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domingo, janeiro 16, 2022

Parabéns, Sarita!


 Logo de cara na vida tive duas primeiras melhores amigas. Margarete Darc Fidelis e Sarita Julião.

Duas primas. Uma pouco mais de 6 meses mais velha e a Sarita, 1 ano mais nova.
Hoje é o dia da segunda.
Dividimos muito mais que o mês natalício. Ela desde muito pequena sempre percebeu o ambiente nocivo de minha existência, Segurava minha mão depois que eu apanhava sem motivo sob a frase ''Mãe pode não saber porque está batendo, mas o filho sabe porque está apanhando''. O problema é que eu nunca sabia o motivo porque apanhava, mas tinha por certo que se Sarita visse, ela chamaria aos berros por nossa avó ou por sua mãe e depois, se não desmaiasse de desgosto por me ver ferida, seguraria a minha mão e secaria as lágrimas que eu já não conseguia derramar.
Sarita é assim até hoje. Se desapareço do WhatsApp ela me procura até me encontrar, sabe que estou revisitando antigas feridas e me impulsiona de volta ao presente, mostrando o quanto sou abençoada por viver outra realidade.
Não esquece meu bom dia. Lembra sempre de orar por mim. Está mais para mim do que estou para ela e mesmo assim ela não muda.
Só conheci outra pessoa assim como ela, minha tia Maria, sua mãe.
Sarita é boa sem ser boba. Sempre foi assim. Sapeca, era mais companheira dos meninos que eu e eles para garantir sua segurança eram obrigados a mentir para que ela não os acompanhasse nas estripulias. Bobagem deles. Sarita sempre foi forte e soube se safar bem das erratas da infância.
''Passa Anel que podia ser pedra, graveto qualquer coisa que deslizassem entre as mãos e ''Beijo, abraço, aperto de mão'' eram nossas brincadeiras preferidas. Mas tinha brincadeira de rodas e esconde-esconde com a permissão da vó Eulina e debaixo da orientação de ter cuidado ''modi não quebrar as plantinhas''. O problema é que nossos melhores esconderijos eram mesmo entre as árvores da chácara do vovô Manoel. Quebrar plantinha era coisa natural e ouvir reprimenda também.
Crescemos e não brincamos mais destas coisas. Ela seguiu trabalhando e criando filhos, o Davi e o Felipe, cuidando da vida dela longe de mim, eu sigo aqui tentando viver, mas nunca deixamos esfriar nossa amizade.
Por isso mesmo, hoje, que é o aniversário dela, venho aqui agradecer a Deus por me dar uma prima tão maravilhosa e ter nela uma amiga tão especial. e não só isso.
Venho também felicitar você, prima querida, por essa data tão especial: Feliz Aniversário e muitos Parabéns por essa data querida.
Desejo que você seja sempre muito feliz e abençoada. Amo muito você! E desejo que hoje você receba muitos Beijos e Abraços e sinceras felicitações.

sábado, junho 12, 2021

Dona Eulina, Tiba de conserva, Overnight Oats e saudades

 Quando nós éramos crianças lá na Rua Doutor Pedro Batista, no Bairro de Guaianases, São Paulo, nossa avó, Dona Eulina fazia uma sobremesa de amanhecer com coalhada, aveia, mel, amora do pé do vizinho, morangos silvestres e frutas secas. Outras vezes ela fazia de maçã, mel, banana e coco crespo com açúcar do norte (mascavo). Ela tinha várias receitas. A de figo era divina!

Eu jurava que aquele "mingau" era cozido de tão gostoso que era.
Era nossa felicidade o tempo de amora e de uva japonesa, colhíamos muitas para a vó fazer "sobremesa de amanhecer".
Na nossa casa não tinha geladeira. Quer dizer, na nossa vila a primeira pessoa que teve uma foi minha tia Wanda.
Para fazer a nossa sobremesa matinal a vó colocava elas em uma bacia e protegia com água filtrada. Era uma espécie de geladeira de barro. Dava muito certo.
Aquilo amanhecia um mingau delicioso. E de manhã ela despejava morango ou banana em calda em cima e dava para todos os netos.
Ela dizia que era porque alimentava nossa travessura. "Menino gasta muito do corpo, precisa de mais energia".
Esse mês descobri que minha avó sabia fazer #OvernightOats.
Minha avó era "Nutri" kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
E porque estou falando disso agora?
Porque entrou na dieta do sobrinho aqui.
Ontem à noite fiz para o Eddye e eu e Jane Uchôa experimentamos.
Gente, sabe quando você vive de novo a infância?
E olha que nem tinha mel e amora!
Como não tinha coalhada em casa, fiz com leite mesmo.
E mesmo assim, meu deu uma saudade do colo da vó!
Deu vontade de pegar o pente ir pedir para ela pentear meus cabelos e fazer trança.
PS>
1 - Foto meramente ilustrativa. Depois coloco uma minha aqui, afinal, amanhã Jane vai fotografar mesmo a #overnightOats dela!

2 - Tiba de conservar - Era um corpo de filtro de barro com a boca bem larga, como se fosse uma bacia, ali a vó colocava tudo o que queria conservar fresco. Amanhecia bem frio.

3 - Sobremesa de amanhecer - porque era dormida. na minha inocência eu achava que era porque nós comíamos de manhã.


sexta-feira, maio 28, 2021

Mais sobre Mim, dona Eulina e as fofocas.

 Mais de #DonaEulina e #SobreMim

Tem uma pergunta rondando por aí sobre "qual seria seu nome se fosse o mesmo de sua vó preferida".
Pois bem.
Eu me chamaria #Eulina. E gostaria muito.
A minha avó Eulina era uma mulher maravilhosa e livre, nunca deixava ninguém atrapalhar seus passos. E ainda assim manteve um casamento de 50 anos.
Sua força nunca a impediu de ter fé. E sua fé nunca a impediu de fazer o que achava certo, mesmo que esse certo fosse totalmente contra a ideia geral.
Ajudava o próximo, fosse ele um crente ou um ateu, uma mulher casada ou largada, uma jovem solitária ou uma prostituta.
Passávamos pela rua das "primas" e elas a saudavam sorridentes e com respeito.
Vi muita gente virar o rosto para elas, minha avó, não. E vi minha vó oferecer comidas e chás para as doentes. Nunca as tratou com desdém e, embora falasse de Jesus, nunca deixou de falar com elas ou com qualquer um por não aderia à nossa religião.
Foram esses exemplos que me fizeram ir para o trabalho social anos depois. Nunca perguntei qual o papel social de nenhuma das pessoas que atendi nas igrejas, associações e prefeituras que trabalhei. E isso devo à minha avó-mãe Eulina.
Lembro que para desespero geral, o melhor amigo da minha avó era o jovem Bil. Ele devia ter uns 40 anos, tendo portanto metade da idade de meus avós.
E ele era Se-pa-ra-do. pior! Desquitou-se sendo amigos de nossa família. gente muito mais nova deixou de falar com ele e até trocava de calçada quando o via vindo. O pobre ainda ficou desempregado!
Alguém foi lá contar para vovó e ela: "Que? Pensei que você ia ajudar! Veio aqui fazer o quê?
A pessoa perdeu o rumo e foi sem dar o recado do Cão.
O rapaz estava no quintal com o meu vô e viu quem tinha saído, subiu triste e minha avó, que era sapeca na sabedoria, saiu com essa:
"Essa diaba veio aqui fazer troça. Sei nem que queria, mas despachei logo, para não contaminar minha casa."
Eu era nova, não entendi nem a visita e nem a fala na hora.
Só dias depois alguém da família que achava a vó muito "crente moderna" abriu a boca e fez a crítica completa, obviamente pelas costas dela. E quando eu repeti a frase, a pessoa disse que a "mensageira" tinha boa intenção e que gente como Bill não era de confiança.
Eu nem liguei porque já sabia que o lugar das pessoas "de boa intenção" era o inferno - afinal, minha avó falava isso e o que ela falava para mim, era lei.

quarta-feira, janeiro 09, 2019

Saudades da Irmã Maria Dias

   


 O que eu andei nessa vida! De casa em casa, recebendo às vezes muito amor, outras vezes migalhas de afeto, mas há uma história que eu trago comigo.

    Tinha dez anos e vivia o dia todo na casa da irmã Maria Dias. Ao anoitecer voltava para casa. Eu amava ficar lá. Era uma rua pavimentada, com poucos carros passando, atrás da Escola Municipal Madre Joana, no Jardim Soares. Os filhos dela e do irmão Carlos brincavam na rua e eu ficava às voltas do Nenezão (Reinaldo Dias). Ele foi o primeiro Autista que conheci. Obviamente que criado sob remédios, por ordenes médicas, ele me fazia ser alguém alegre. Por motivo que desconheço ele interagia comigo. Eu aprendi entender o que ele queria e isso o acalmava. Brincávamos por horas.

    Acontece que os pais do Nenezão eram os caseiros da Igreja da Rua Inácio Moreira - Assembleia de Deus, Ministério de Mogi das Cruzes. Nessa época o presidente era o Pastor Jorge Leite. Entretanto, a congregação do Jardim Soares era dirigida pelo Pastor Sodré. Ele tinha o hábito de mandar a gente olhar para a esposa dele de um jeito bem humorado - olhas as coisas que lembro! 

  


 Geralmente eu corria para casa quando ele chegava para começar a oração. É que nesse tempo todos os cultos começavam com um tempo de Oração. Falo dele porque ele era outra pessoa que percebia o Nenezão como gente. Porque sim, não é novo  as pessoas tornarem os que são diferentes de si, seres invisíveis.

    Pensar nessa minha fase me traz sentimentos complexos, mas saber que aquele menino lindo recebia meu carinho e eu recebia dele o mais puro amor, me traz uma calma que me deixa bem leve.

  



 Confesso que passar horas ali naquela casa, brincando do Nenezão, até ele dormir. Ajudar, lavando louças e ouvindo disco de vinil, era uma oportunidade de ser feliz que eu nem sabia, de forma consciente, que era por isso que eu me arrastava, apesar de minha tristeza matinal até ali. 

    Tive que esconder desde muito cedo a dor pela perda de minha avó-mãe, Dona Eulina e, de algum modo, a irmã Maria Dias, com toda sua corrida diária, reservava alguns minutos para orar por mim. Era um carinho que eu recebia sem entender bem. Hoje sei que ela conhecia meu sofrimento e por isso aceitava que eu ouvisse Guiomar Victor, Alceu Pires, Ozeias de Paula, porque sim, eu só ouvia eles, todos os dias, por horas!

 


   
A propósito, eu comparava a irmã Maria Dias com a cantora Guiomar Victor,, para mim elas eram parecidas, sendo que a irmã Maria era mais bonita.  Perdi o contato com os Dias no início do ano 2000... Quando voltar a viver em São Paulo, vou procurar sua família lá no Bairro de Miguel Badra, região de Poá.

    Por agora, fico aqui, esperando meu momento "Feliz Aniversário", porque hoje faço mais um aninho...



quinta-feira, abril 26, 2012

Laudicéia ou Filadélfia - Alceu Pires

  
 
Saudades de ouvi-lo cantar. O Homem-Poesia.
    Sábio no agir e falar, é alguém transmite paz em cada palavra, em cada gesto.
    Tenho orgulho de ouvir suas canções que são Mensagens Completas, como esta que escolhi para ouvir hoje e dividir com vocês: "Laudicéia e Filadelfia".

    Enquanto escuta, que tal saber como o conheci:

    Conheci Alceu Pires aos dez anos - sim, ano que Deus levou minha avó-mãe, Dona Eulina. 
Tinha sido introduzida na vida adulta a pulso e estava tentando me adaptar e sofria minha solidão sozinha. Ele foi à igreja em um domingo de manhã. Cantou diversos hinos que eu já conhecia da casa da irmã Maria Dias, caseira da  Ad do Jardim Soares, lá na Rua Inácio Moreira. 
    Cantei, timidamente, "Puxeo paletó" e muitas outras e chorei com "Aqui está Zezinho". 
Eu já era uma  criança estranha e observadora, então estava cismada de o conhecer pois, 
dias antes, ouvi dos fofoqueiros de plantão que circulavam por minha família , que todo cantor era esnobe.
    E acreditei e fiquei de olhinhos abertos.

  

 
Alceu Pires chegou no horário e a tempo da oração. Nosso pastor era o irmão Sodré o recebeu com o carinho e respeito que ele sempre dispensou a todos.
    O cantor se apresentou no culto de Ceia e ficou para almoçar. 
    Acontece que o irmão Carlos Dias, caseiro da igreja, já tinha lhe oferecido almoço. Entretanto diversas outras pessoas em melhores condições se informaram-lhe que fariam um churrasco nas casas deles. Eu lá, cuidando do Nenezão, vi o rosto do irmão Carlos sorri com olhos entristecidos. Mas, para surpresa de todos, o irmão Alceu, que estava um passo a frente e não viu a decepção do esposo da irmã Maria, disse com voz firme e educada. 

    —O irmão aqui nos convidou primeiro. 
    Acontece que a casa no fundo da igreja consistia em dois cômodos. E era difícil se mover com aquele monte de crianças.  
    Resumo da ópera: ele sentiu-se em casa,  pendurou o paletó no guarda-roupa e conversou com os três filhos da casa e até me saudou rapidamente, porque eu estava as voltas do Nenezão - que já falei aqui, era um autista grave.  Nunca esquecerei aquele dia. Ali descobri a diferença entre um servo de Deus e uma celebridade. E sem sombra de dúvidas, o que vi ali foi um  homem que foi recebido como servo de Deus e agiu como tal.
    Tenho orgulho de ter vivido esta história. 

Canção: Laudiceia ou Filadelfia




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