analisando o comportamento e o conhecimento destas mães percebi que existem momentos em que há “gente demais”. A mãezinha que se sente frágil, fraca e necessitando de cuidados torna-se mais frágil diante de tantas mãos para ajudá-la. Não que eu seja contra, mas existem momentos que são apenas da mãe e filho, dar banho no bebê é da mãezinha, não é do paizinho, nem da avozinha. Muita gente dentro de uma enfermaria durante três dias fica muito complicada a convivência, eu não ficaria, como não fiquei no meu parto.
Voltando ao passado as mães também tinham seus filhos e eram ajudadas por suas mães, mas nada exagerado, no outro dia a mulher já estava em pé cozinhando, lavando a fralda e comendo canja de galinha branca. Ou como as índias que parem na beira do rio, lavam o bebê na água gelada e levam pra casa andando e sozinhas, nossas parturientes tem apoio de tudo e na hora de dar de mamar que ainda é a única coisa que não se pode delegar elas não conseguem ou simplesmente dizem que não querem.
São muitas orientações, uma avalanche de informações, mais muita gente dentro de um espaço, muitas coisas espalhadas, muita gente entrando e saindo, muito tempo de internação (3 dias) ou seja é muito de cada coisa. E na experiência passada que tive ao ficar com uma parturiente três dias orientando tudo inclusive a importância da amamentação, tive uma enorme surpresa ao fazer a visita domiciliar no sexto dia e encontrei-a dando mamadeira com leite em pó. Sinceramente eu repensei muito no que é dar orientação e no que é ver resultado.
Mas nem tudo são horrores, existem flores. O parto visto pelo acompanhante também é importante, a mulher se sentir amparada tendo um membro da família a seu lado e isso faz toda uma diferença no momento da chegada e no momento que um parto normal torna-se cesáreo e o medo toma conta da parturiente.
Outro trabalho muito emocionante mesmo é o das mamães canguru. Um trabalho de amor e de formiguinha, todo dia um pouquinho de amor em doses homeopáticas para o bebê crescer saudável e fortinho. Este amor incondicional é a melhor medicação dentro daquela maternidade. E o trabalho das doadoras de leite para alimentar o bebê de quem não pode amamentar, assistir as técnicas no banco de leite foi sem dúvida um aprendizado muito diferente.
Nascer é de fato surpreendente, emocionante e bem singular. Um parto não é igual ao outro, assim como a gravidez, mas eu vi em cada bebê um pouco da história de seus pais. Bebês queridos, festejados, amados. Bebês rejeitados, largados, desprezados, até sem nome. Não deveria ser assim, mas infelizmente há também um número muito grande de gravidez na adolescência, nossas crianças fazendo outras crianças e algumas vezes na sua segunda ou terceira vez antes dos vinte anos.
Mas enfim nascer é sempre uma festa, por que a vida assim se desenha, se faz, vem e não pede licença, seja em casa, na maternidade, na ambulância, nascer é o maior barato.
ESCRITO POR JANE EYRE EM 28/02/13
sábado, maio 28, 2011
— Ser negro é ruim, perguntou o menino loiro. — Não respondeu o negro: Onde começa o preconceito?
.Existem coisas que acontecem na vida e as pessoas não dão o devido valor.
Eu, no entanto, sou observadora do que as pessoas falam. Algumas não conseguem entender, por exemplo, como sou capaz de guardar praticamente todo o diálogo do sermão do Pastor na igreja.E sei que não é comum isto, pois até ele consegue se surpreender com o que consigo captar de seu raciocínio quando posto na pa´gina da Igreja. (http://www.sc-sercristao.blogspot.com/)
Só que vou falar não tem nada a ver com religião, seja ela qual for, é sobre humanidade, sobre quem gera os preconceitos.
O fato se deu por volta de 6 anos já, mas me lembro desde os olhares envolvidos, até as palavras infantis. O Brian, meu sobrinho, era um menino de quase 6 anos então E o caso se deu com ele.
Ele era proibido de ir para a rua, dado a idade e tamanho, e para ficar alguns minutos na pracinha adulava de todas as formas as 3 tias, a Creuza, que Deus já levou, a San (Nil) e eu. Fazia de tudo. Era capaz de nos comprar com chocolates - que ele fazia uma tia comprar para a outra.
Neste dia vítima escolhida fui eu. Cheguei na casa da Nâno, com um livro debaixo do braço e ele ficou olhando interessado. Perguntas peculiares da idade, mas o interesse era saber se eu já lera. Disse que não, pois vinha de longe, mas neste dia a dor de cabeça - falta de meu café - não deixara abrir o livro. Ele correu conseguir café pra mim e de 5 em 5 minutos voltava perguntando se tinha melhorado.
Na terceira vez vi qual era seu interesse - rua. Dei mais um tempo na conversa e me ofereci logo. Afinal, pobrezinho, tão preocupado, não é?
E lá esqueci da cabeça, do menino e da vida, me apeguei ao livro como um náufrago à uma madeira e fiquei a ler, deitada na pracinha Gonçalo Ravasco, em frente a nossa casa.
Algum tempo depois chegou uma senhora muito branca e sentou-se por perto. Mantinha a bolsa agarrada ao corpo e o olhar fixo no Brian.
Sabe instinto? Pois é, acho que foi isto. Tirei os olhos do livro e olhei aquilo. A mulher olhava atenta para o filho, um garoto bem loirinho, que corria pela praça, na verdade, no miolo da praça. O garoto se interessou pelo Brian que nesta época ainda tinha paciência com o resto do mundo.
Logo aquelas duas cabecinhas cheias de ideias estavam a cavoucar o chão. Acho que pretendiam chegar ao Japão ou coisa assim.
A mulher permanecia tensa, agarrada a bolsa como um Judas Iscariotes agarrava a "mucuta' que o Senhor recebia de oferta ou sei lá como. Os olhos temerosos não desgrudava do filho e eu percebia que ela nada dizia pois volta e meia o Brian erguia os olhos e me perguntava: a senhora está melhor?
Olhando para mim, que estava então com os cabelos lisos e curtos, quase Chanel - imagine aí a cara de lua cheia - de pele clara perto de meu sobrinho, meus cabelos extremamente loiros - muita tinta, ela, por certo, imaginava que eu fosse a mãe ou algo assim.
Terminaria por aí, se não acontecesse algo.
Na conversa dos meninos, o loirinho, mais novo, porém tão esperto quanto meu sobrinho, perguntou pra ele:
— VOCÊ É NEGRO?
— Sim, respondeu.
— E não se importa de ser negro?
— Não - respondeu de novo, agora sorrindo.
— Na sua casa todo mundo é negro? - perguntou o outro.
— Meu pai, meu irmão e eu. Minha mãe não é. Ela usa Henê - (Pelúcia, médio, como eu hoje, para baixar a juba).
Enquanto isto, a mulher nem aí. Com cara de medo estava, com cara de medo continuou.
E os meninos:
O loirinho de novo.
— E ser negro é ruim.
— Não. É legal, respondeu. - Virou-se perguntou sobre minha cabeça e continuou a fuçar o buraco com a varetinha.
— E você gosta de ser negro?
E meu sobrinho, sorrindo perguntou, em resposta:
— E você gosta de ser loiro?
O menino riu e respondeu:
— Sim, todo mundo é loiro.
Meu sobrinho, que ainda não tinha grande percepção de Universo respondeu de volta:
— Não Juninho, todo mundo não. Só você e minha avó.
O menino retrucou:
— Minha mãe também.
E me sobrinho:
— Sim, igual minha tia. Viu? - E me apontou, explicando. - Ela pinta o cabelo. E continuou: -Loiro de verdade, Juninho, tem olho azul.
A mulher ia falar alguma coisa, mas meu olhar, que sorria para conversa, fechou-se irado em sua direção.
E meu sobrinho, continuou.
![]() |
| Criança Branca em oração |
Só que vou falar não tem nada a ver com religião, seja ela qual for, é sobre humanidade, sobre quem gera os preconceitos.
O fato se deu por volta de 6 anos já, mas me lembro desde os olhares envolvidos, até as palavras infantis. O Brian, meu sobrinho, era um menino de quase 6 anos então E o caso se deu com ele.
Ele era proibido de ir para a rua, dado a idade e tamanho, e para ficar alguns minutos na pracinha adulava de todas as formas as 3 tias, a Creuza, que Deus já levou, a San (Nil) e eu. Fazia de tudo. Era capaz de nos comprar com chocolates - que ele fazia uma tia comprar para a outra.
Neste dia vítima escolhida fui eu. Cheguei na casa da Nâno, com um livro debaixo do braço e ele ficou olhando interessado. Perguntas peculiares da idade, mas o interesse era saber se eu já lera. Disse que não, pois vinha de longe, mas neste dia a dor de cabeça - falta de meu café - não deixara abrir o livro. Ele correu conseguir café pra mim e de 5 em 5 minutos voltava perguntando se tinha melhorado.
Na terceira vez vi qual era seu interesse - rua. Dei mais um tempo na conversa e me ofereci logo. Afinal, pobrezinho, tão preocupado, não é?
E lá esqueci da cabeça, do menino e da vida, me apeguei ao livro como um náufrago à uma madeira e fiquei a ler, deitada na pracinha Gonçalo Ravasco, em frente a nossa casa.
Algum tempo depois chegou uma senhora muito branca e sentou-se por perto. Mantinha a bolsa agarrada ao corpo e o olhar fixo no Brian.
Sabe instinto? Pois é, acho que foi isto. Tirei os olhos do livro e olhei aquilo. A mulher olhava atenta para o filho, um garoto bem loirinho, que corria pela praça, na verdade, no miolo da praça. O garoto se interessou pelo Brian que nesta época ainda tinha paciência com o resto do mundo.
Logo aquelas duas cabecinhas cheias de ideias estavam a cavoucar o chão. Acho que pretendiam chegar ao Japão ou coisa assim.
A mulher permanecia tensa, agarrada a bolsa como um Judas Iscariotes agarrava a "mucuta' que o Senhor recebia de oferta ou sei lá como. Os olhos temerosos não desgrudava do filho e eu percebia que ela nada dizia pois volta e meia o Brian erguia os olhos e me perguntava: a senhora está melhor?
Olhando para mim, que estava então com os cabelos lisos e curtos, quase Chanel - imagine aí a cara de lua cheia - de pele clara perto de meu sobrinho, meus cabelos extremamente loiros - muita tinta, ela, por certo, imaginava que eu fosse a mãe ou algo assim.
Terminaria por aí, se não acontecesse algo.
Na conversa dos meninos, o loirinho, mais novo, porém tão esperto quanto meu sobrinho, perguntou pra ele:
— VOCÊ É NEGRO?
— Sim, respondeu.
— E não se importa de ser negro?
— Não - respondeu de novo, agora sorrindo.
— Na sua casa todo mundo é negro? - perguntou o outro.
— Meu pai, meu irmão e eu. Minha mãe não é. Ela usa Henê - (Pelúcia, médio, como eu hoje, para baixar a juba).
Enquanto isto, a mulher nem aí. Com cara de medo estava, com cara de medo continuou.
E os meninos:
O loirinho de novo.
— E ser negro é ruim.
— Não. É legal, respondeu. - Virou-se perguntou sobre minha cabeça e continuou a fuçar o buraco com a varetinha.
— E você gosta de ser negro?
E meu sobrinho, sorrindo perguntou, em resposta:
— E você gosta de ser loiro?
O menino riu e respondeu:
— Sim, todo mundo é loiro.
Meu sobrinho, que ainda não tinha grande percepção de Universo respondeu de volta:
— Não Juninho, todo mundo não. Só você e minha avó.
O menino retrucou:
— Minha mãe também.
E me sobrinho:
— Sim, igual minha tia. Viu? - E me apontou, explicando. - Ela pinta o cabelo. E continuou: -Loiro de verdade, Juninho, tem olho azul.
A mulher ia falar alguma coisa, mas meu olhar, que sorria para conversa, fechou-se irado em sua direção.
E meu sobrinho, continuou.
— As pessoas Juninho, são igual caixa de leite. Não importa o que você vê fora. Só interessa é que e é leite.
O menino, sorriu e disse:
O menino, sorriu e disse:
— Que legal.
Pensou um instante e perguntou de novo.
— E todo leite é leite, "né"?
Pensou um instante e perguntou de novo.
— E todo leite é leite, "né"?
— Sim, não interessa a marca. ( Aqui na verdade ele citou duas marcas, mas não vou receber desconto, não vou dizer quais).
E a mulher, que não aguentou mesmo ficar calada, levantando, retrucou meu sobrinho:
— Sim tudo é leite, mas tem uns que são de marca melhor.
E meu sobrinho - sorrindo.
— E sim, senhora dona Branca, mas os leites de marca (citou 2) também "estraga".
Ergueu-se, me deu a mão e disse:
— Vamos tia, mamãe vai fazer outro café para você.
***************************************
E sempre ensinou a eles - são 2 - que se deve respeitar as pessoas pelo que elas representam. E não pelo que elas possuem. Ela diz para els que as pessoas são apenas casca, que o que vale é o que está dentro, que quando pensamos em alguém especial, dificilmente falamos das características físicas, falamos dos sentimentos, das qualidades que estas pessoas possuem.
Não digo que eles não tenham sofrido discriminação, mas em nosso meio - somos pobres - é menor. No entanto, quando acontece, ela deixa a coisa rolar, pois por serem bem embasados os meninos sempre tiveram boas respostas a dar.
O leite mesmo, que estraga, foi ele que teve a ideia ali, quando tentou explicar sobre como as pessoas são iguais, em essência.
E pode crer, enquanto saíamos da praça e seguíamos para nosso lar, de portão velho de madeira, a casa mais pobre da vila, ele seguia rindo de outra coisa. Esquecido do acontecido, pois teve resposta para dar. Mas a mulher ficou lá com a mão estendida para um filho, mas com o olhar fixo no menino de 5 anos que lhe dera a maior resposta que por certo ela recebeu na vida.
Eu tomei meu café delicioso, nem contei o caso em casa. Anos depois sim, mas não naquele dia.
E ela, por certo, ficou ouvindo ricochetear na memória:
— E sim, senhora dona Branca, mas os leites de marca também "estraga".
E a mulher, que não aguentou mesmo ficar calada, levantando, retrucou meu sobrinho:
— Sim tudo é leite, mas tem uns que são de marca melhor.
E meu sobrinho - sorrindo.
— E sim, senhora dona Branca, mas os leites de marca (citou 2) também "estraga".
Ergueu-se, me deu a mão e disse:
— Vamos tia, mamãe vai fazer outro café para você.
***************************************
![]() |
| Beleza Negra |
Você pode perguntar como foi que deixei este diálogo acontecer. No entanto, quando minha irmã resolveu ter filhos, muitas pessoas disseram que eles sofreriam preconceito já que ela em vez de clarear a família, estava escurecendo casando com uma pessoa "de cor". Ela disse que não permitiria que eles fossem discriminados, mas que isto se daria com inteligência.
E sempre ensinou a eles - são 2 - que se deve respeitar as pessoas pelo que elas representam. E não pelo que elas possuem. Ela diz para els que as pessoas são apenas casca, que o que vale é o que está dentro, que quando pensamos em alguém especial, dificilmente falamos das características físicas, falamos dos sentimentos, das qualidades que estas pessoas possuem.
Não digo que eles não tenham sofrido discriminação, mas em nosso meio - somos pobres - é menor. No entanto, quando acontece, ela deixa a coisa rolar, pois por serem bem embasados os meninos sempre tiveram boas respostas a dar.
O leite mesmo, que estraga, foi ele que teve a ideia ali, quando tentou explicar sobre como as pessoas são iguais, em essência.
E pode crer, enquanto saíamos da praça e seguíamos para nosso lar, de portão velho de madeira, a casa mais pobre da vila, ele seguia rindo de outra coisa. Esquecido do acontecido, pois teve resposta para dar. Mas a mulher ficou lá com a mão estendida para um filho, mas com o olhar fixo no menino de 5 anos que lhe dera a maior resposta que por certo ela recebeu na vida.
Eu tomei meu café delicioso, nem contei o caso em casa. Anos depois sim, mas não naquele dia.
E ela, por certo, ficou ouvindo ricochetear na memória:
— E sim, senhora dona Branca, mas os leites de marca também "estraga".
Por, Elisabeth Lorena Alves
Assinar:
Postagens (Atom)






