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quinta-feira, abril 15, 2021

Novidades: Em breve teremos a Resenha do livro "Moleque de Fábrica", do professor e sociólogo José de Souza Martins



 Ontem, enfim, o MSN/Hotmail/Outlook me deram de novo a minha antiga conta. Resgatei correspondências que me interessam e entre elas, o contato com o professor e sociólogo José de Souza Martins. Ele já figurou aqui trazendo dados sobre a cidadã ilustre de Guaianases, escritora Francisca Júlia. Quem segue a mais tempo, sabe bem disso. E os mais íntimos sabem de meu problema como MSN também. Assim, vou ler o livro, resenhar e até postar pontos de destaque por aqui. E espero que vocês curtam
Depois me despedirei de vocês...

Agora, transcrevo nosso último contato:

"Prezada Elisabeth,

Agradeço-lhe a resposta a minha mensagem de dez anos atrás. Como dizem, antes tarde do que nunca.

Reitero a consulta que lhe fiz naquela ocasião. Se você tiver interesse em ler meu livro autobiográfico, "Moleque de Fábrica"  e, eventualmente, divulgá-lo em seu blog, peço-lhe que me mande seu endereço postal completo. Pedirei ao meu editor que lhe mande um exemplar do livro.

Em vários capítulos do livro, trato de aspectos de minha vida em Guaianases. Eu morava numa casa de pau a pique num pequeno sítio no que ainda era a Fazenda Santa Etelvina. Tinha que caminhar, descalço, 16 quilômetros por dia, para ir e voltar ao Grupo Escolar "Pedro Taques", na rua da Estação, escola em que terminei o curso primário em 1949. Fui aluno do professor Cosme Deodato Tadeu, que é hoje nome de rua na localidade. Localidade que era um povoado de meia dúzia de ruas.


O sítio em que m orávamos era encravado na Mata Atlântica, tinha onça, cobra, ouriço veado, lagarto, tamanduá. Comíamos alguns desses animais. Era o que tínhamos. No livro, narro episódios relativos a costumes que eram remanescentes do tempo da escravidão. 


Talvez o s jovens da região se interessem pelo livro. (...)

Fique bem."

Professor José de Souza Martins



                                             *************************

Viram só a vergonha que esse troca troca de senha que o outlook nos faz fazer para manter a conta segura faz a gente passar?
Ainda bem que sou corajosa e escrevi retomando o contato.
Agora me vou.
Beijos em vocês todos

quarta-feira, janeiro 11, 2012

José Olimpio Silveira Moraes

Nem sei porque resolvi escrever sobre política hoje. Ainda mais a de São Paulo que neste instante me é algo simplesmente distante. Mas desde que comecei expor minhas opiniões, tenho falado algo sobre Guaianases, o bairro onde vivi parte de minha vida e tenho colocado aqui vários der meus pensamentos sobre minha vivência ali.
Hoje vou falar sobre José Olímpio Silveira Moraes - chamado hoje de Missionário José Olímpio apenas, mas existem poucas informações na internet sobre sua pessoa.
Na verdade o conheci quando tinha ainda um pensamento mais juvenil sobre a vida, mas a coisa que mais me lembra ele é uma campanha suja feita por integrantes do Partido Inominável  junto de um jornal que classificou alguns vereadores como de comportamento vergonhoso.
Lembro-me bem do nome da tal campanha - Eu Tenho Vergonha dos Vereadores de São Paulo -  as fotos dos vereadores eram colocados em fotos de um só tamanho e dava-nos a impressão daquelas fotos de jornais antigos, tipo Os Procurados.
Na verdade alguns vereadores que circulavam ali era até inocentes. Afinal descência, responsabilidade e honradez não dá IBOPE, mas a corrupoção sim. Certo é que dos que figuravam naquela lista, tive o prazer de conhecer e trabalhar com dois, José Olímpio e Celso Cardoso, ambos honestos.
Trabalhei com política por muito tempo para reconhecer alguém que se mantinha preso à moral e bons costumes. E estes dois agiam de forma correta, mesmo vivendo entre pessoas nem tão limpas assim.

Como Sub-Prefeito de Guaianases
José Olímpio foi um dos Sub-prefeitos - na verdade administrador de Guaianases. Foi em sua época, com o auxílio de várias figuras locais, de autoridades e Secretários, que realizou o Seminário Guaianases tem Solução -  período de 1997 a 1998. Com o apoio incondicional dos CONSEG`s (Guaianases e Lajeado) conseguiram detectar os maiores problemas do bairro e temos visto até hoje os resultados se alstrando pelo bairro.Nesta época a presidente do CONSEG-Guaianases era a Dona Ruth Karbstein.
Nas enchentes e chuvas tão peculiares da Periferia Paulista, estava junto com a população
 atendendo e encaminhando através de grupos de apoio que formou dentro da própria Sub-Prefeitura, para que sues probleas fossem amnizados ou solucionados.
Claro que por causa das muitas confusões decorrentes das investigações que corriam soltas no Ministérios Público e nas famosas e inúteis CPI's Paulistas, os administradores públicos e vereadores passavam mais tempo recebendo jornalista que trabalhando, mas seu José não deixava sua equipoe perder o pique e o foco.
Lembro-me de um fato ridículo que aconteceu na época. Uma jornalista invadiu a sala do seu assessor - Antonio Carlos Lenzi - com um daqueles microfones minúsculos e encheu o jovem de perguntas espalhafatosas, para fazer com que ele falasse as verdades sobre a adminstração Municipal e o Prefeito, que na época era o senhor Pitta.
Foi parar no pretenso Jornal que todos assistem. Acho que foi nesta época que parei de assistir o Jornal Nacional. Sempre soube que a Imprensa manipula a opnião pública, mas ser testemunha ocular do fato é muito triste.
Bem, tirando estes problemas, tivemos uma adinstração justa e  limpa.
E tive um chefe justo também.





Bibliografia
José Olímpio
O Vereador Missionário José Olímpio, nasceu em Itu no dia 11 de dezembro de 1956, recebendo o nome de José Olímpio Silveira Moraes. É bacharel em Direito e trabalha como empresário.

Sua carreira política na cidade de Itu inicia-se no Legislativo daquela cidade no ano de 1983 e vai até 1996. Neste ano torna-se suplente da casa Legislativa paulistana pelo Partido Progessista do Brasil (PPB, atual PP) e assume o mandato de Vereador em 1999 cargo que ocupa até 2000, na vaga de Hanna Garib.

Após uma vasta experiência no interior, o iniciante político em São Paulo concorreu ao cargo de Vereador nas eleições de 2000 pelo PMDB e se elegeu para integrar nossa casa Legislativa durante o mandato de 2001 até 2004. Pelo mesmo PMDB candidatou-se à deputado Estadual em 2006, no entanto, sem obter êxito, retornou ao seu partido de origem, agora sem a letra "B", o PP.

Nas últimas eleições consagra-se mais uma vez Vereador de São Paulo, recebendo 35.549 votos. Teve experiência na administração da sub-prefeitura de Guaianazes, e é membro, como o próprio nome de legenda denúncia, de Igreja Evangélica, in casu, a Igreja Mundial do Poder de Deus.

domingo, março 06, 2011

Francisca Júlia - Paisagem


Paisagem

Dorme sob o silêncio o parque. Com descanso,
Aos haustos, aspirando o finíssimo extrato
Que evapora a verdura e que deleita o olfato,
Pelas alas sem fim da árvores avanço.

Ao fundo do pomar, entre folhas, abstrato
Em cismas, tristemente, um alvíssimo ganso
Escorrega de manso, escorrega de manso
Pelo claro cristal do límpido regato.

Nenhuma ave sequer, sobre a macia alfombra,
Pousa. Tudo deserto. Aos poucos escurece
A campina, a rechã sob a noturna sombra.

E enquanto o ganso vai, abstrato em cismas, pelas
Selvas a dentro entrando, a noite desce, desce...
E espalham-se no céu camandulas de estrelas...
Francisca Júlia 
Poema de uma antiga moradora de meu bairro - A Mulher do Telegrafista 
http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=2267

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Literatura Feminina e Guaianases - A Mulher do Telegrafista


O texto abaixo é de José de Souza Martins.
Foi postado anteriormente na Folha de São Paulo. E trata de uma moradora antiga de Guaianases. Entra nessa postagem a ideia de mostrar as Mulheres da Literatura que foram esquecida com o tempo e nunca são citadas em livros didáticos.
Francisca Júlia, além de poetisa, ligada ao Simbolismo e Parnasianismo, foi a percursora da Literatura Infantil Brasileira, Sua influência didática foi muito importante para a formação literária básica de muitos jovens do Ensino Público e Privado. Por isso só ela já não poderia ser esquecida, porém, com o tempo seu nome foi caindo no ostracismo.
Em uma reunião acadêmica ao ser citada, algumas pessoas começaram discutir que sobre sua vida pessoal e sua morte e que por essa ter acontecido no mesmo dia que a de seu marido, mostrava a sua fraqueza de espírito. Isso em um ambiente de estudo da Empatia e Sororidade. Sua Depressão advinda do fato de viver com um homem doente - tuberculoso, não foi sequer levada em consideração. E, pior, esse não deveria ser um motivo para o afastamento de seu nome das discussões da importância feminina.
Sem vaidades intelectual, Francisca Júlia negou-se a entrar para a Academia de Letras. O fato da não aceitação não elimina sua conquista. 
Ainda falaremos dela por aqui...
Abraços e fique com essa bela escrita do Professor José de Souza Martins.


Publicado em O Estado de S. Paulo [Caderno Metrópole],
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011, p. C6.


A mulher do telegrafista



                                                       Victor Brecheret, “Musa impassível”

Em 1909, Francisca Júlia da Silva, com 38 anos, nascida em Xiririca, hoje Eldorado Paulista, casou-se na capela do Lajeado com Filadelfo Edmundo Munster, telegrafista da Estrada de Ferro Central do Brasil. Lajeado era o que veio a ser Guaianases, um lugarejo que devia o nome à imensa pedreira de onde era retirada a brita para forrar os dormentes da ferrovia. Francisca Júlia fora para o Lajeado quando sua mãe, professora primária, em outubro de 1908, recebeu transferência de Cabreúva para lá. Foi padrinho da noiva o poeta Vicente de Carvalho. Noiva que em Cabreúva fora professora de piano e que tivera como aluno Erotides de Campos, então com 10 anos de idade. Ele viria a ser o prodigioso autor de composições como a lindíssima “Ave Maria”. Da desilusão de um frustrado noivado em Cabreúva, Francisca Júlia carregou até quase o fim da vida o alcoolismo.
Pouco tempo antes do casamento com o telegrafista, Francisca Júlia fora convidada a ingressar na Academia Paulista de Letras, que se formava. Recusou. Alguns anos depois, seria homenageada com um busto na Academia Brasileira de Letras. Quem era, afinal, a mulher do telegrafista do Lajeado? Francisca Júlia era a maior poetisa do parnasianismo brasileiro, reconhecida e aplaudida por escritores como Olavo Bilac. Publicara seus primeiros poemas em jornais de S. Paulo. Em diferentes momentos recolheu-se à vida doméstica, coisa que fez também depois do casamento. Era uma mulher bonita, de viso triste, reflexiva. Sua poesia é densa de competência linguística. Trabalhava com maestria a língua portuguesa. Em seus versos é claro o empenho em fazer de nossa língua instrumento de elaborada criação estética.
Com a descoberta, em 1916, de que o marido estava tuberculoso, tornou-se depressiva e mística. Filadelfo morreu em 31 de outubro de 1920. Após o enterro, Francisca Júlia tomou uma overdose de narcóticos e morreu na manhã do dia seguinte. Seria sepultada no Cemitério do Araçá, no dia de finados. Ao seu funeral compareceu a fina flor da intelectualidade como Guilherme de Almeida, Paulo Setúbal, Mário de Andrade (que criticara sua poesia), Oswald de Andrade, Di Cavalcanti...
São os intelectuais de São Paulo que decidem propor ao governo do Estado a feitura do túmulo da poetisa, o que tramita no legislativo por iniciativa do senador estadual Freitas Vale, da famosa Vila Kyrial, na Rua Domingos de Morais, lugar de encontro de artistas e escritores. Victor Brecheret esculpe para o túmulo, em mármore de Carrara, a bela “Musa impassível”, título de um poema de Francisca Júlia. A obra está hoje na Pinacoteca do Estado, restaurada. Uma réplica em bronze substitui-a no túmulo do Araçá, como a murmurar: “Em teus olhos não quero a lágrima; não quero
em tua boca o suave e idílico descante”.
Professor Emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e ciências Humanas
 da Universidade de São Paulo

Voltando...
2020




Deixo aqui um Poema dessa grandiosa figura literária....



Supremo


Os teus olhares feitos de carinho,
De Extrema-Uncção, de mysticos luares,
Têm na expressão, ó santa dos Altares,
A velludosa maciez do arminho.


E no doce brilhar – áureo caminho –
A profundeza intérmina dos mares…
Têm na expressão, ó Santa, os teus olhares
A velludosa maciez do arminho.


São puros como as Hóstias dos Sacrários,
têm o brilho divino de Stellarios,
quando me fitam numa uncção extrema.


São rútilos santelmos guiadores,
são as dhulias lithurgicas das dores,
da minha Crença immácula e suprema!


Fonte: Internet Biblioteca Digital




sábado, fevereiro 05, 2011

Guaianases - História de um ilustre ex-morador do Bairro

Publicado em O Estado de S. Paulo
[Caderno Metrópole],
2ª feira, 15 de fevereiro de 2010, p. C10.

O último bocado de içá

J.S. Martins (2009)





Naquele 1948 em que fui matriculado no Grupo Escolar Pedro Taques, Guaianases era um povoado ao lado da estação ferroviária, as ruas iluminadas à noite por lampiões de querosene. No largo da estação terminava a estrada de terra que vinha da Fazenda Santa Etelvina. Era o meu caminho, 16 quilômetros batidos a pé, entre a ida e a volta, entre o casebre da roça e a sala de aula lotada, 3 alunos por carteira.
Éramos um bando de meninos e meninas que moravam para os mesmos lados. De pé no chão, nas manhãs de inverno os pés doíam muito. No caminho da roça, já no sol quente do meio dia, íamos ficando pelos sítios e chácaras. Eu era o último. Chegava faminto em casa, para o invariável prato morno de arroz, feijão e repolho. Quando li Os Parceiros do Rio Bonito, de Antonio Candido, entendi perfeitamente a referência àquela insaciável fome de carne tão característica do mundo caipira. Era a fome que eu sentia. Meu padrasto, quando tinha essa fome, pegava a espingarda e saía para caçar. Voltava com um tatu, um filhote de veado, alguma ave. Sinal de que a coisa piorava foi no dia em que caçou um ouriço, bicho feio. Foi duro comer aquilo, a carne dura, escura e mal cheirosa. Mas fome é fome.
Um belo dia houve a revoada da içá, a fêmea da saúva, prenhe de ovos, que em minutos abre um buraco no chão e nele se afunda para estabelecer um novo formigueiro. Era preciso correr com a panela numa das mãos e um graveto na outra para separar-lhe o abdômen gorducho, antes que sumisse na terra. E correr de um lado para outro, para catar o maior número delas. Deram uma panelada de içá torrada, que meu padrasto, um mameluco, caipira de verdade, comeu com voracidade, com uma fome que eu nunca vira, fome ancestral, fome do índio que nele havia do tempo do deslocamento paulista na direção dos sertões de Minas. Ofereceu um pouco da iguaria a meu irmão e a mim, esperando que não aceitássemos. Aquele foi o meu limite na carência alimentar.
Curioso: ao mesmo tempo em que ali se prezava aquela raridade culinária, havia uma guerra contra a saúva, que voraz, e com fome parecida, comia as plantas cultivadas com suado trabalho. De vez em quando era chamado o batalhão dos mata-formigas da Prefeitura de São Paulo, que chegava lá na roça para acabar com os formigueiros. Era um mundaréu de gente, munida de foles, na ponta dos quais havia um pequeno tambor de ferro em que punham brasas e sobre as brasas enxofre para colorir a fumaça e arsênico. Com o fole sopravam a fumaça amarela para dentro dos buracos. Alguns ficavam de olho para ver onde a fumaça ia sair. E tapavam cada saída. Saturavam os formigueiros com a fumaça letal. O requintado prato indígena estava condenado no que ainda não era a degradada periferia urbana de São Paulo.
* Do autor, sobre São Paulo: Subúrbio, Editora Hucitec/Editora da Unesp, São Paulo, 2002; A Sociabilidade do Homem Simples, Editora Contexto, São Paulo, 2008; A Aparição do Demônio na Fábrica, Editora 34, São Paulo, 2008; "A peleja da vida cotidiana em nosso imaginário onírico", in José de Souza Martins (org.), (Des)figurações - A vida cotidiana no imaginário onírico da metrópole, Editora Hucitec, São Paulo, 1996; “O decoro nos ritos de interação na área metropolitana de São Paulo”, in José de Souza Martins (org.), Vergonha e Decoro na Vida Cotidiana da Metrópole, Editora Hucitec, São Paulo, 1999; “O migrante brasileiro na São Paulo estrangeira”, in Paula Porta (org.), História da Cidade de São Paulo, 3 volumes (Volume 3: A cidade na primeira metade do século XX), Paz e Terra, São Paulo, 2004, p. 153-213; “O nascimento da vida cotidiana paulistana”, in Rubens Fernandes Junior (ed.), Aurélio Becherini, Cosac Naify, São Paulo, 2009, p. 43-83; A Escravidão em São Caetano (1598-1871), Coedição da Associação Cultural Recreativa e Esportiva Luís Gama, do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de São Caetano do Sul e do CEDI - Centro Ecumênico de Documentação e Informação, São Caetano do Sul (SP), 1988; A Escravidão em São Bernardo, na Colônia e no Império, Coedição da Pastoral do Negro - Quilombo Regional do ABC e do CEDI - Centro Ecumênico de Documentação e Informação, São Bernardo do Campo (SP), 1988; História e Arte no Cemitério da Consolação, Secretaria da Cultura/Prefeitura de São Paulo, São Paulo, 2008; “1924, o silêncio”, in Mais! (Folha de S. Paulo), 11 de julho de 2004, p. 4-6.


Eu:
Acredite que até hoje Guaianases tem um batalhão de formigas?
Lembro-me qu quando meu paivô era vivo, eu menina nova, íamos com fornicida picapau andando pela Pedro Batista, Santa Cruz, sei lá mais quais ruas atrás do ninho das formigas.Às vezes a gente ía para na Vila Buenos Aires.
As formigas adoravam destruir as plantações de milho e feijão de cerca que o paivô plantava.
Existe uma crendice popular que diz que quando formiga invade a casa é por que vai haver mudança.
Em alguns lugares de Guaianases pode até haver a tal mudança, mais serãoa s formigas qu e um dia levarão as casas nas costas.
ELisabeth Lorena Alves

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

E. F. do Norte (1875-1889)
E. F. Central do Brasil (1889-1975)
RFFSA (1975-1994)
CPTM (1994-2000)
GUAIANAZES
(antiga LAGEADO e CARVALHO ARAÚJO)
Município de São Paulo, SP
Ramal de São Paulo - km 474,994 SP-0167
x Inauguração: 06.11.1875
Uso atual: restaurante com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1982
HISTORICO DA LINHA: Em 1869, foi constituída por fazendeiros do Vale do Paraíba a E. F. do Norte (ou E. F. São Paulo-Rio), que abriu o primeiro trecho, saindo da linha da SPR no Brás, em São Paulo, e chegando até a Penha. Em 12/05/1877, chegou a Cachoeira (Paulista), onde, com bitola métrica, encontrou-se com a E. F. Dom Pedro II, que vinha do Rio de Janeiro e pertencia ao Governo Imperial, constituída em 1855 e com o ramal, que saía do tronco em Barra do Piraí, Província do Rio, atingindo Cachoeira no terminal navegável dois anos antes e com bitola larga (1,60m). A inauguração oficial do encontro entre as duas ferrovias se deu em 8/7/1877, com festas. As cidades da linha se desenvolveram, e as que eram prósperas e ficaram fora dela viraram as "Cidades Mortas"... O custo da baldeação em Cachoeira era alto, onerando os fretes e foi uma das causas da decadência da produção de café no Vale do Paraíba. Em 1889, com a queda do Império, a E. F. D. Pedro II passou a se chamar E. F. Central do Brasil, que, em 1896, incorporou a já falida E. F. do Norte, com o propósito de alargar a bitola e unificar as 2 linhas. O primeiro trecho ficou pronto em 1901 (Cachoeira-Taubaté) e o trecho todo em 1908. Em 1957 a Central foi incorporada pela RFFSA. O trecho entre Mogi e São José dos Campos foi abandonado no fim dos anos 1980, pois a construção da variante do Parateí, mais ao norte, foi aos poucos provando ser mais eficiente. Em 31 de outubro de 1998, o transporte de passageiros entre o Rio e São Paulo foi desativado, com o fim do Trem de Prata, mesmo ano em que a MRS passou a ser a concessionária da linha. O transporte de subúrbios, existente desde 1914 no ramal, continua hoje entre o Brás e Estudantes, em Mogi e no trecho D. Pedro II-Japeri, no RJ.
A ESTAÇÃO: Aberta em 1875, como Lageado, pela E. F. do Norte. Nos anos 1930, o nome foi alterado para Carvalho de Araújo, homenageando um diretor da Central, João Carvalho de Araújo. (Nota: outra estação foi aberta com o nome de Lageado, em 1998, portanto mais de cem anos depois, pela CPTM, por causa do bairro, e mudou também logo depois, para Gianetti). O nome de Carvalho de Araújo teria sido alterado para Guaianazes em novembro de 1943. Há relatos sobre três linhas que saíam da estação em tempos remotos: uma delas, particular, tinha bondes e seguia até a localidade de Santa Etelvina (hoje região muito pobre - a Cidade Tiradentes). Era conhecida como bondinho da Passagem Funda, e, segundo Wanderley Duck, ele teria funcionado entre os anos de 1919 e 1945, embora outras fontes dêem o período como sendo entre 1908 a 1937 (embora mapas posteriores ainda mostrassem os seus trilhos). O historiador José de Souza Martins lembra-se da estação em 1948: "Naquele 1948 em que fui matriculado no Grupo Escolar Pedro Taques, Guaianases era um povoado ao lado da estação ferroviária, as ruas iluminadas à noite por lampiões de querosene. No largo da estação terminava a estrada de terra que vinha da Fazenda Santa Etelvina. Era o meu caminho, 16 quilômetros batidos a pé, entre a ida e a volta, entre o casebre da roça e a sala de aula lotada, três alunos por carteira. (...) De vez em quando era chamado o batalhão dos mata-formigas da Prefeitura de São Paulo, que chegava lá na roça para acabar com os formigueiros. (...) O requintado prato indígena estava condenado no que ainda não era a degradada periferia urbana de São Paulo". (José de Souza Martins: O último bocado de içá, O Estado de S. Paulo, 15/2/2010). Martins já não fala sobre o bonde, que aparentemente já não existia mesmo nessa época. O outro ramal parece ter pertencido à Central e levava para uma pedreira (ver abaixo). O terceiro foi um tal de "rabicho da
"O ramal da Pedreira (em azul, no mapa à direita) tinha bitola de 1,60 m e via singela não eletrificada. Para quem vinha da Roosevelt, ele partia da linha tronco num desvio à direita, pouco antes da estação e seguia paralelo ao ribeirão Guaratiba por algumas centenas de metros e depois chegava à Pedreira São Mateus, de propriedade da família do ex-presidente do Corinthians Vicente Mateus. Era usado para o transporte de pedra britada. De onde eu morava, no Jardim Helena, nada a ver com o que é servido pela Variante de Poá, era possível avistar um bom trecho da linha, que cruzava a Estrada Itaquera-Guaianases em uma passagem de nível sem cancela. Quando mudei de lá, em 1967, o ramal já era pouco usado e no início dos anos 1970 não havia mais nenhum vestígio dele: trilhos e dormentes tinham sumido. Hoje há ruas asfaltadas em alguns trechos do antigo leito; o resto virou mato" (Luiz Garcia Bertotti, janeiro de 2009). À direita, no mapa da Sara Brasil de 1930, a linha vermelha era o bonde de Santa Etelvina; a azul, o ramal da Pedreira; a amarela, um suposto bonde para o cemitério do Lageado, que nem se sabe se realmente existiu ou se ficou no projeto. Quando ao desvio para lavagem de gado, não se conseguiu traçar a linha da época.
Sara Brasil, 1930
Central", que era uma espécie de pequeno desvio onde os trens de gado entravam para a inspeção sanitária dos animais e para a higienização dos vagões. Este serviço, depois da desativação do ramal, passou a ser feito no ramal da Penha (ver estação da Penha-EFCB), depois que este foi desativado para passageiros. O problema é saber as datas exatas em que estes três ramais estiveram ativos. Em 28/10/1982, um novo prédio foi entregue para a estação, com festas e a presença do ministro dos Transportes, Cloraldino Severo. Ela substituía o prédio anterior, construído em 1925. Finalmente, com a entrada em funcionamento do trem expresso da CPTM, em 28/05/2000, a estação de 18 anos foi desativada. Alguns metros antes, construiu-se a estação de Guaianazes-nova e a velha foi desativada no mesmo dia. Da estação só sobrou a passagem das vias férreas pela gare norte. Hoje, o mesanino da estação está sendo usado como restaurante popular "Bom Prato" do Governo do Estado. Após a duplicação da Av. Salvador Gianetti, executada pelo Metrô, ele utilizou a gare sul, para inserir a nova pista da referida avenida. (VEJA TAMBÉM RAMAL DA PEDREIRA VICENTE MATEUS) (VEJA TAMBÉM GUAIANAZES-NOVA)
(Fontes: Ralph Giesbrecht, pesquisa local; Wanderley Duck, 2005; Christopher R., 2003; Luiz Garcia Bertotti, 2009; Coaraci Camargo, 2002; J. Cardoso; José de Souza Martins: O último bocado de içá, O Estado de S. Paulo, 2010; Max Vasconcellos: Vias Brasileiras de Communicação, 1928; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)

Estação de Guaianazes, c. 1983. Foto J. Cardoso

Estação de Guaianazes, um dia após a desativação (28/05/2000). Foto Ralph M. Giesbrecht

Estação de Guaianazes, um dia após a desativação (28/05/2000). Foto Ralph M. Giesbrecht

A antiga gare sul foi "comida" pela segunda pista da avenida Salvador Gianetti. Foto Coaraci Camargo em 2004

A estação vista da gare norte onde ainda passam os trtilhos da CPTM. A parada só em Guaianazes-nova. Foto Coaraci Camargo em 2004
 Eu:Esta história de ramais da Estação Guaiannases é de fato verdadeira. Meus avós sempre falavam disto e tenho uma lembrança nítida de ter sido levada às pedreiras para ver o caminho das linhas ramais. Hoje é são pouco os moradores antigos que podem conatr histórias de nosso bairro, mas é algo lindo de se imaginar. .

quinta-feira, setembro 18, 2008

Guaianases velho de guerra...





História de Guaianases


A formação do bairro de Guaianases, em breve relato, iniciou-se com o aldeamento dos Índios Ururaí em São Miguel Paulista e Guarulhos, com a data passada em 12 de outubro de 1580, por Jerônimo Leitão " Capitão desta Capitania em São Viscente", através da qual foram concedidas terras aos Índios Seis léguas em quadra ao longo do rio Ururaí (hoje tietê), as quais começaram a partir donde acabar a data de João Ramalho e de seus filhos e vão pelo rio corrente tanto de um lado como outro, até acabarem as ditas seis léguas em quadra... com condições de sesmarias conforme ordenação de El rei nosso senhor de hoje para todo o sempre...(extraídos da Câmara de São Paulo, 1622 vol. I).Assim, prosseguiu o chamado aldeamento até total extinção dos Índios, por volta de 1820, passando suas terras para o domínio de particulares, durante os anos seguintes.E foi em terra da família Bueno, localizadas (onde hoje situa-se o Cemitério Lajeado) no Vale do Ribeirão Lageado como simples parada e pousada de viajantes, edificada a pedido do Senhor Manoel Joaquim Alves Bueno, uma capelinha e assim como a Cidade de São Paulo, que nasceu em dia Santo, também Guaianases tem um dia Santo como marco principal.É o dia 3 de maio, dia de Santa Cruz, isto porque neste mesmo dia do ano 1861, o vigário da Paróquia de Arujá, João Cardoso de Menezes e Souza, celebrou a primeira missa e procedeu a benção da Capela de Santa Cruz do Lajeado, e ao redor da Capela que foi reedificada em 1872, começou o nascimento do povoado de Guaianases.A princípio chamava-se Lajeado, porém terras, onde cultivavam produtos agrícolas e agropecuários, segundo outras famílias também imigrantes italianos, instalaram-se como comerciantes com a inauguração da Estrada de Ferro norte São Paulo, posteriormente Estrada de Ferro Central do Brasil (REFASA), e (CBTU) Companhia Brasileira de Trens Urbanos, hoje sob controle da (CPTM), Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.Em 06/11/1875, o local onde fora construída a Capela, recebeu a designação de Lajeado Velho, e o núcleo vizinho à estação ferroviária, recebeu o nome de Lajeado Novo, o qual no final do século XIX ganhou outra Capela também dedicada a Santa Cruz. Entretanto para que não houvesse confusão, a Igreja Santa Cruz do Lajeado Velho, teve seu orago mudado para Santa Quitéria, que segundo a lenda, seria o nome de uma escrava fugitiva de uma das fazendas existentes na região pertencentes aos padres Carmelitas, sendo capturada e ali sacrificada selvagemente.O Lageado Novo, começou a prosperar com a chegada dos Imigrantes Italianos a partir de 1876, 1891, 1900, 1906, 1912 e 1920, juntando-se com tradicionais famílias já existentes. Foram os primeiros compostos pelas famílias Thadeo; Gianetti; Diório; Premiano Pistócio; Galia; Pucci; Bauto, estes instaladores de Olarias, principal atividade econômica por longo tempo no lugar, que foram as responsáveis pelo fornecimento de tijolos para as construções da cidade São Paulo, principalmente as indústrias e moradias dos bairros da Móoca, Brás, Belém, Mooca, Bom Retiro, Pari, etc.As segundas famílias , Bueno, Pereira, Mariano, Carmo, Pedroso, Moreira, Leme, Cunha, Jordão, Xavier, Leite etc... eram proprietários de grandes áreas de terras, onde cultivavam produtos agrícolas e agropecuários, seguindo outras famílias também de italianos. Instalaram-se como comerciantes em várias atividades as famílias, Calabrez, os Tabelini e Prandini, com o ramo de Secos e Molhados; a família os Iapequini, com a extração e corte de lenhas e madeiras, que também abasteciam as Indústrias do início do século, na cidade de São Paulo.A família Radiante, como fabricantes de vinhos; outras também italianas, dedicavam-se às atividades de fabricação de tachos de cobre como os Vita. Bomfanti, Cornedi e Saqueto ferreiros e carpinteiros.Vinda em 1912 a família Matheus, imigrante espanhola, que através do patriarca Luiz Matheus, funda as Pedreiras Lajeado e São Matheus, que também passou a abastecer a cidade de São Paulo.Contava Lajeado já volta de 1920, com uma população aproximada de 600 habitantes e 100 prédios.Em 1924, a direção da E.F.C.B.(Estrada de Ferro Central do Brasil) atual CPTM, mudou o nome da Estação, para Carvalho de Araújo, em homenagem a um dos Engenheiros da dita ferrovia. Na data de 30/12/29, Lajeado foi elevado à condição de Distrito.Durantes o período de 1920 a 1940, Lajeado teve um desenvolvimento inexpressível, tendo surgido os primeiros loteamentos na década de 1920, como Vila Iolanda(1926),CAIC(1928),Princesa Isabel(1928), parte da fazenda Santa Etelvina(1926), onde chegou a formar-se um pequeno núcleo de imigrantes alemães e austríacos, em número de 12 famílias.Guaianases passa a ter em 1934, população de 1.642 habitantes, possuindo até então uma única Escola Reunidas de Lajeado,fundada em 1873; a Agência de Correios em 1873; uma subdelegacía de policia, criada em 1895 e duas Agremiações Esportivas, o Atlas Lajeadense F.C., cuja fundação ocorreu por volta 1915 e posteriormente a União F.C. fundado em 1934; ambos possuíam boas sedes, onde nos finais de semana, realizavam animados bailes, como também possuíam os melhores esquadrões da região vindo a fundir-se em 1946, criando o atual Guaianases F.C.Possuía também Bandas de Músicas, existindo a primeira no período de 1915 a 1926, e a Segunda Corporação Musical Lira de São Benedito, fundada em 1933, extinta em 1938.Como curiosidade, havia um trecho de estrada de ferro particular, ligando a estação do Lajeado à Fazenda Santa Etelvina, hoje Cidade Tiradentes, cuja instalação ocorreu em 1908, tendo sido extinta em 1937, em cujos trilhos corria um bondinho de passageiros e pequenos vagões de cargas, para transportar lenha, tijolos, pedras, carvão e produtos agrícolas da região da Passagem Funda; outra curiosidade, era a existência de 14 lampiões que serviam como iluminação Pública, localizados nas Ruas;. 15 de Novembro, atual Salvador Gianetti, XI de Agosto (atual Capitão Pucci), Rua. Floriano Peixoto (atual Hipólito de Camargo) e Rua. Santa Cruz (atual Saturnino Pereira), instalados por volta de 1915.Apresentava Lajeado(Guaianases) em 1940, uma população de 2.967 habitantes e 806 prédios (fonte IBGE).O bairro participou na segunda Guerra Mundial, com a ida do pracinha Otelo Augusto Ribeiro, que infelizmente, não retornou à Pátria, morrendo em terras da Itália, mas que por fim, em sua homenagem, tem seu nome em uma das principais ruas de Guaianases.Finalmente o Bairro recebe oficialmente o nome de Guaianases, pela Lei n. 252 de 24/12/48. Palavra de ordem Tupi, isto porque a região fora habitada pela tribo dos Índios Guaianás, até os primeiros séculos do descobrimento do Brasil.Guaianases nos anos 40, passou a desenvolver-se com novos loteamentos, devido acrescente procura e necessidade de mão de obra nas Indústrias de São Paulo, ocorrendo então a migração de pessoas de todos os cantos do Brasil, principalmente do nordeste, que chegando como braço para trabalho, procuraram instalar-se nos bairros periféricos da Capital.Guaianases chegou em 1950, a contar com uma população de 10.143 habitantes, tornando-se por excelência, bairro dormitório; contava nessa época, com único meio de transporte, a valiosa MARIA FUMAÇA da EFCB, até 1958, quando começou a correr os primeiros trens elétricos que até hoje nos servem.A partir da década de 1950, o bairro prosseguiu seu desenvolvimento mais expressivo, com novos loteamentos, que surgiram da noite para o dia e, atingiu em 1960, uma população aproximada de 45.000 habitantes, desde então até hoje, com a constante migração e desenvolvimento de casas populares e Cohab's, a região tivera um crescimento populacional espantoso e atualmente ultrapassa 1,6 milhões de habitantes.






Você ainda pode entrar pelo site http://www.conseg.org/ ( se for cadastrado, é um apena ) e pedir a História de nosso Bairro.


É a biografia autorizada que esta também no site






Elisabeth Alves

IP Casa de Oração - Rua Moreira Neto, 283 - Guaianases - São Paulo

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