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quinta-feira, agosto 08, 2013

Soneto para Morte - Alcides Werk

Tenho visto muito da Poesia e Arte de Manaus...

Lembra do Clube da Madrugada?
Já fui em alguns espetáculos de Teatro. Vi a Orquestra do Amazonas na Série Guaraná. Fui ao espetáculo de Natal de 2012, O Glorioso, em 2011 não conseguimos entrar. Mas em 2012 o espetáculo foi  foi magnífico -  se quiser leia na Revista Biografia sobre esta festa.
Assisti em diversas oportunidades Mas pode me chamar de Chico, com os cantores daqui, entre ele o Marcos Paulo, Zezinho Correa, Lucilene Castro e outros. Contei isto aqui. Assisti também shows de algumas cantoras em particular e amei muito. Só não vi a Jana Figarella, em Julho agora por causa da Faculdade...
Snif Snif!
Só que Poesia, bem esta modalidade de Arte a gente acha na Internet - Santa Internet!
Assim, conheci a Poesia de Alcides Werk, uma mato-grossense que se aportou por aqui.
Como amo o tema MORTE, escolhi um Soneto dele para que todo se deliciem de seu modo lindo de escrever. E vão notar que apesar do tema ser  pesado para alguns, a Poesia dele se mostra plena de significado e beleza...
Conhecido como Poeta das Águas, ele fez poesia e declamou-as para alguns privilegiados e hoje descansa em paz, distante de seus poemas, mas acho que perto de grandes almas artísticas, estrelas de nossa Literatura...
Depois do poema, uma pequena Biografia e um link para o Sumauma, onde tem um belíssimo texto da Escritora Rosa Clement sobre ele...
Beijos e vamos a ele?


Soneto Aberto Sobre A Morte


Hoje é dia de festa nesta casa: 
festa dos círios e das lamparinas.
Um corpo magro sobre a mesa, e a porta
de esteira aberta para os companheiros.

Beatas, terço, cafezinho, estórias,
o choro inútil da mulher sozinha,
a promessa do céu dos escolhidos
e uma herança de palha e de abandono.

Brasileiro, do norte, agricultor.
Semeou, semeou a vida inteira,
fez o campo florir por tantas vezes,

alimentou mil pássaros vadios,
foi sempre bom, mas nunca teve sorte,
e se vestiu de trapos para a morte.


Alcides Werk por Rosa Clement


Biografia

Alcides Werk Gomes de Matos nasceu em Aquidauana, Mato Grosso, no dia 20 de dezembro de 1934. É poeta de identidade amazônica, forjada no convívio com o modo de vida interiorano, resultado de suas aventuras pelos altos rios, pelos paranás, pelos lagos distantes, abeberando-se da cultura aborígine. Sua estréia aconteceu em 1974, com a publicação do livro de poemas Da noite do rio. Outras obras poéticas: Trilha dágua (Manaus. 1985), Poemas da água e da terra,edição bilíngue (Manaus, 1987), In natura: poemas para a juventude (Manaus, 1999). Cantos ribeirinhos e outros poemas(Manaus. 2002) e A Amazônia de Alcides Werk (Manaus, 2004). O poeta faleceu em Manaus, no dia 13 de novembro de 2003. 

(Óbvio que a Biografia não fui eu que fiz... hehehe... Achei aqui, no site do também escritor Antonio Miranda) .

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Guaianases [Revista Biografia]


Guaianases velho de guerra
Olá amigos leitores e seguidores da Revista Biografia! Estava com saudades de escrever para vocês. Algumas semanas de férias compulsórias me fizeram ficar distante da História da minha São Paulo querida.
Hoje, para compensar, vou contar-lhes mais uma História de Bairro do meu Estado querido. Já vou pedindo perdão pelos possíveis apegos e sentimentalismos, pois vou falar de um lugar que conheço e onde vivi por quase 40 anos: Guaianases.
Para começar, deixa eu contar uma curiosidade...
Anos atrás as pessoas morriam de medo dos moradores deste bairro, mas não era pelo perigo, comum, atribuído as pequenas e grandes cidades, era por considerar que ali não havia gente inteligente. Os povos centrais, donos de empresas e patroas, acreditavam que éramos todos descendentes de índios – e acho que acreditavam ainda mais, que fôssemos todos canibais, pois bastava falar que era morador de Guaianases que as portas se fechavam. Ainda alcancei esta loucura. Meus amigos iam procurar emprego e diziam que moravam na Parada XV de Novembro.
Com esta loucura bairrista, nós também acabamos criando nosso próprio sentimento bairrista, passamos a cultivar o orgulho de sermos de Guaianases.
Guaianases nasceu antes do que se diz que nasceu e teve grande importância para a História de nosso Estado. Nas Bibliotecas mais antigas e na da Câmara Municipal de São Paulo pode-se encontrar relatos anteriores ao dia comemorado como o de sua fundação, mas nosso Brasil tem a mania horrorosa de só acreditar que um bairro existiu a partir de uma missa realizada, assim sendo, nossa verdadeira história acaba perdida.
Infelizmente para Guaianases e para quase todos os bairros e cidades brasileiras, muito de nossa história é manipulada pelos interesses de A ou B.
Guaianases, antes de sua formação oficial, era um aldeamento pequeno onde as pessoas em viagem para Santos e outros lugares, paravam para trocar seus cavalos, fazerem a sua higiene e se alimentarem. Uma pessoa famosa fez isto algumas vezes por ali: Dom Pedro I, indo de visita a Marquesa de Santos. Por certo outros assim o fizeram, embora a História faça questão de esquecer.
Antes de sua fundação oficial, também, Guaianases era local de moradia indígena e tem seu nome atribuído a um aldeamento destes, o povo Guaianás.

Guaianases é formado por diversas nações e tem sua História envolvida com diversas outras histórias. Em grande parte deve sua formação a três povos específicos: os indígenas, os italianos e os nordestinos. Por volta dos anos 90 o artista gráfico Natalício Vigo chegou a fazer uma estátua com estas três figuras que foi colocada na entrada do Bairro, perto do Jardim Helena. Eu até ganhei uma réplica quando da realização do Seminário “Guaianases tem Solução”, mas não tenho mais, por causa de um acidente doméstico.
Quando falamos que três povos específicos formaram este bairro, acabamos sendo um pouco injustos, pois há grande contribuição de outros povos em sua formação. Há influência japonesa, chinesa, alemã e de muitas outras nacionalidades. Há, também, influências de outras famílias que nem sempre aparecem nos documentários, tais como: a família Mariano, Carmo, Leite, Chabi e muitas outras.
No fim dos anos 90 e início de 2000, Guaianases contava com dois milhões de habitantes, números agora manipulados para evitar que o bairro vire um município (um desejo antigo de muitos moradores locais).  Este número pode ser sim mudado, para referenciar minha informação cito que só na Cidade Tiradentes, que possui em média um terço dos moradores do bairro, moram mais de 800 mil famílias – a Cidade Tiradentes é um complexo de habitações nada modernas, feitas a partir da construção de prédios com cinco andares, sem elevadores, em um lugar, outrora, ermo e afastado do centro, mas que agora cresce assustadoramente. Além dos tais edifícios, há construções, feitas através mutirões, de casas de andares e, também, algumas invasões, algo muito comum nos últimos anos-.
Guaianases também tem algo curioso, quase toda a casa tem inquilinos, algumas com mais de três famílias. As pessoas sublocam suas casas (por menores que sejam) e isto, na maioria das vezes, se deve pelas necessidades financeiras, afinal viver em Guaianases é caro, pois é um bairro longe das empresas e comércios específicos. Essa afirmação também é um pouco injusta, temos aqui um bom Comércio e contamos com Indústrias locais. Temos escolas particulares e até Faculdade no Bairro, tudo bem que não é, ainda, uma Federal, mas sonhamos com isto. Se podem construir cadeias públicas, por que não construir Universidades...
Guaianases tem lenda própria. Embora muitos acreditem que não seja lenda e sim uma história real, horrorosa por sinal, e que prova o quanto nós, seres humanos, podemos ser bárbaros, esta relacionada a um das primeiras Capelas do Bairro – a Igreja de Santa Quitéria. Diz a “lenda” que Santa Quitéria era uma escrava fugitiva das fazendas existentes na região e pertencentes aos padres Carmelitas, que foi perseguida, capturada e sacrificada selvagemente no mesmo local onde foi construída a Igreja.
O aniversário oficial de Guaianases é comemorado no dia três de Maio, dia de Santa Cruz, data que foi celebrada a primeira missa, em 1861, mas é de conhecimento histórico que desde 12 de outubro de 1580, foi autorizado o aldeamento de Guaianases e região. Esse aldeamento foi iniciado pelo Bairro de São Miguel Paulista, pelos índios Ururaí. Jerônimo Leitão, o Capitão desta Capitania em São Vicente, foi quem autorizou este aldeamento com condições de sesmarias.
Atribuem aos italianos e espanhóis a formação do Bairro, pois foram eles que propiciaram o crescimento financeiro e sabemos que o que manda é o dinheiro. E é desta forma que é vista a formação de nosso bairro, pelo prisma da entrada de grandes quantidades de dinheiro no Bairro.
Não desmerecendo ninguém vou citar, de acordo com as informações mostradas nos poucos livros que se dignam falar sobre a formação de Goianases, as origens das primeiras fontes de rendas: Olarias e Pedreiras; Derrubada de Árvores para a construção de casas indústrias e comércio nos bairros da Móoca, Belém, Pari, Bom Retiro, Brás e adjacências; Comércio de secos e molhados; Cultivo de produtos agrícolas e agropecuários, além de ferreiros e carpinteiros. Guaianases possuía, como todos os bairros considerados desenvolvidos, os fotógrafos de família, principais responsáveis por algumas das poucas fotos que sobreviveram ao tempo. Essas “fotos registros”, se o Estado nada fizer, será perpetuada como propriedade exclusiva da Eletropaulo Metropolitana. Estes fotógrafos só faziam retratos de/para pessoas com bom poder aquisitivo, pois este era um trabalho caro para os demais.
Conta-se que os primeiros loteamentos surgiram na década de 1920, como Vila Iolanda (1926), CAIC (1928), Princesa Isabel (1928), parte da fazenda Santa Etelvina (1926). Nesta mesma época surgiu um pequeno núcleo de imigrantes alemães e austríacos, em número de doze famílias que viviam na região do Santa Etelvina. Outra curiosidade: Guaianases tem dois loteamentos com este nome, Jardim Santa Etelvina, formado nas terras onde existia esta fazenda de mesmo nome e outra vila, na Cidade Tiradentes, que também se chama Santa Etelvina e que, também, era uma fazenda com este nome... Guaianases tem história no Corpo de Bombeiros, a família Rulh, o comandante Carlos Ruhl dá nome para uma das ruas da Vila Princesa Isabel, mesma rua onde fica uma das mais antigas escolas, o Colégio Pedro Taques. A família Ruhl esta há diversas gerações prestando serviços à comunidade através do Corpo de Bombeiros.
A Primeira Agência de Correios foi fundada em 1873 e demorou um pouco mais para ser ter uma delegacia, na verdade uma subdelegacia de polícia, que foi criada só em 1895.
Em matéria de esporte surgiram duas Agremiações Esportivas, o Atlas Lajeadense F.C, fundado em 1915 e, anos depois, em 1934, fundaram a União F.C. Possuíam boas sedes, onde nos finais de semana, realizavam animados baile. Estes times eram tão conceituados junto a Comunidade local que se uniram em 1946, criando o atual Guaianases F.C. Em 1955 surgiu o Grêmio Botafogo F.C, que está em atividade até hoje. Além do futebol, existiam e ainda existe diversos times de bocha e muitos outros campeonatos de bocha.
Havia também Bandas de Músicas. A primeira existiu no período compreendido entre 1915 e 1926. A Segunda Corporação Musical Lira de São Benedito, foi fundada em 1933 e extinta em 1938. No entanto gosto musical não acabou, a maioria das escolas mantinham sua turma de Fanfarra – quem sofria eram os vizinhos das escolas. Eu morava perto da Rosanova e quando os alunos começavam os ensaios, todos sofríamos, mas é sempre bom ver os pequenos e grandes marchando no dia 3 de maio, no desfile do aniversário de nosso bairro. Neste dia, por milagre, eles acertam as notas e fazem uma belíssima apresentação.
Havia também uma estrada de ferro, de propriedade particular, que ligava a Estação Lajeado à Fazenda Santa Etelvina – a que ficava onde hoje é a Cidade Tiradentes. Esta estação foi instalada ali em 1908 para transportar lenha, tijolos, pedras, carvão e produtos agrícolas da região da Passagem Funda; existia também um bondinho, que corria nestes trilhos e era utilizado para o transporte de passageiros. As ruas centrais tinham, instalados, lampiões que eram acesos no início da noite e apagados pela manhã.
Guaianases também mandou um soldado para guerra. Na verdade o “Otelo Augusto Ribeiro” era um pracinha que morreu nas terras da Itália. Lembro-me que sempre me perguntava quem era a pessoa que dava nome a Rua da Biblioteca e descobri anos depois a história deste herói que tombou nos campos distantes de nosso país, de nossa cidade...
A primeira loja de móveis - Móveis São João – foi instalada em 1952. O seu João era uma figura conhecidíssima do bairro. Conversávamos com ele quando íamos a Biblioteca. A loja funcionou por diversas décadas no mesmo endereço.
Guaianases tem sua importância literária, por anos existiu o Espaço Cultural onde aconteciam saraus e encontros de jovens. Era um espaço improvisado que beirava a linha do trem e ali os jovens vivam seus momentos de cultura. Antes disto, morou no bairro a poetisa Francisca Júlia, mas já falei dela aqui na Revista Biografia em outra oportunidade. Com a presença dela no bairro, ele foi muito visitado por diversos escritores e poetas contemporâneos desta escritora maravilhosa, que foi esquecida devida da ignorância da maioria das pessoas que acreditavam que ela se suicidou e, também, pelo grande interesse em se manter a poesia como um marco de domínio masculino.
Temos em nossa história outras presenças marcantes e conflitantes. O senhor Jesus Teixeira da Costa e sua esposa são exemplos disso. Ele foi um grande defensor dos interesses do bairro e hoje dá nome há uma praça, ao Hospital Geral do bairro e que, por causa de seu nome, tem muitos admiradores e inimigos, mesmo já estando morto.
Outro grande líder e político de Guaianases foi Saturnino Pereira. Saturnino Pereira foi por anos o mais influente morador da região. Era um homem festeiro e realizava grandes celebrações, inclusive a Festa de Santa Cruz. Nestes dias apareciam pessoas de todos os lugares, algumas vinham a cavalo e acampavam pelo campo junto com seus animais, tudo para participarem desta festa. Havia, como em todas as festas de então, brinquedos de prenda onde as pessoas enfrentavam diversas dificuldades para conseguirem um presente qualquer. A mais famosa desta brincadeiras talvez seja o pau de sebo. Nas festas de Saturnino Pereira o pau de sebo era erguido e as pessoas participavam, animadas, destes folguedos. A festa durava três dias e três noites, tendo Saturnino como principal patrocinador. Ele matava bois de sua Fazenda e oferecia a todos. Era uma festa memorável. Outra festa que Saturnino patrocinava era o Natal. Na véspera ele distribuía, junto com sua família, roupas, sapatos e brinquedos para as crianças carentes da região.
Outro morador ilustre de Guaianases é o escritor e professor universitário José de Souza Martins, que ao longo de sua história jornalística tem publicado crônicas e fatos de nosso Bairro na Folha de São Paulo. Ele é um dos que contam como era de fato os festejos de Saturnino Pereira. Saturnino aproveitava seu prestígio político para conseguir trazer melhorias para o bairro, foi amigo do prefeito Pires do Rio e do governador Carlos de Campos. Como benfeitor do bairro, em 1927, pediu a Antônio José dos Santos que construísse, em seu próprio terreno, um prédio que seria usado como Grupo Escolar. Prédio este que foi alugado pelo governo para uso escolar, como era o projeto, tendo por diretor Arlindo Rodrigues de Oliveira.
Saturnino foi juiz de paz e até delegado de polícia e intermediou muitas conquistas que chegaram até nós, tais como a luz elétrica, a instalação de linha de ônibus e muitas outras benfeitorias.
Em 1950 ele cedeu outro pedaço de terra para a construção de mais uma escola. Foi construído ali uma escola de madeira, onde hoje tem uma escola de alvenaria que leva seu nome, ao lado da Estrada do Iguatemi.
Outro que teve negócios e família em Guaianases foi o empresário da construção civil Vicente Matheus Bathe, mas conhecido por ter sido presidente de um determinado time de futebol de São Paulo, do qual me nego até digitar o nome, como boa palmeirense que sou. Bem, dado sua personalidade divertida e suas tiradas originais e propositais. Todos sabem a quem me refiro e de qual time estou dizendo, acho que até na China, se é que algum chineses se dignam a perder tempo lendo meus textos...
Outra figura peculiar em Guaianases era o vendedor de quebra queixo. A vida inteira eu o vi com aquela bandeja na cabeça tocando seu tamborim e gritando ''Olha o quebra queixo''. Tive a honra de conversar com ele na época do Seminário Guaianases tem solução. Ele apoiou a realização deste Projeto e esteve presentes em todos os dias do evento. Deixando as ruas órfãs de seu delicioso doce enquanto acontecia este evento importante para nosso bairro.
A figura marcante em Guaianases é sem dúvida o Senhor Radiante. João Radiante viveu todos os seus anos em Guaianases e planejava escrever um livro sobre a imigração italiana e sua importância para a formação dos bairros de São Paulo. Ele faleceu em 2008 e não sei se realizou seu antigo sonho. Ele era o contador mais antigo do bairro e até hoje seu escritório de Contabilidade funciona em Goianases. Ele aposentou-se e passou a responsabilidade para um de seus sobrinhos. Ele também foi um dos criadores dos primeiros barzinhos do bairro, o qual deixou de administrar quando se tornou contador.
Uma das Lojas de Variedades mais antiga é o Bazar Xodó. Minha avó nos levava lá, quando éramos pequenos, para comprar desde cotonetes até presentes para noivas. Hoje a Loja é administrada pelos filhos dos antigos donos e tem de tudo, mesmo parecendo pequena. Por falar em Loja, havia uma livraria em Guaianases, era da família Zuppo, a Musical, comprei muita revista, disco e livros lá. Hoje ele tem uma Banca de Revista perto das Lojas Pernambucanas. O senhor Zuppo é uma pessoa agradável, muito educado e sorridente. Fiquei triste quando ele fechou a loja. Outro comércio que marcou época foi o restaurante Piu Bella. Foi a primeira pizzaria que conheci na vida e me divertia indo lá, se não para comer, para conversar com os amigos na Pracinha ali perto. A lanchonete mais antiga, sem dúvida, é a Pastelaria da Estação, levei anos namorando o dia que ia entrar lá e a primeira vez que lá fui, foi com minha amiga e irmã Ivete. Que pastel delicioso!
Guaianases era um bairro simples, com ruas arborizadas, jardins floridos e mulheres a conversar na calçada, hoje é um bairro como outro qualquer, com os mesmos problemas das grandes cidades e que mantêm aceso em si algo bucólico, como se tivesse, ainda, algo bom para acontecer.

Fontes:
Elisabeth Lorena  Alves - Alguém que não gosta de ficar parada, mas que estaciona frente a um bom livro e sonha com as palavras. Posta no Elisabeth Lorena Alves ( www.eliselorena.blogspot.com.br

4 comentários:

Anônimo disse...
Raquel Souza
‎Elisabeth Lorena Alves Pra mim é a Betinha!NOSSA AMEIIIIIII DEMAIS...Conhecer a história de GUAIANASES...MOREI MUITO TEMPO LÁ MAS NÃO CONHECIA A SUA HISTÓRIA!ENFIM É UM BAIRRO QUE EU AMO MUITOOO...POR MAIS QUE O PRECONCEITO SEJA GRANDE CONTRA OS QUE MORAM LÁ...SOMOS PESSOAS FELIZES, POIS É UM BAIRRO QUE CRESCEU MUITO HOJE! NÃO É MAIS PRECISO IR AO CENTRO PRA COMPRAR AS COISAS PODE TER A CERTEZA QUE VC ENCONTRA DE TUDO UM POUCO EM GUAIANASES....AMO ESTE BAIRRO.....
Elisabeth Lorena Alves disse...
Raquel querida
Lindo comentário Raquel Souza Amo nosso bairro querido e estou morrendo de saudades de nossas ruas e dos velhos conhecidos.
Anônimo disse...

Belo texto que me trouxe saudades de um tio muito querido,morava em S.miguel Paulista e nas suas conversas referia-se a vários lugares como Lageado,eu era bem pequena, mas me trouxe a memória suas histórias ricas e engraçadas.Mais uma vez parabéns por compartilhar!!!!!
Dora Rocha
Elisabeth Lorena Alves disse...
Dora Rocha realmente Guaianases e São miguel são bairros irmãos. Oficialmente São Miguel nasceu primeiro, mas nós os moradores sabemos que a caminho do mar, estes bairros surgiram todos na mesma época, eram bairros estalagens, onde os senhores e lordes de SP faziam troca de seus cavalos quando viajavam para Santos e região.
Obrigada pela leitura e comentário>
Gostei de saber que meu bairro povoa suas recordações infantis.

sexta-feira, janeiro 11, 2013

Eugenia Social em São Paulo



Eugenia Social na São Paulo de 1900...
Eugenia. Definição:  A história da eugenia, disciplina que “adquiriu um status científico e objetivou implantar um método de seleção humana baseado em premissas biológicas”(p.10) é colocada, pela autora, como um tema relevante para o historiador, se bem que desconfortável, porque  poderá contribuir a uma reflexão sobre a atitude, que percebe dominar no mundo contemporâneo, de valorização excessiva da beleza física, esta cada vez mais uniformizada, e da ideia de saúde, intimamente ligada à questão da boa aparência e da eficiência para o mercado.
Como todas as grandes cidades, São Paulo também cresceu muito nos final dos anos mil e oitocentos e início dos mil e novecentos. Este crescimento populacional foi de 20 vezes mais à população já existente e o crescimento foi resultado das mudanças iniciadas no final do século anterior e que afetaram o Brasil.
Com o fim da escravidão e a debandada dos negros que se deu rumo as cidades, começaram a existir todos os tipos de problemas comuns aos grandes centros, era o acúmulo de sujeiras, aumento das doenças, criação e expansão dos cortiços. As senhoras ricas e suas famílias tradicionais, reparavam na forma como os negros andavam nus da cintura pra cima e sem sapatos, por não possuírem estas peças.

Os brancos que se julgavam os verdadeiros donos do Brasil, não gostavam de dividir as ruas e calçadas com os mulatos e negros que andavam pela cidade e reclamavam com qualquer autoridade, fosse ela o delegado ou o prefeito. O clima não era o ideal para a boa convivência e as pessoas, de ambas as raças, não se sentiam seguras para circularem livremente e, muitos, evitavam até o contato verbal.
O sistema de trabalho era  o industrial e a maioria dos negros alforriados trabalhavam no que hoje denominamos mercado informal,  era o que conseguiam fazer para manterem suas vidas com o mínimo que conseguiam.
Vale lembrar que com o fim do trabalho escravo, os negros alforriados foram lançados nas ruas sem nenhum soldo ou direito trabalhista pelos anos de trabalhos forçados que tinham ''dado'' aos antigos senhores escravocratas. Os negros foram alforriados, mas não receberam com isto plenos poderes de cidadania. Na verdade foram abandonados à sua própria sorte, sem direito a saúde, segurança, habitação, trabalho digno e remunerado, sendo deixados para morrer a míngua, embora eles não tivessem este interesse.
Com o dinheiro novo entrando nas casas, as pessoas resolveram reformular o visual e a cidade, mas não apenas no aspecto físico, com transformações na arquitetura, e, sim, no aspecto humano, e a saída era a interiorização destes seres que incomodavam os ex-senhores de escravos e os ditos estudiosos e janotas.
O povo não aceitava partilhar rádio, bonde, iluminação elétrica, telefone e outras novidades com os ''invasores'',  vagabundos e malandros, fama dada aos trabalhadores negros de então.
O mais incrível de tudo isto é que com a modernização da época, com a necessidade de mais trabalhadores, a maioria dos industriários não pensaram em contratar os negros como empregados, apoiaram a migração europeia e assim São Paulo começou receber navios e mais navios de italianos – estes vieram em grande quantidade – e europeus. Na verdade esta solução era mais étnica que industrial, e o discurso da sociedade era sobre progresso e não sobre o descaso e discriminação. Bem, é sempre assim, os políticos quando discursam que algo é ruim para os menos favorecidos, que tal evento é necessário para o bem de todos, pensam no seu próprio bem.
No caso de São Paulo a intenção por trás do desejo da expansão industrial era o ''branqueamento'' da população paulistana e brasileira. Afirmavam que a cultura europeia era civilizada e que valia pena o ''investimento'' em pessoas de tão nobres conhecimentos. Isto lhes serviria, como pensavam, numa forma de superar a situação com os negros e que estes se extinguiriam com o passar dos tempos. Isto por acreditarem que os negros não sobreviveriam às dificuldades que se avizinhavam. E as dificuldades que se avizinhavam eram grandes, indo da falta de alimento, a saúde e educação. Viver em condições insalubres era arriscar a vida de forma direta, pois a água para beber e preparar o alimento,  era vizinha dos esgotos dos cortiços. As chamadas, hoje, viroses, enfraquecia a saúde da população negra e mestiça, matando alguns e contaminando outros, o que tornava os prognósticos fáceis de serem feitos e de se cumprirem.
Os nobres, que com o final do Império, não se importando qual regime estava no poder, agora estavam presos a cargos públicos, não aceitavam os paulistanos nativos, que eram em sua maioria de caipiras, mestiços e negros e não aceitavam estas pessoas como cidadãos brasileiros e os acusavam de serem os malfeitores da cidade. Assim como tornaram os indígenas em um problema social, agora transferiam, ou alargavam a linha para os escravos alforriados e seus descendentes.
Com a chegada dos italianos às indústrias, os trabalhos considerados degradantes foram deixados para os negros. Assim os negros tornaram-se responsáveis por limpeza de bueiros, coletas de lixo, carroceiros e outras atividades como estas. Aqueles que não conseguiam esta espécie de trabalho se contentavam com o trabalho de mascate. A fama da inépcia para o trabalho era comum a todos estes brasileiros natos. Considerados preguiçosos, não conseguiam emprego e assim acabavam, de fato, perdidos nas ruas, em trabalhos poucos recomendados e pessimamente remunerados.
A cultura dos negros, vinda do continente africano, mestiça, adquirida das misturas dos indígenas e caipiras, que já se miscigenavam com todos os fazeres que chegavam do interior do Estado, não eram sequer consideradas como arte, representações de cultura ou de lazer, assim sendo não era benquistas pela Sociedade que rejeitava estas pessoas com toda a força. Infelizmente, nos primeiros anos da República, esta população era excluída e até odiada e, claro, eram vistos como cidadãos de segunda classe.
Fora a segregação econômica, havia também a separação territorial. Onde moravam os italianos, não moravam os negros que  eram desprezados pelos europeus recém-chegados, todos influenciados pela a opinião dos governantes sobre os ''brasileiros  natos” e passaram a tratar estas pessoas com medo e desprezo.
Para resolver o problema importaram a solução da Europa também. Começaram a abrir as ruas e com isto destruíram os prédios antigos para ''desafogar'' os centros, soprando para longe a arquitetura antiga que dava a cidade paulista um ar provinciano tão odiado pelos brancos que ansiavam pelo progresso. Vale lembrar que este ar provinciano não incomodava os chamados não europeus e os quase não europeus, como afirmam os historiadores, estes corriam atrás de conseguir o pão de cada dia com sua labuta e pouco importava o que acontecia além de suas necessidades. Na verdade as pessoas ditas ''especiais'', não consideravam as demais exatamente por este motivo, a “falta de civilidade”.
Com esta situação gritante, deu-se início a eugenia social e territorial. Acreditando nos males que os ''inferiores'' poderiam causar aos de “alta linhagem”, trazendo as infecções e contágios próprios da ralé, os médicos e cientistas da época davam o embasamento científico necessário para esta política de limpeza étnica que tomava conta dos grandes centros. Os brancos acreditavam que não só os negros, mas todos os nãos europeus, por serem pobres e tão diferentes deles, poderiam causar problemas sociais e morais irreparáveis, o desvirtuamento da moralidade e dos bons costumes da sociedade.
Aos poucos os imigrantes tornaram-se um problema social tão ruim quanto os problemas iniciais que eram os negros, mestiços e caipiras. A cidade agora estava mais cheia de pessoas com interesses próprios e diferentes dos interesses dos governantes. Agora a pobreza, em si, era um problema de difícil solução, pois havia muitos “sanitaristas” envolvidos no processo de “limpeza da sociedade”, centralizada nas regiões do Vale do Anhangabaú, Largo do Rosário e bairros próximos, considerados pelos governantes, bairros marginalizados. Limitar os espaços coletivos era acatado como necessário e não era visto de forma maléfica.
Anos mais tarde os imigrantes, agora,  também, marginalizados, aceitavam viver e se relacionar com as outras pessoas marginalizadas: os negros, mestiços e caipiras. Mesmo havendo leis que proibiam a proliferação dos cortiços, estas casas amontoadas com um banheiro por andar ou por edifício, estas eram desrespeitadas e assim os cortiços aumentavam a olhos vistos.
E foi justamente a união destes povos que deram força as lutas dos povos, agora, com a influência dos italianos, as pessoas não eram desrespeitadas em sua vontade, pois conseguiram a ajuda dos europeus que vieram para o Brasil prestar serviço nas fábricas, e estes também estavam lutando contra o governo para não serem, elas próprias, deportadas.
Que fique claro, embora os imigrantes fossem vistos com desconfiança, eles ainda tinham algum respeito por parte dos brancos e governantes.
Foi durante estes anos que surgiu a obrigatoriedade da vacina, incentivada pelo sanitarista Osvaldo Cruz, mas esta é outra história.
Trocando em miúdos, a eugenia tão conhecida de nossa era, tão criticada quando foi aplicada pelos Estados Unidos da América e pelos Nazistas, é algo que sempre existiu, sendo que em alguns casos, como em São Paulo, esta pratica criminosa era considerada progressista e se referia mais precisamente à limpeza territorial. 

Elisabeth Lorena  Alves - Alguém que não gosta de ficar parada, mas que estaciona frente a um bom livro e sonha com as palavras. Posta no Elisabeth Lorena Alves -  www.eliselorena.blogspot.com.br e na Revista Biografia - www.sociedadedospoetasamigos.blogspot.com.br 
 .

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Em São Paulo já se ouviram muitos "olés"

 Em São Paulo  já se ouviram muitos "olés"


(…) São Paulo, sem preconceito de raça,
Sem preconceito de cor,
Povo simples, mas viril,
São Paulo, seu coração está batendo,
Ao mundo inteiro dizendo,
São Paulo, é o coração do Brasil...
(São Paulo, Coração do Brasil de David Nasser/Francisco Alves) 

Bem, nem era sobre isto que eu escreveria esta semana, mas a curiosidade de um amigo me fez pensar melhor neste assunto: Touradas.
Muitas pessoas não sabem, mas os gritos de "olé" e a alegria das arquibancadas das touradas tão comumente associadas à Espanha, já fizeram parte da vida de São Paulo. Existiam diversas apresentações e a elas eram bem populares, sendo acompanhadas por diversas famílias até.
Na verdade, no Largo dos Curros existia uma arena para este esporte. Sabe onde era esta arenas? Na Praça da República, no Centro da cidade, era esta praça que recebia os esportistas e seus torcedores. Esta história não é bem comum, mas é real e esta registrada em alguns livros.
A tourada surgiu no século XIII, tornando se popular mais popular em Portugal e na Espanha no século XVII. Aportou no Brasil no século XIX, como forma de lazer para a Coroa e os nobres de então. Afinal, a Família Real precisava de entretenimento enquanto vivia por estas terras!


Em São Paulo as touradas começaram acontecer em 1817 e era um espetáculo de improviso, assim acontecia nas praças, que depois voltava a ser usada pela população, quando desmontavam-se as armações das touradas. Mas ao tornar-se comum, viram a necessidade de criar um espaço e assim fizeram as arenas, que tinha espaços específicos para os diversos tipos de espectadores, contendo arquibancadas e camarotes.
 
O lugar escolhido para a construção da arena foi Praça das Milícias, que pertencia a José Arouche de Toledo Rondon, um marechal. Mas os espetáculos que aconteciam no Largo dos Curros era um tanto mambembe, já que consistia mais em um tipo de balé, onde peões imitavam os toureiros europeus. Só na década de 80 foi que aconteceu as primeiras touradas dentro dos padrões de Portugal e Espanha.
Dá para imaginar como se deram as coisas! Uma produção nos moldes internacionais patrocinadas por Antônio Aragon, um investidor espanhol, por certo abalou a Sociedade paulistana e até os peões que tinham desejo de ingressar neste esporte tão visado pelos nobres! Sabe-se que a inauguração das touradas, que segundo os historiadores iniciou-se fora da data prometida – coisas de São Paulo – foi um sucesso de público. O engenheiro responsável pela construção da arena – na verdade um anfiteatro de madeira – era Daniel Pedro Müller (1785-1841) , que era um marechal de campo. Na verdade, Daniel Pedro Müller era um engenheiro de destaque, por ser o último com formação militares e de nacionalidade portuguesa atuante em São Paulo. Assim, foi o responsável por estabelecer a ligação entre a tradição da engenharia lusitana e os engenheiros práticos brasileiros formados no Gabinete Topográfico, que era uma escola criada em 1836, por ele. Ele era formado na Real Escola dos Nobres de Lisboa e por isto era tão requisitado e respeitado. Por estes motivos foi escolhido para trabalhar junto ao Governo e foi responsável por diversas obras – inclusive esta, a arena do Largo dos Curros.

A arena mais famosa sem dúvida foi a do Largo dos Curros, mas foram criadas outras em Campo Belo, na Vila Mariana e na Rua Dona Antônia Queiroz, no Brás – que apesar de constar informações em livros éde total desconhecimento do público. Só que desde o início destas touradas havia um movimento contrário a elas, onde várias vozes se ouviam em críticas que foram aos poucos sendo ouvidas e o desejo pelo sangue, que era o que entusiasmava as pessoas, foi se arrefecendo e depois de quase 60 anos de touradas, as arenas foram fechadas na capital e cidades circunvizinhas e seguiram rumo ao interior e até outros Estados, que não tinham as mesmas preocupações humanitárias que se levantava em São Paulo.
Com o fim das touradas, tornou-se um espaço para treinamento de cocheiros e cavalos, afinal, era através destes animais que se fazia grande parte do transporte da cidade paulista.
A Praça da República – que recebeu este nome em 1889, com o advento da Proclamação da República – esteve sempre na crista da onde, sendo sempre vista como importante por tudo que já aconteceu ali. Nos anos 40, artistas plásticos e artesãos começaram expor seus trabalhos ali, criando um novo “point” artístico. Esta atividade diminuiu muito, mas não se extinguiu, pois até hoje existem expositores ali e é como Praça Artística que ela é reconhecida hoje.

A Praça da República

A Praça da República é na verdade um dos menores distritos de São Paulo, tendo aproximadamente 50 mil habitantes.
Conhecida hoje pela Feirinha de Domingo - que acontece também aos sábados -  onde há diversas apresentações de artistas musicais e até de circo, a Praça da República tem sua forma original inspirada nas construções europeias, tem um charme todo seu, que é apreciado não só pelos moradores de São Paulo, como pelos turistas nacionais e internacionais, que aparecem por lá para ver a vida acontecer. Com fontes e chafariz, com belas árvores antigas, é uma opção de passeio barata, onde pode-se comprar desde lembrancinhas a belos presentes e comer bem, ouvindo boa música.
As barracas de artesanato representam os estados do Nordeste e Norte. Mas não são só as artes nacionais que fazem sucesso, ali são representados, em artesanatos, os países vizinhos, como Peru, Argentina, além de outros continentes até, já que vende-se brincos, colares e outros objetos de diversas nações, criados em sua maioria por brasileiros e alguns 'hippies' remanescentes.

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Ler:
São Paulo e Outras Cidades, de Nestor Goulart Reis Filho e
Vida Cotidiana em São Paulo no século XIX, de Carlos Eugênio Marcondes de Moura.
Glossário
Curro = o local de confinamento de touros, antes e depois de corridas



quinta-feira, novembro 29, 2012

São Paulo, minha musa.[Elisabeth Lorena Alves]

Amigos, agora faço parte da Família Biografia. Meus textos, sobre São Paulo saem toda quinta-feira.
Espero contar com vocês lendo e comentando.
Hoje publico aqui meu primeiro texto que saiu na semana passada e que me fez muito feliz, pois diversas pessoas comentaram e pude interagir com cada uma delas.
Abraços...
São Paulo, minha musa.

 
Do lado Direito da rua Direita
Compositores:(Luiz Carlos / Chiquinho)
Originais do Samba

Do lado Direito da rua Direita
Olhando as vitrines coloridas eu a vi
mas quando quis me aproximar de ti não tive tempo
num movimento imenso na rua eu lhe perdi

Cada menina que passava
para o seu rosto eu olhava
e me enganava pensando que fosse você
e na rua direita eu voltarei pra lhe ver

Esta canção fala de algo muito comum em São Paulo, os desencontros que acontecem por causa do seu tamanho e das distâncias que existem entre as zonas e o centro, da dificuldade de encontrar alguém entre a multidão que povoam esta cidade. E fala da corrida diária e do amontoado de pessoas que passam pela Rua Direita, que é um marco de nossa Metrópole.
Cidade esta que já inspirou muitos poetas e compositores a escreverem textos e canções que eternizaram em versos, o coração de nosso Estado.
São Paulo é um mundo dentro de um Estado. Uma miscigenação total de povos e culturas, tem sua população formada por indígenas, europeus e nordestinos. Mas nas regiões afastadas, nas Zonas Leste e Sul, a população é de origem nordestina.
Culturalmente falando, o paulista desenvolveu uma mistura de costumes. Um paulista, filho de mineiro e nordestino, por exemplo, pode ter o costume de comer nhoque todos os dias 29 do mês, um costume tipicamente italiano, onde se coloca um dinheiro abaixo do prato, para se ter sorte – o “Gnocchi da Fortuna”.
Pizza e comida japonesa é bastante comum, inclusive as pessoas compram yakisoba até nos camelôs e em barraquinhas. Pizza é o alimento mais vendido na Capital paulista, sendo seguido de perto pelo segundo, o Sushi. Com cada povo fomos aprendendo agir e receber as pessoas, com os mineiros aprendemos a servir café para as pessoas queridas. Litros durante a visita, acompanhado de um bolo de milho. Ou bolo de fubá cremoso, calórico, mas delicioso! Na culinária, nas artes em geral e nas festas, as misturas formam uma cultura singular, que não pode ser vista em qualquer outro lugar. Mas muito do que existe no Estado de São Paulo pode ser encontrado em outros Estados e até cridos por muitos como de origem própria, no entanto foram costumes difundidos pelos bandeirantes. Mas isto é tema para outras conversas.
Nos forrós promovidos por emissoras de rádio das comunidades nordestinas, é possível encontrar todos os sotaques que fazem esta cidade. Na verdade, em todos os lugares encontramos todos os tipos de rostos, modo de falar e vestes, afinal algumas comunidades, como árabes, judeus e outros povos mantêm o hábito de cuidar da sua cultura e assim, vivem entre todos, sendo os iguais como seres humanos, mas diferentes em seus modos, porém vivendo de modo amigável entre si.
Claro que temos problemas, como todas as grandes cidades e, no momento, a Imprensa conta toda a violência que anda acontecendo ali. Mas São Paulo não é só violência, existem muitas histórias de superação, de anônimos que mudam vidas com suas atitudes. Histórias de amor, literatos desconhecidos dos demais brasileiros, mas que surgiram de lugares distantes e desconhecidos dentro do universo paulista. Artistas de rua que ganham a vida cantando nas esquinas e vendendo nas esquinas seus CDs e DVDs e alegrando a todos.
Os paulistas são vistos por alguns como preguiçosos, já os cariocas dizem que somos viciados em trabalho, os gaúchos se divertem com nossos modos comedidos e assim por diante, mas na verdade não importa como, somos todos seres paulistanos.
Particularmente acredito que o povo de São Paulo pegou para si o melhor de todos os povos. Aproveitou todas as culturas e formou seu modo de ser e agir, continuando festeiro e alegre, afinal, todos nós gostamos de estar com os outros, fazermos um ajuntamento perto de uma boa música, sempre a gosto do freguês.
Bem, na verdade São Paulo é a maior cidade libanesa no mundo, japonesa fora do Japão, portuguesa fora de Portugal e italiana fora da Itália. Além de ter muitos outros povos vindos de vários outros países, hoje por motivos diferentes que a guerra ou a colonização,
Reparo que em outros Estados de nossa Federação, as pessoas curtem um tipo de música apenas, já os paulistas e paulistanos ouvem do clássico ao internacional, curtem samba e pagode, música sertaneja e rock, tudo em uma turma só, em uma festa só.
Lembro-me de um cantor que fez uma brincadeira boba anos atrás, definindo o motivo pelo qual uma espingarda tinha dois canos. Ele disse – e espalhou-se em solo Nacional – que era para matar dupla sertaneja, o povo de São Paulo ficou com muita raiva dele e hoje percebo que se fosse nesta nossa época em que as redes sociais podem levantar uma celebridade ou destruí-la, ele sairia desta bastante marcado. O povo de São Paulo tem um coração gigante que acolhe a todos, sejam eles brasileiros ou estrangeiros, uma vez forasteiro, entre nós, é acolhido com carinho.
Existem várias curiosidades sobre nosso estado e algo que algumas famílias ainda guardam, mesmo neste nosso século de modernidade, é o hábito de certas visitas não entrarem nas casas sem a presença dos homens da casa. E muitos de nós ainda responde “oh de fora” quando alguém chama na porta e diz “oh de casa”.
Sabia que em São Paulo tinha touradas? Pois é! Aconteciam na Praça da República.
Álvares Azevedo, escritor paulista acreditava que nossa cidade era sem movimento e a comparou a um cemitério. E ele disse isto quando as famílias faziam reuniões específicas para que todos se divertissem com as noites de valsa e vinho. Era costume também fazer apostas de cavalos e o Clube era frequentado só por homens. As damas costumavam ir apenas a missa e o namoro era feito em caminhadas contrárias, pelas praças. O homem seguia pelas praças no sentido horário e as mulheres no sentido anti-horário, ambos olhando-se com interesse. Muito diferente das relações modernas onde não é necessário a mulher esperar o homem paquerar ela, sendo que se ela estiver interessada pode se dirigir direto a ele e “xavecar”- uma de nossas palavras comuns.
Bom, por hoje é só “Sangue bom” e se te interessar conhecer nosso povo querido “cola aqui” que ''é da hora''.
Elisabeth Lorena  Alves - Alguém que não gosta de ficar parada, mas que estaciona frente a um bom livro e sonha com as palavras. Posta no Elisabeth Lorena Alves ( www.eliselorena.blogspot.com.br)e no Ser Cristão (http://www.sc-sercristao.blogspot.com.br)

quarta-feira, novembro 14, 2012

Revista Biografia - Leia mais

A Revista Biografia lança Jane Eyre Uchôa como uma de suas articulistas, com o texto maravilhoso sobre Manaus e fala sobre como o resto do país e principalmente o Sudeste, tem uma visão distorcida sobre esta linda cidade do Norte, capital grandiosa do Estado do Amazonas.
O texto dela esta maravilhoso. Indico a todos os amigos que seguem e visita este meu espaço.
Só que não é só de texto de minha amiga que sobrevive a Revista Biografia. Lá você encontra diversos textos maravilhosos, de diversos autores.
   
Li um delicioso de Manoel Magalhães que fala sobre Jóias da Literatura, mas não fala sobre os grandes nomes da Arte Literária, cita na verdade um Estilista de Jóias - Jeremy May que cria peças usando como matéria prima livros. Detalhe: Os portas jóias são os próprio livros que doaram suas partes para a criação das peças. Amei.
Na verdade por serem um trabalho manual, é difícil repetir a peça, assim, quem adquire uma destas jóias acaba possuindo um exemplarexclusivo.
São maravilhosas, como as das fotos deste meu texto, mas visitem lá e deixem seus comentários.
Como eu fiz. Só que eu não usaria uma destas... Sofro em saber que um livro foi destruído para que elas viessem existir...
Veja se não são lindas!

Tem um texto - Livro cúmplice  de Nei Duclós - delicioso também sobre Leitura e Livros, no qual fiz o seguinte comentário:
Amo ler.
Aprendi vendo minha primeira mãe adotiva que passado seus 70 anos, interessou-se pela Língua Portuguesa e entrou em uma Escola de Adultos que tinha na Igreja União Pentecostal lá nos cantões de Guaianases, o bairro onde nasci.
Aquela senhora, de cabelos prateados, lia incansavelmente seu caderno de brochura e para que eu "aprendesse" ela colocava em minhas mãos infantis, um exemplar de Dom Casmurro, que eu lia de ponta cabea mesmo.
De fato, quando lemos descobrimos coisas maravilhosas sobre nós mesmos e sobre nosso país. Foi lendo ainda meninota que aprendi que no Brasil já houve duas línguas pátrias (Tupi Guarani e Português). Sendo que o Português era usado apenas na comunicação oficial, nos salões de baile e entre os europeus que aqui viviam.
Amo ler, pois através da Leitura podemos ampliar nossos horizontes e confrontar nossas próprias crenças.
Amei ler este texto... 

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