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terça-feira, janeiro 26, 2021

A Senescência em O Mestiço, de Gustavo Araújo - Porque envelhecer dá trabalho




 Olá, sou eu de novo com um texto do Entrecontos


Desta feita meus olhos baixaram sobre o Desafio Envelhecer, novamente. Talvez porque ontem relembrei uma postagem do Ano passado, lendo meus blogs e retornei minha leitura à essa antologia. 
O Conto traz por ilustração a figura de Candido Portinari, "O Mestiço", 

"Mestiço", do escritor Gustavo Araújo, traça, de forma leve e até descompromissada o caminho da senescência de um carroceiro urbano e de seu cavalo. Antes de continuar, vale lembrar aos amigos que me seguem o quê é senescência. Essa é a parte em que, sem realmente adoecer, o jovem adulto vê em si a metamorfose ocorrer. Já não corre como antes, já não o mesmo cabelo de outrora e suas preferências mudam, até que ele passe a preparar "preparo o chá para os fantasmas", como diz a poesia "Envelhecer",  de Mario Quintana.   

Há parte no conto que mostra exatamente o reconhecimento desse estado. Tanto o homem quanto o cavalo estão envelhecendo sem grandes complicações físicas, portanto, sem doenças patológicas, não atingiram o estado de senilidade e, ativos que são, talvez não chegarão a esse estado. Entretanto, envelhecer apresenta certas dificuldades e mudanças físicas que são delineadas no texto e, interessantemente, o autor faz uma junção das duas figuras, sem no entanto juntá-las de fato. 


Ao observar a pelagem do animal desfiando nosso carroceiro lembra dos tempos heroicos do animal e também dos seus tempos de juventude, nos confins da floresta. Esse instante de focagem sobre si e o cavalo me fez pensar em "O velho e o Espelho", de Mário Quintana, porque lendo, temos a ilusão de que as reflexões que envolve a existência do homem e do cavalo são mais frutos de sua própria vontade do que de sua realidade e, mais não digo porque prefiro que o leia.



O final do conto remete mais uma vez a Mario Quintana  e transcrevo, não o conto, porque estou escrevendo aqui para vocês irem lá, ler, mas o poema "Do mal da velhice": 

"Chega a velhice um dia... 

E a gente ainda pensa Que vive... 

E adora ainda mais a vida! 

Como o enfermo que em vez de dar combate à doença 

Busca torná-la ainda mais comprida


E agora vou.



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sábado, abril 25, 2020

Mulher-Dama, texto de Regina Ruth Rincon Caires



Olá. Vim aqui rapidinho para contar-lhes de um texto que li no Entrecontos esses dias, "Mulher-Dama", a autora ao inseri-lo no Desafio Envelhecer usou por pseudônimo o nome Guadalupe e, quando li, lembrei-me de Marcos Rey, Marianinho e Lu. Não, não é uma Fanfic. É texto próprio da autora, Regina Ruth Rincon Caires

Uma história maravilhosa, triste, rica de crítica sutil. A narrativa é cativante e vai levando o leitor de forma coercitiva e tentando convencê-lo de seu ponto de vista, que na verdade é só uma narração dos fatos e, no entanto, parece algo mais. Você precisa ler. 

Durante a leitura eu imaginava a Bruna Lombardi, travestida de Lu, contando-nos o fato. Sabe, aqueles lábios vermelhos, pintados com extremo cuidado, deixando a voz sair doce e aveludada, serpenteando no ar e indo aos nossos ouvidos. 

A crítica fica bem marcada na posição das pessoas em relação aos atos da personagem principal. Os atos que nos homens são aceitos, na mulher passam claro, como se ela não pudesse ser humana e tal. A violência que a personagem sofre é invisível, o amor que ela tem é o seu defeito, como se o marido violento fosse santo só porque não traiu - ou porque seus erros não vieram a público na pele dos filhos. 

Mais não conto, deixo por conta de sua curiosidade e leitura. 

Corram lá e leiam. Texto excelente. 

Abraços e fui.



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