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terça-feira, julho 31, 2012

Quem se lembra de Igor e Vitor? Os irmãos assassinados pla madrasta e pelo pai?


Hoje li uma reportagem sobre violência no lar que aconteceu aqui em Manaus e me lembrei de algo que aconteceu em 2008, quando uma madrasta e um pai assassinaram duas crianças.

Você lembra de Igor e Vitor?
Os meninos do interior paulista assassinados pela madrasta e pelo pai?
Lembra de tudo o que envolve esta história trágica?
Se não, antes de ler esta postagem, visite esta página da Veja e leia. 
Existem detalhes desta história que mexe por demais comigo, pois sei o quanto é desgastante uma criança tentar provar para os outros que aqueles que deveriam ser responsáveis por sua segurança e cuidado são os errados na história.
Ao relembrar esta macabra história, vejo como gente despreprarada pode causar males maiores quando estão em postos de confiança.

Incrível como profissionais que deveriam cuidar do bem estar das pessoas permitem que crimes como estes aconteçam.
Entre 98 e 2001 fiz cursos para o Conselho Tutelar em São Paulo e ali, no período de aulas o que se falava era em Política e em sistemas digitais a serem implantados no futuro. As aulas de Direito eram fracas, extemamente básicas e eu, que já trabalhava com famílias com problemas muito antes disto, não achei o curso bom. De capactação o Curso só tinha o nome.
Sai dali com a certeza que se um dia for Conselheira, farei antes uma boa Faculdade de Direito e Psicologia, afinal os agressores são seres dados a enganação, por serem em sua maioria psicóticos.
E este casal, esta Conselheira Tutelar, juiza e todos os envolvidos, que acompanharam o desenvolver desta história são tão criminosos ou mais que os que esquartejaram os meninos Igor e Vitor.
Morro sem entender como uma mãe pode abandonar um filho aos cuidados de alguém que a maltrata, que tipo de repsonsabilidade uma mulher desta tem. Sim, não questiono amor, criar filhos é algo acima deste sentimento, um filho é uma responsabilidade antes de mais nada.
Infelizmente o Brasil enterrou estes meninos antes da hora mesmo.
Meu coração e minha mente revoltam-se quando  penso nisto.
Precisamos urgentemente de leis mais fortes, que defendam de fato a v'tima e não que as tornem os culpados.
Com todo o requinte de violência psicológica que estas crianças sofreram antes, como ninguém notou que estes dois criminosos acabariam resolvendo a questào com uma violência maior?
Elisabeth

sexta-feira, novembro 25, 2005

Gatilho...Minha experiência...


Fui estuprada.
(Isto não é um Conto - é uma realidade. Minha realidade. Este fato ocorreu entre minhas idas e vindas da casa de minha avó para a casa de minha mãe biológica.)

Aos 5 anos comecei ler. Lia tudo. Nada passava desapercebido a minha curiosidade.Víviamos num mundo a parte da Ditadura e das guerras que aconteciam longe de minha doce vida.
Em 1978, por já esta com 7 anos, fui encaminhada a uma Escola, o SESI, na divisa de Guaianases com Ferraz de Vasconcelos e vivi ali meses de aprendizado e felicidade. Nossa realidade era muito diferente de crianças que hoje tem esta idade.
Eu não entendia muita coisa,apesar de ter uma inteligência acima da média. Lembro - me das brincadeiras de roda e de pega - pega no pátio da Escola. Era uma vida simples de uma menina pobre, filha de trabalhador.
Saia todos os dias ao meio - dia e minha mãe ía nos buscar na escola,digo nós,porque meu irmão Eli, um ano mais novo que eu, estava lá também.
Um dia, como numa comédia de erros, tudo aconteceu ao contrário.Minha mãe esqueceu a hora de ir nos buscar e a escola nos liberou,apesar de não haver ali nenhum responsável para nos apanhar.Ficamos no portão por mais ou menos 10 minutos, se muito.Esperando nossa mãe.As tias dos doces,que ficavam logo ali na frente não notaram  nossa presença,mas os olhos do mal estavam atentos a nós.
Um senhor, aparentando uns cinquenta e poucos  anos aproximou - se de nós e disse que nosso tio Pedro tinha mandado ele nos apanhar na escola.Inocente, seguimos aquele homem.Ele andou horas conosco e depois, ficamos num descampado.Ele fez meu irmão procurar algo e ali, naquele lugar horrível,me estrupou.
Fiquei toda machucada,obviamente, apesar de na época já ter uma altura considerável ( 1.57m), tinha uma estrutura íntima de uma menina de 7 anos e não de uma mulher.Ele disse que se eu contasse para minha mãe,ninguém acreditaria em mim.Por certo diria que fora meu namoradinho - que, óbvio,eu não tinha.
Minha mãe não tinha muita paciência - era assim que eu via o narcismo dela na infância - e temendo- a, escondi minha dor. 
Confesso que de início, só doeu no corpo. As dores da alma e da mente originaram - se com o passar do tempo.Guardei este segredo por 10 anos.Mas um dia, ao assistir uma aula sobre o corpo humano, tomei consciência da violência que tinha sofrido.Entrei em crise e tive uma depressão. Tive um pricípio desmaio e fui levada por um amigo ao Hospital que tinha na Praça Getúlio Vargas.Até aí eu pensasva que era virgem - sim, eu não sabia o significado disso até aí.
As pessoas não souberam o que aconteceu comigo.Até porque era uma coisa do passado.
O diretor da Escola (EMEF 25 de Janeiro ) chamou minha mãe para conversar comigo. Ele achava que se conversassemos tudo ía acabar bem, afinal, era só uma mudança de comportamento adolescente. Então contei para ele e foi por isso que chamou minha mãe, embora, nessa época eu vivesse com minha tia Wanda.
Acho que só ele acreditou em mim.
Minha mãe - biológica, com quem não vivia desde muito nova -  ficou com aquele sorriso falso no rosto e aquela expressão imbecil de compreensão.
Em casa disse para meu pai que eu tinha dormido com meu namorado.
A situação ficou insustentável.
Minha vida tornou - se um inferno.
Analisando hoje, de forma adulta, percebo todos os erros que foram cometidos em relação a minha segurança, na época do ocorrido.E depois, os novos erros, na época em que surtei com este segredo.
Nunca entendi o que leva uma mãe a perder sua filha por horas e quando a encontra não fazer nenhum tipo de exame físico.Eu era uma criança ameaçada.
Fui uma adolescente amarga.

E isso não foi o fim de minha história...

Anos mais tardes...

COMO AGEM AS PESSOAS
Meu namoradinho acreditou que eu tivesse dormido com alguém e me deixou.Para ele,uma moça tinha que chegar ao casamento virgem.Imbecil!
E outros passaram e fugiram da mesma forma.
Minha família biologica nega até hoje a existência do fato.
O problema é que tenho que contar para quem se relaciona comigo,porque as vezes surto e perco a confiança em todo mundo. A pessoa tem que saber o que causa isto tudo.Sou uma pessoa normal que foi estrupada na infância.
O problema hoje não é só meu.
É da comunidade.
As pessoas não percebem sua responsabilidade.
A pior agressão que sofro até hoje, não é a física. É a psicológica.
A falta de confiança depositada em mim, frente a algo que aconteceu quando eu tinha entre sete e oito anos.
Faço parte das estatística que reza que a maioria das vítimas não prestam queixa.
Se eu nem sabia o que tinha contecido comigo, como poderia saber que tinha o direito de prestar queixa.
Nada foi feito por mim.Naquele dia tomei banho sozinha,como nos outros.
Estou solteira até hoje.E estamos em 2005, estou com 34 anos. As pessoas ainda possuem diversos preconceitos.
E o pior de tudo, que estes poderiam ser combatidos com campanha válida e feroz contra a ignorância.

Tenho sonhos.
Sonhos que foram destruídos por um canalha que me fez sofrer estes anos todos.
Sonhos que foram parcialmente destruídos pela falta de compreensão de meus pais.Sonhos que aborto, cada vez que entro em parafusos.
Quero esclarecer que não sou louca.Só fico muito desiludida com minha solidão e as vezes faço coisas que as pessoas acham errada.Eu não acho. Minha solidão é a de falta de apoio...
As vezes fico muito triste e choro.
Tem dias que preferia estar morta.
Uma vez ouvi uma pessoa dizer, num programa de Televisão, que o ex prefeito Paulo Maluf imortalizara a frase "Esta com desejo, estupra mais não mata".Digo apenas uma coisa.Ele não sabe o que é estupro.O estupro mata.
Eu sou uma morta viva.Sinto - me morta sempre que olho para o espelho.
Evito este inimigo, que mostra dentro de minha alma.Dele não consigo esquecer minha tristeza.


PS - Aconteceu comigo.Escrevi este depoimento,depois de ler alguns no blog da Ana Frank.Valeu Ana.
Elisabeth Lorena Alves

IP Casa de Oração - Rua Moreira Neto, 283 - Guaianases - São Paulo

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