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domingo, julho 07, 2013

Não me leve a sério - Jane Eyre Uchôa (Poesia)


NÃO ME LEVE A SÉRIO

Não me leve a sério, leve-me para passear
Por caminhos que conheces bem
Para ver o por-do-sol repetido
Entre brigas de beija-flores e azul celeste infinito
Não leve a sério meu jeito intempestivo,
Leve-me para passear entre as estrelas
Para que iluminem meu rosto
E luzes douradas de meus cabelos
Leve me por dunas de areia, alçaremos voos interplanetários
  Alienígenasseremos, num espaço solitário
E da terra não sentiremos saudades...
Leve-me para passear em tua retina,
Adentrarei tua mente por rumos desconhecidos
E brincarei nos corredores da tua alma
Encontrarei rosas vermelhas e espinhos dourados
Versos escondidos e desejos reprimidos,
Não me leve a sério, leve-me contigo
Pela história sem final,
No capitulo inacabado,
Em parágrafos interrompidos por reticências
Leve-me para passear, mas não me traga de volta
Enquanto não me levares para ver a
FELICIDADE...

Escrito por Jane Uchoa em 07/07/13

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

Sete anos de pastor Jacó servia [Camões]


Estava com uma saudade danada de postar uma poesia por aqui. Gosto muito de Camões e não resisiti a este hoje.
Espero que gostem!


Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel serrana bela,
Mas não servia ao pai, servia a ela,
Que a ela só por prêmio pertendia.

Os dias na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê-la:
Porém o pai usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe deu a Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Assim lhe era negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começou a servir outros sete anos,
Dizendo: Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida.
2007/05/07 enviada por WebMaster
 
Autoria de Luís Vaz de Camões


segunda-feira, setembro 03, 2012

Eu ao vento! - Uma Prosa minha



Eu ao vento

 


Você me toma como a uma foto saudosa, perdida entre as folhas amarrotadas de um livro qualquer.
Me aquece o peito de promessas vãs. Sussurra palavras de desejo e me envolve.
Aquece meu sangue com seu toque.
Você me instiga e segue seu caminho, sem notar as feridas que deixa em meu coração.
Olha com seu modo generoso e me acarinha com seu sorriso meigo, mas esquece-me logo.
Molda seu corpo no meu e retribui meus beijos com calor e paixão, mas se afasta e deixa-me carente.
Elogia meus modos, meu sorriso e minha voz.
Ama meu tempero, minhas sobremesas e deixa-me só.
Cansei de ser apenas seu brinquedo.
Eu quero mais que desejo, quero amor.
Se queres o mesmo volte.
Se não voltas eu sei que rejeitas meu sentimento.
Se sou apenas uma doce lembrança, esquece-me entre uma folha qualquer de seu livro.
Eu, mulher, viva e fêmea, continuarei só, mas reconstruirei minha vida.
Deixe-me experimentar viver sem você.

sexta-feira, maio 11, 2012

Deus Negro - Neimar Barros

Este é um poema de um homem confuso, dividido em sua percepção doentia de fé e sua falta dela.
No entanto seu poema é uma verdade que não pode nunca ser tida como mais uma de suas supostas loucuras.
Antes de postar o texto, cabe aqui minha reflexão. Assim como os católicos de então acreditaram na conversão deste artista e aproveitaram bem de sua Literatura, nós cristãos estamos acostumados a sermos enganados por artistas que desejando ser celebridades gospel (detesto esta palavra!), adentram nossas igrejas contando histórias de conversões milagrosas, expondo segredos de outros artistas e usando os altartes das nossas igrejas para firmarem mais seus nomes e, muitos voltam ao poço de onde vieram, levando para lá o riso, a comédia de termos crido em suas mudanças.
Sabe que nome se dá a esta atitude nossa de agregar aos nossos templos estes pseudos- cristãos? Falta de visão espiritual.Nossos olhos estão tapados e por isto mesmo estes seres se aboletam em nosso meio se fazendo de bons moços e brincnado com a nossa fé.
Sabe o que e entristece. É que alguns mais espirituais quando criticam esta banalizaqção da fé são vistos como seres anorais, atrasados e chegam a ser perseguidos por não acreditarem nestas conversões instântaneas.
Devemos abrir bem nossos olhos e prestarmos muita atenção porque satanás nem disfarça mais seus sapatos, ele vem de tamanco e nós estamos esperando ele vir de sapatinho de algodão.

Quanto ao poema, é super válido e por isto divido com vocês.
Abraços
Elisabeth lorena Alves
Deus Negro
Neimar Barros

Eu, detestando pretos,
Eu, sem coração!
Eu, perdido num coreto,
Gritando: "Separação"!

Eu, você, nós...nós todos,
cheios de preconceitos,
fugindo como se eles carregassem lodo,
lodo na cor...
E, com petulância, arrogância,
afastando a pele irmã.

Mas,
estou pensando agora,
e quando chegar minha hora ?
Meu Deus, se eu morresse amanhã, de manhã?
Numa viagem esquisita, entre nuvens feias e bonitas,
se eu chegasse lá e um porteiro manco,
como os aleijados que eu gozei, viesse abrir a porta,
e eu reparasse em sua vista torta, igual àquela que eu critiquei?
Se a sua mão tateasse pelo trinco,
como as mãos do cego que não ajudei ?
Se a porta rangesse, chorando os choros que provoquei ?
Se uma criança me tomasse pela mão,
criança como aquela que não embalei,
e me levasse por um corredor florido, colorido,
como as flores que eu jamais dei ?
Se eu sentisse o chão frio,
como o dos presídios que não visitei ?
Se eu visse as paredes caindo,
como as das creches e asilos que não ajudei ?
E se a criança tirasse corpos do caminho,
corpos que eu não levantei
dando desculpas de que eram bêbados, mas eram epiléticos,
que era vagabundagem, mas era fome?

Meu Deus !
Agora me assusta pronunciar seu nome .
E se mais para a frente a criança cobrisse o corpo nu,
da prostituta que eu usei,
ou do moribundo que não olhei,
ou da velha que não respeitei,
ou da mãe que não amei ?
Corpo de alguém exposto, jogado por minha causa,
porque não estendi a mão, porque no amor fiz pausa e dei,
sei lá, só dei desgosto?

E, no fim do corredor, o início da decepção .
Que raiva, que desespero,
se visse o mecânico, o operário, aquele vizinho,
o maldito funcionário, e até, até o padeiro,
todos sorrindo não sei de quê?
Ah! Sei sim, riem da minha decepção.

Deus não está vestido de ouro. Mas como?
Está num simples trono.
Simples como não fui, humilde como não sou.

Deus decepção .
Deus na cor que eu não queria,
Deus cara a cara, face a face,
sem aquela imponente classe.

Deus simples! Deus negro !
Deus negro?

E Eu...
Racista, egoísta. E agora ?
Na terra só persegui os pretos,
não aluguei casa, não apertei a mão.

Meu Deus você é negro, que desilusão!

Será que vai me dar uma morada?
Será que vai apertar minha mão? Que nada .

Meu Deus você é negro, que decepção!

Não dei emprego, virei o rosto. E agora?
Será que vai me dar um canto, vai me cobrir com seu manto?
Ou vai me virar o rosto no embalo da bofetada que dei?

Deus, eu não podia adivinhar.
Por que você se fez assim?
Por que se fez preto, preto como o engraxate,
aquele que expulsei da frente de casa?

Deus, pregaram você na cruz
e você me pregou uma peça.
Eu me esforcei à beça em tantas coisas,
e cheguei até a pensar em amor,

Mas nunca,
nunca pensei em adivinhar sua cor.
.

segunda-feira, novembro 21, 2011

Moça me dá uma rosa! - MBF

MOÇA, ME DÁ UMA ROSA!
Autor: Mário Barreto França
Enviado por: Sammis Reachers em 22/08/2007





Era um triste contraste aquele, distinguido
Numa encosta escarpada e num vale florido:
Lá no morro, o barraco ao vento se inclinava;
No vale, um palacete, entanto, se enfeitava
De rosas, de jasmins, de pássaros joviais
Que adejavam, cantando, os lindos roseirais...

O barraco de zinco e o bangalô de pedra
- Onde a miséria mora e onde a fartura medra –
Eram naquela parte estreita da paisagem
Antônimos cruéis que, na louca voragem
Da vida singular, excêntrica ou profana,
Confundem na incerteza a indagação humana...

Qual a causa que leva um dia a Onipotência
A dar rumo diverso a cada uma existência,
Que às vezes se coloca em destaque chocante,
Como revolta muda ou protesto gritante?

Por que, sem ter noção ainda do pecado,
Há de nascer alguém surdo, cego, aleijado?
Por que será, meu Deus, que, pobre e sofredor,
Se arrasta, muita vez, quem só pratica o amor?
E o eco repercute, ao longe, os brados meus:
- Para ser manifesta a grandeza de Deus!

No casebre de zinco, um garoto pretinho
Vivia a contemplar das palhas do seu ninho,
Lá embaixo, ao sopé do morro proletário,
O formoso jardim do seu sonho diário
Que, à sua alma infantil de ingênuo espectador,
Representava o céu numa festa de flor.

Numa certa manhã de ensolarado brilho,
O garoto desceu do morro, maltrapilho,
E ficou enlevado, a contemplar, assim,
O viço tropical de tão belo jardim...

Como era tudo ali cromático e festivo!

Porém aquela flor, de rubro muito vivo,
Exercia sobre ele uma fascinação,
Que a mundos irreais sua imaginação
Levava a percorrer em vôos de magia,
Nas asas alvi-azuis de sua fantasia...

E, nesse doce enlevo, angélico semblante
Ele descortinou, olhando-o fascinante,
No veludo-cristal da corola formosa
Daquela rubra flor, daquela linda rosa...
E, a seu ávido olhar, a aparição amada
- Anjo, deusa ou visão de algum conto de fada
Saiu da inspiração de um sonho rosicler,
Para se revelar simplesmente mulher:
Jovem, de olhos azuis e loira cabeleira
- Nova Branca-de-Neve ou Gata Borralheira...
E por isso ensaiou um pedido inocente:
- Moça, me dá uma rosa, uma rosa somente!...
Mas a jovem falou com desprezo invulgar:
- Vá embora daí! Não torne a importunar!

O garoto ficou ainda um pouco parado;
Depois, triste, baixou os olhos, humilhado,
E saiu arrastando os pés, devagarinho,
Pela esteira sem luz do seu pobre caminho.
Como lhe pareceu tão mau o injusto o mundo;
Sufocou na garganta um soluço profundo,
Numa interrogação que ficou sem resposta:
- Por que, por que de mim essa moça não gosta?
Por que ao desgraçado aqui se nega tudo,
Até mesmo uma rosa? ... uma rosa?!...
Contudo
Tão pouco ele queria! E esse pouco, entretanto,
Lhe negavam sem dó, para aumentar-lhe o pranto...

O mundo é sempre assim: esconde a mão ao pobre,
Para fartar na orgia os caprichos do nobre!

No outro dia, bem cedo, às grades do jardim,
O garoto de novo estava a olhá-lo, assim:
Na ânsia de retratar na alma sentimental
O quadro multicor daquele roseiral,
Para poder sentir, dentro da própria vida,
O sonho irrealizado, a glória inatingida...

Quando a jovem surgiu de novo, entre os canteiros,
Seus olhos outra vez brilharam prazenteiros,
E cheio de esperança, à jovem tão formosa,
Com ternura pediu: - Moça, me dá uma rosa!

Agastada, porém, com o pedido insistente,
A jovem lhe negou o esperado presente:
- Vá embora daí, se não eu chamo um guarda!...
Temendo a intervenção enérgica da farda,
O pretinho correu em direção ao morro,
Lançando ao ar parado um grito de socorro,
Que não achou, naquela esplêndida manhã,
Qualquer repercussão na piedade cristã...

O tempo começou a mudar de repente;
Fatídico soprava o vento fortemente.
Tremendo, o órfão entrou no barraco de zinco;
Viu as horas passar: duas, três, quatro, cinco...
E ele, que lá vivia apenas por favor,
Não tinha pai nem mãe, ele não tinha amor...

Deitou-se; adormeceu, sonhou com o paraíso
- Edênico jardim – onde ele viu, iriso,
O sol resplandecer numa rosa vermelha
- Sua rosa vermelha! – e ante ela se ajoelha...

Nisto, estranho rumor, como um forte trovão,
Fê-lo um anjo notar, levando-o pela mão,
Para, de um lindo quadro, erguer o tênue véu:
- Ele entrava no céu... ele entrava no céu!...

Mas, na manhã seguinte, ouviu-se o comentário:
Durante o temporal, no morro proletário,
Houve um desabamento; e o pretinho – coitado! –
Ingênuo sonhador – morrera soterrado...

Sob um sol indeciso, à hora costumeira,
Regava o seu jardim a jovem jardineira.
Por um gesto instintivo, ergueu o olhar às grades:
- Vibrava no éter frio as ondas das saudades –
Não viu, como esperava, o rosto do pretinho:
- Não voltaria mais? Seguira outro caminho?!...
E, nessa confusão de um vago sentimento,
Sentiu no coração fundo arrependimento
De não ter satisfeito o anseio do menino...
Foi quando alguém lhe trouxe a notícia:
- O destino
Tinha roubado a vida ao pequenino triste!...

Ela não pôde mais; ela não mais resiste,
Prostrando-se a chorar...
E, logo, decidida,
Tirou de seu jardim, não só a flor querida,
Mas todas; e as levou com carinho e cuidado
Pra com elas cobrir o corpo inanimado
Do pretinho infeliz...
E ele, que não tivera
Na existência um lençol, ganhou da primavera
Um manto todo em flor, a envolver-lhe, afinal,
Com carinho e perfume, o corpo angelical...

***

No contraste da vida infausta ou abastada,
Nós somos muita vez como o órfão e a galã,
Negando do consolo uma rosa encarnada,
Para as faltas de amor chorarmos amanhã...

E ao peso acusador de líricas saudades,
Vamos levar depois às mortas ilusões
Todo o rubro rosal das oportunidades,
Que deixamos passar sem úteis decisões...

Que possamos abrir as grades do egoísmo
E oferecer a quem suplica afeto e paz
A rubra flor da fé do eterno cristianismo,
Que na alma, a rescender, não murcha nunca mais!

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(Do livro "Primícias da Minha Seara". Adaptação, em versos, de um conto radiofonizado, de autor não identificado).






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quinta-feira, novembro 17, 2005

Ouça Esquadros e leia Vinicius de Moraes...



Esquadros
Adriana Calcanhotto
Ouça aqui

Parabéns Leila Regina, "maninha" minha.
Que esta data se repita por muitos e muitos anos.
Que você seja muito feliz e tenha seus sonhos realiazados.Para você separei uma música de Adriana Calcanhoto e um poema de Vinícius de Moraes, escrito em 1942, que a gente aqui curte muito.

SONETO DE ANIVERSÁRIO

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

Vinicius de Moraes (Rio, 1942)

Elisabeth Lorena Alves

IP Casa de Oração - Rua Moreira Neto, 283 - Guaianases - São Paulo

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Medite!

Gióa Júnior