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domingo, abril 25, 2021

Entrecontos, Aline Cruz, Almeida Júnior - algumas indicações em um só lugar




Olá.

Nossa conversa hoje é sobre Literatura.

O texto de que vou falar é  "A Persistência da Memória ", da escritora Aline Cruz. E está no EntreContos - não, não estou ganhando para divulgar eles, não. Só faço se gosto e gostei da escrita dessa escritora.

O conto - porque é um conto, conta uma história de divagação frutífera - eu sei, eu poderia dizer que é uma reflexão, mas prefiro dizer que é uma viagem linda da Memória.

Voltemos.

Nessa divagação frutífera o narrador  fala sobre sua existência de forma generosa e vai construindo uma espaço afetivo entre o leitor e a personagem  principal que é quebrado de forma magistral ao final. Ruptura que muda o foco sobre tudo o que foi dito até aí. E sobre isso deixo a expectativa. Você precisa ler para entender.

No mais, só digo que amo quando um autor consegue fugir da caricatura e dos perfis marcados, como se todo caipira fosse desprovido de conhecimento e do uso do pensamento complexo e da fala formal. E essa fala faz parte do comentário que deixei lá. O texto é belíssimo e merece sua leitura. 

E há mais. A ilustração do conto ficou a cabo da imagem de Almeida Júnior, “Caipira picando fumo”. 

Imagem que amo, por sinal. Vê-la ali refrescou minha esperança.

É minha indicação de leitura hoje. 

De resto, Feliz Domingo e fui, porque o cuscuz está quente e cheiroso e o café me espera.

Abraços literários.



Serviço


Ficha técnica
Ano: 1893
Dimensões: 202 x 141 cm
Técnica: óleo sobre tela
Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil




sábado, janeiro 07, 2012

O Caçador de Pipas

O Caçador de Pipas



"Existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é roubar... Quando você

mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade."



Enfim consegui ler este livro. Um romance que tem como pano de fundo a História recente do Afeganistão. As inconstâncias do fanatismo religioso que leva um sociopata a ser um libertador de uma cidade, as mentiras que qualquer Sociedade mantêm para manter-se imaculada, apesar das sujeiras debaixo do tapete. A burocracia que envolve coisas simples como a adoção, por exemplo, seus males e consequências.

Fico me perguntando como as pessoas conseguem viver com suas poluições pseudomoralistas e com suas fofocas decorrentes de problemas que eles mesmos aceitam quando os envolvidos são outros.

As aberrações da mente humana que são potencializadas pelo ambiente hostil de uma guerra, a facilidade com que aceitamos que um país invada o outro e mate pais, mães e filhos. A morte como método de eliminar não apenas um oponente político ou religioso, mas pessoas classificadas como inferiores entre si, a chamada limpeza etnica.

Caçador de Pipas mostra sim a confusão da alma de pessoas que são roubadas em seu direito de saber quem realmente é. A humilhação que faz até crianças perderem o viço da vida, sua ingenuidade e inocência, a lealdade de alguns por outros apesar de tudo. A permissividade da guerra que parece mostrar o pior dos homens. Homens que se acham detentores da Lei e dos bons costumes,mas escondem em si o desejo à violência contra mulheres e crianças, que encontram prazer em destruir a crença e dignidade de outros seres com seus anseios sexuais insanos.

Para mim, este livro mostra esta ferida aberta e fétida que é a invasão de um povo à uma terra que não lhes pertence, destruindo não só costumes e tradições, mas também a fé do homem no homem.

Acredito que as duas maiores lições que ficam estão relacionadas a Ali e o velho baba de Amir, o narrador. Do primeiro fica a honra em se portar com dignidade, assumindo a paternidade de um filho que não é seu, mas que ele protege das mentiras do mundo com seu amor e lealdade, e, a outra é conselho do velho baba ao filho: O pior pecado que se pode cometer é roubar. 

E de fato, quando você mente rouba o direito de alguém a conhecer a verdade e, às vezes, de ter uma vida diferente. Infelizmente este mesmo pai roubou a verdade de seus filhos, mas talvez foi justamente isto que o ensinou a ser um homem de bem, mesmo que tenha seguido adiante sem saber quantos cadáveres sua mentira fez tombar durante a sua história.

Há sempre algo a aprender com uma boa leitura e não roubar, em todos os sentidos, é a melhor que levo desta.




O caçador de pipas

Khaled Hosseini

Romance

TRADUÇÃO DE MARIA HELENA ROUANET

14° impressão

EDITORA NOVA FRONTEIRA

246


IP Casa de Oração - Rua Moreira Neto, 283 - Guaianases - São Paulo

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