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domingo, abril 25, 2021

Entrecontos, Aline Cruz, Almeida Júnior - algumas indicações em um só lugar




Olá.

Nossa conversa hoje é sobre Literatura.

O texto de que vou falar é  "A Persistência da Memória ", da escritora Aline Cruz. E está no EntreContos - não, não estou ganhando para divulgar eles, não. Só faço se gosto e gostei da escrita dessa escritora.

O conto - porque é um conto, conta uma história de divagação frutífera - eu sei, eu poderia dizer que é uma reflexão, mas prefiro dizer que é uma viagem linda da Memória.

Voltemos.

Nessa divagação frutífera o narrador  fala sobre sua existência de forma generosa e vai construindo uma espaço afetivo entre o leitor e a personagem  principal que é quebrado de forma magistral ao final. Ruptura que muda o foco sobre tudo o que foi dito até aí. E sobre isso deixo a expectativa. Você precisa ler para entender.

No mais, só digo que amo quando um autor consegue fugir da caricatura e dos perfis marcados, como se todo caipira fosse desprovido de conhecimento e do uso do pensamento complexo e da fala formal. E essa fala faz parte do comentário que deixei lá. O texto é belíssimo e merece sua leitura. 

E há mais. A ilustração do conto ficou a cabo da imagem de Almeida Júnior, “Caipira picando fumo”. 

Imagem que amo, por sinal. Vê-la ali refrescou minha esperança.

É minha indicação de leitura hoje. 

De resto, Feliz Domingo e fui, porque o cuscuz está quente e cheiroso e o café me espera.

Abraços literários.



Serviço


Ficha técnica
Ano: 1893
Dimensões: 202 x 141 cm
Técnica: óleo sobre tela
Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil




quinta-feira, março 29, 2012

Música, divina música - Adeus Millôr

Adeus Millôr Fernandes!



Bem, as pessoas adoram criticar que blogueiros e outros  participantes de redes sociais se pegam falando de quem nos deixa -  falando bem, na maioria das vezes. Acho que se a gente malhar o pau nos que nos deixam, eles aceitem mais... Mas eu não falar de Millôr Fernandes é no mínimo ridículo, amo suas crônicas, como amo Stanislaw Ponte Preta, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa e Sinclair. Todos estes fizeram parte de minha alfabetização na infância e na vida adulta, pois depois de aprender a ler, aprendi entender a Poesia. Poesia esta que há em qualquer texto bem escrito, mesmo que seja ferino como muitas vezes era Millôr.
Hoje posto aqui ctrl+c e ctrl+v claro, o texto Música, divina música, deste cronista maravilhoso, deste educador e crítico político que fará falta a nós e nossos filhos, pois poucos foram os que tiveram acesso a ele em vida e neste país sem memória, poucos conhecerão sua destreza com a nossa Língua.
Meus sentimentos, neste país que cada dia fica sem História!

Biografia

Música, divina música!


Tanto duvidaram dele, da teoria daquele jovem gênio musical, que ele resolveu provar pra si mesmo, empiricamente, a teoria de que não existem animais selvagens. Que os animais são tão ou mais sensíveis do que os seres humanos. E que são sensíveis sobretudo ao envolvimento da música, quando esta é competentemente interpretada.

Por isso, uma noite, esgueirou-se sozinho pra dentro do Jardim Zoológico da cidade e, silenciosamente, se aproximou da jaula dos orangotangos. Começou a tocar baixinho, bem suave, a sua magnífica flauta doce, ao mesmo tempo em que abria a porta da jaula. Os macacões quase que não pestanejaram. Se moveram devagarinho, fascinados, apenas pra se aproximar mais do músico e do som.

O músico continuou as volutas de sua fantasia musical enquanto abria a jaula dos leões. Os leões, também hipnotizados, foram saindo, pé ante pé, com o respeito que só têm os grandes aficionados da música. E assim a flauta continuou soando no meio da noite, mágica e sedutora, enquanto o gênio ia abrindo jaula após jaula e os animais o acompanhavam, definitivamente seduzidos, como ele previra.

Uma lua enorme, de prata e ouro, iluminava os jacarés, elefantes, cobras, onças, tudo quanto é animal de Deus ali reunido, envolvidos na sinfonia improvisada no meio das árvores. Até que o músico, sempre tocando, abriu a última jaula do último animal - um tigre.

Que, mal viu a porta aberta, saltou sobre ele, engolindo músico e música - e flauta doce de quebra. Os bichos todos deram um oh! de consternação. A onça, chocada, exprimiu o espanto e a revolta de todos:

- Mas, tigre, era um músico estupendo, uma música sublime! Por que você fez isso? E o tigre, colocando as patas em concha nas orelhas, perguntou:
- Ahn? O quê, o quê? Fala mais alto, pô!

MORAL: OS ANIMAIS TAMBÉM TÊM DEFICIÊNCIAS HUMANAS.
Millor Fernandes

sábado, fevereiro 25, 2012

A morte chega cedo

A morte chega cedo

Fernando Pessoa
A morte chega cedo,
 Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.

O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.

E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto.

sexta-feira, junho 26, 2009

Sobre Michael Jackson - Textos diversos e alguns links

Homenagem a MIchael Jackson poe Ataíde, Elis....


http://poesiasamigas.blogspot.com/

Pop Star Michael Jackson

Mais uma estrela neste céu se apaga
Escurecendo o brilho da musica
Fazendo um rasto de saudade.
Mesmo sabendo que o astro não morre
Deixa a musica mais pobre
E um vazio na arte se abre.

No encanto da musica
Como também da dança
Na irreverência em seu jeito de ser
Cala-se e abre enorme silêncio
Emudece uma voz aguda e afinada
Chegando ao fim da jornada
Uma estrela chamada Michael Jackson.

Pop star que encantou gerações
Provocando fortes emoções
Construiu uma legião de fãs.
Agora em outro céu vai brilhar
Porém a luz por ele deixado
O tempo não apagará jamais.
Pop Star Michael Jackson

Mais uma estrela neste céu se apaga
Escurecendo o brilho da musica
Fazendo um rasto de saudade.
Mesmo sabendo que o astro não morre
Deixa a musica mais pobre
E um vazio na arte se abre.

No encanto da musica
Como também da dança
Na irreverência em seu jeito de ser
Cala-se e abre enorme silêncio
Emudece uma voz aguda e afinada
Chegando ao fim da jornada
Uma estrela chamada Michael Jackson.

Pop star que encantou gerações
Provocando fortes emoções
Construiu uma legião de fãs.
Agora em outro céu vai brilhar
Porém a luz por ele deixado
O tempo não apagará jamais.

Ataíde Lemos



http://www.poetasmortos.com.br/index.asp?op1=2&op2=0&idTexto=15342

Homem Criança (luto)

Ei! estou vendo que você partiu...
Um buraco negro se abriu,
Onde havia Alegria,ilusão, felicidade
Impe
ra apenas o luto,saudade.

Ei! Que se há de fazer da lua?
Onde seus passos via rua,
Onde a festa se fazia
E o amor sempre lhe sorria?

Ei! Com sua partida onde havia dança,
Finda-se a alegria,morre a esperança
E fica apenas lágrimas e luto,criança.

Ei! Estou vendo que você partiu,
Sua voz calou-se, é o fim
Sua estrela sempre brilhará em mim
Embora sua presença se esvaiu...

Elis

Em reticências, para que sua presença estelar não se apague, junto comn seu sorriso e tristezas, que fazem de tua história. Que encontre emfim o descanso necessário.

Conheça ou relembre um pouco da históri de vida deste ícone pop

A trajetória musical de Michael Jackson

O artista imprimiu o nome na história da música com 40 anos de carreira.
A mistura singular de soul, funk e rock tornaram Michael Jackson o maior artista do pop no mundo.
Além da música, a astúcia do artista para os negócios e a compreensão intuitiva sobre o mercado da música permitiram ampla divulgação e promoção dos seus talentos. Também por conta disso, ele vendeu milhões de álbuns e quebrou diversos recordes na indústria do entretenimento.
Com a presença vocal de artistas como Marvin Gaye e Stevie Wonder e a os movimentos de dança tão peculiares quanto os de James Brown, o sucesso de Michael Jackson ultrapassou fronteiras nacionais e raciais.
O primeiro passo do artista no mercado da música aconteceu em 1968, com a assinatura do contrato do grupo Jackson Five - formado por Michael e quatro de seus irmãos - com a gravadora Motown. Na época do lançamento do primeiro single, o artista tinha apenas 11 anos de idade...Leia mais em:

http://www.auryneidealves.blogspot.com


quarta-feira, junho 24, 2009

Lucrécia Paco, a maior atriz moçambicana sofre discriminação em São Paulo...





"Então é verdade, no Brasil é duro ser negro?"
A mais importante atriz de Moçambique diz ter sofrido discriminação racial em São Paulo
Por Eliane Brum


Revista Época

Fazia tempo que eu não sentia tanta vergonha. Terminava a entrevista com a bela Lucrécia Paco, a maior atriz moçambicana, no início da tarde desta sexta-feira, 19/6, quando fiz aquela pergunta clássica, que sempre parece obrigatória quando entrevistamos algum negro no Brasil ou fora dele. "Você já sofreu discriminação por ser negra?". Eu imaginava que sim. Afinal, Lucrécia nasceu antes da independência de Moçambique e viaja com suas peças teatrais pelo mundo inteiro. Eu só não imaginava a resposta: "Sim. Ontem".

Lucrécia falou com ênfase. E com dor. "Aqui?", eu perguntei, num tom mais alto que o habitual. "Sim, no Shopping Paulista, quando estava na fila da casa de câmbio trocando meus últimos dólares", contou. "Como assim?", perguntei, sentindo meu rosto ficar vermelho.
Ela estava na fila da casa de câmbio, quando a mulher da frente, branca, loira, se virou para ela: "Ai, minha bolsa", apertando a bolsa contra o corpo. Lucrécia levou um susto. Ela estava longe, pensando na timbila, um instrumento tradicional moçambicano, semelhante a um xilofone, que a acompanha na peça que estreará nesta sexta-feira e ainda não havia chegado a São Paulo. Imaginou que havia encostado, sem querer, na bolsa da mulher. "Desculpa, eu nem percebi", disse.

A mulher tornou-se ainda mais agressiva. "Ah, agora diz que tocou sem querer?", ironizou. "Pois eu vou chamar os seguranças, vou chamar a polícia de imigração." Lucrécia conta que se sentiu muito humilhada, que parecia que a estavam despindo diante de todos. Mas reagiu. "Pois a senhora saiba que eu não sou imigrante. Nem quero ser. E saiba também que os brasileiros estão chegando aos milhares para trabalhar nas obras de Moçambique e nós os recebemos de braços abertos."

A mulher continuou resmungando. Um segurança apareceu na porta. Lucrécia trocou seus dólares e foi embora. Mal, muito mal. Seus colegas moçambicanos, que a esperavam do lado de fora, disseram que era para esquecer. Nenhum deles sabia que no Brasil o racismo é crime inafiançável. Como poderiam?

Lucrécia não consegue esquecer. "Não pude dormir à noite, fiquei muito mal", diz. "Comecei a ficar paranoica, a ver sinais de discriminação no restaurante, em todo o lugar que ia. E eu não quero isso pra mim." Em seus 39 anos de vida dura, num país que foi colônia portuguesa até 1975 e, depois, devastado por 20 anos de guerra civil, Lucrécia nunca tinha passado por nada assim. "Eu nunca fui discriminada dessa maneira", diz. "Dá uma dor na gente. "

Ela veio ao Brasil a convite do Itaú Cultural, que realiza até 26 de junho, em São Paulo, o Antídoto – Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito. Lucrécia apresentará de hoje a domingo (19 a 22/6), sempre às 20h, a peça Mulher Asfalto. Nela, interpreta uma prostituta que, diante de seu corpo violado de todas as formas, só tem a palavra para se manter viva.

Lucrécia e o autor do texto, Alain-Kamal Martial, estavam em Madagáscar, em 2005, quando assistiram, impotentes, uma prostituta ser brutalmente espancada por um policial nas ruas da capital, Antananarivo. A mulher caía no chão e se levantava. Caía de novo e mais uma vez se levantava. Caía e se levantava sem deixar de falar. Isso se repetiu até que nem mesmo eles puderam continuar assistindo. "Era a palavra que a fazia levantar", diz Lucrécia. "Sua voz a manteve viva." Foi assim que surgiu o texto, como uma forma de romper a impotência e levar aquela voz simbólica para os palcos do mundo.

Mais tarde, em 2007, Lucrécia montou o atual espetáculo quando uma quadrilha de traficantes de meninas foi desbaratada em Moçambique. Eles sequestravam crianças e as levavam à África do Sul. Uma menina morreu depois de ser violada de todas as maneiras com uma chave de fenda. Lucrécia sentiu-se novamente confrontada. E montou o Mulher Asfalto.

Não poderia imaginar que também ela se sentiria violada e impotente, quase sem voz, diante da cliente de um shopping em um outro continente, na cidade mais rica e moderna do Brasil. Nesta manhã de sexta-feira, Lucrécia estava abatida, esquecendo palavras. Trocou o horário da entrevista, depois errou o local. Lucrécia não está bem. E vai precisar de toda a sua voz – e de todas as palavras – para encarnar sua personagem nesta noite de estréia.

"Fiquei pensando", me disse. "Será que então é verdade? Que no Brasil é difícil ser negro? Que a vida é muito dura para um preto no Brasil?" Eu fiquei muda. A vergonha arrancou a minha voz.




terça-feira, novembro 11, 2008

Homenagem a Miriam Makeba

Esta manhã entrei na net e acabei recebendo a notícia da morte de Miriam Makeba
fiquei triste.
Incrivelmente, faz poucos tempo que a descobri. Na verdade foi através de um ex - aluno do Programa Pré Vestibular que foi para Cuba.
Na volta, trouxe na mala vários trabalhos de artistas que eu não conhecia.
Assim, depois que ele começou a prestar serviço na entidade como enfermeiro, ouvia várias canções com as crianças e elas adoravam.
A canção Pata Pata fazia parte do repertório de um garoto especial que além de Miriam Makeba, gostava de Bob Marley e dos Tribalistas.
Ao ler sobre a morte de Miriam Makeba, lembrei - me de dias que não voltam mais.
Por este motivo, para lembrar de tudo o que vivi, coloquei uma barra de vídeo como homenagem e capturei na net dados sobre a grande artista que ela foi, além de uma ativista grandiosa.


Miriam Makeba


Miriam Makeba (Joanesburgo, 4 de março de 1932Castel Volturno, Itália, 10 de novembro de 2008) foi uma cantora sul-africana também conhecida como "Mama África" e grande ativista pelos direitos humanos e contra o apartheid na sua terra natal.
Makeba começou a carreira em grupos vocais nos anos 50, interpretando uma mistura de blues americanos e ritmos tradicionais da África do Sul. No fim da década, apesar de vender bastantes discos no país, recebia muito pouco pelas gravações e nem um cêntimo de royalties, o que lhe despertou a vontade de emigrar para os Estados Unidos a fim de poder viver profissionalmente como cantora.
O seu momento decisivo aconteceu em 1960, quando participou no documentário antiapartheid Come Back, Africa, a cuja apresentação no Festival de Veneza daquele ano comapareceu. A recepção que teve na Europa e as condições que enfrentava na África do Sul fizeram com que Miriam resolvesse não regressar ao país, o que causou a anulação do seu passaporte sul-africano.
Foi então para Londres, onde se encontrou com o cantor e ator negro norte-americano Harry Belafonte, no auge do sucesso e prestígio e que seria o responsável pela entrada de Miriam no mercado americano. Através de Belafonte, também um grande ativista pelos direitos civis nos Estados Unidos, Miriam gravou vários discos de grande popularidade naquele país. A sua canção Pata Pata tornou-se um enorme sucesso mundial. Em 1966, os dois ganharam o Prêmio Grammy na categoria de música folk, pelo disco An Evening with Belafonte/Makeba[1].
Em 1963, depois de um testemunho veemente sobre as condições dos negros na África do Sul, perante o Comitê das Nações Unidas contra o Apartheid, os seus discos foram banidos do país pelo governo racista; o seu direito de regresso ao lar e a sua nacionalidade sul-africana foram cassados, tornando-se apátrida.
Os problemas nos Estados Unidos começaram em 1968, quando se casou com o ativista político Stokely Carmichael, um dos idealizadores do chamado Black Power e porta-voz dos Panteras Negras, levando ao cancelamento dos seus contratos de gravação e das suas digressões artísticas. Por este motivo, o casal mudou-se para a Guiné, onde se tornaram amigos do presidente Ahmed Sékou Touré. Nos anos 80, Makeba chegou a servir como delegada da Guiné junto da ONU, que lhe atribuiu o Prêmio da Paz Dag Hammarskjöld. Separada de Carmichael em 1973, continuou a vender discos e a fazer espetáculos em África, América do Sul e Europa.
A morte da sua filha única em 1985 levou-a a mudar-se para a Bélgica, onde se estabeleceu. Dois anos depois, voltaria triunfalmente ao mercado norte-americano, participando no disco de Paul Simon Graceland e na digressão que se lhe seguiu.
Com o fim do apartheid e a revogação das respectivas leis, Miriam Makeba regressou finalmente à sua pátria em 1990, a pedido do presidente Nelson Mandela, que a recebeu pessoalmente à chegada. Na África do Sul, participou em dois filmes de sucesso sobre a época do apartheid e do levantamento de Soweto, ocorrido em 1976.
Agraciada em 2001 com a Medalha de Ouro da Paz Otto Hahn, outorgada pela Associação da Alemanha nas Nações Unidas "por relevantes serviços pela paz e pelo entendimento mundial", Miriam continuou a fazer shows em todo mundo e anunciou uma digressão de despedida, com dezoito meses de duração.
Em 9 de novembro de 2008, apresentou-se num concerto a favor de Roberto Saviano, em Castel Volturno (Itália). No palco, sofreu um ataque cardíaco e morreu no hospital na madrugada do dia 10 de novembro.

http://br.youtube.com/watch?v=kCc61z9IFu4

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