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quarta-feira, janeiro 27, 2021

Primavera - Ibrantina Cardona - Poesia na Pandemia

 Olá...

Tudo bem por aí?

Aqui o Covid-19 anda assustando todo povo do Estado, mas parece que de ontem para cá estão baixando os índices de infecção...


Bem, aqui no Amazonas estamos no Inverno - que óbvio é diferente do que o povo do Sul e Sudeste entende por Inverno,  Essa diferença climática acontece pela proximidade com a Linha do Equador, aquela mesma que traçávamos no Mapa na Escola, lembram?

Com a chegada chuva as coisas ficam feias por aqui pois com elas chegam as viroses comuns da estação e agora com a Pandemia o cenário só piora. 


Para não pensar nisso, leio Poesia e hoje li Primavera, de Ibrantina Cardona. E trouxe para vocês também lerem. 

E não esqueçam que já falei dela aqui.










PRIMAVERA

Setembro. Sobre o dorso azul da Natureza
a Flora reaparece, abrindo em cada planta
a verde cornucópia... Em festa a camponesa
de grinaldas agora enche o regaço. Canta

alegre a multidão das aves. À clareza
do sol, abre a cascata a liquida garganta;
tudo se revigora e exulta; na grandeza
da força e da saúde a terra se levanta.

Do bosque revestido a seiva oxigenada
purifica os pulmões e a leve atmosfera...
Fecunda-se a Natura, e lúbrica e pejada,

do enorme ventre expele, em férvida cratera,
insetos e animais que, em grande debandada,
festejam bosque á fora a nova Primavera!

Fonte:
http://contodemestre.blogspot.com/2015/11/ibrantina-cardona-5-poemas.html

link de Plectros na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin

quarta-feira, abril 08, 2020

Poesia Feminina - Vozes esquecidas

Poesia Feminina

Ibrantina Cardona

Vozes esquecidas. 

Diferentes de silenciadas, há vozes que foram sendo deixadas fora das discussões modernas. Nem mesmo o Feminismo fala sobre algumas mulheres artistas. Principalmente as escritoras. Pensei em de vez em quando falar delas aqui. Se bem que já falei de Francisca Júlia aqui no Blog e na Revista Biografia, quando colaborava com eles. E você  pode ler quando quiser.
Hoje falo rapidamente de Ibrantina Cardona. Uma mulher que venceu a invisibilidade e as implicâncias sociais e a própria imprensa que a classificava como alguém que, escrevia alguma coisa, como se sua Poesia fosse obra da futilidade da esposa do Jornalista e empresário de tipografia, Francisco Cardona. Sua obra literária e seu trabalho em Revistas eram constantemente relevados. Entretanto Ibrantina não era mulher chegada aos afazeres domésticos, viva mais pela leitura e edição de revistas e livros.
Antonio Arruda Dantas fez extensa pesquisa sobre ela e lançou até um livro sobre a escritora, lançado pela Editora Pannartz. Livro que infelizmente está em falta no Mercado Editorial.
Bem, vamos ver sua Poesia:

Sub umbra


(À memória de minha mãe)
E morre tudo assim, ao sopro de um momento,
Na sombra glacial dos tristes desenganos...
A crença, as illusões, o amor, o sentimento,
E tudo que ennobrece a nós, frágeis humanos.

A lucta, sempre a lucta! E ao peso de alguns annos
De tanto amargo estudo, esvae-se-nos o alento...
E frívola Sciencia, à sombra dos arcanos,
De duvida complica o nosso pensamento.

No curso da existência ephemera, illusoria,
Augmenta-se, ó loucura! O inferno do supplicio,
Buscando dia a dia um átomo de gloria.

Depois, quando a materia, ao fundo precipício
Do Nada, tomba emfim, apenas a memória
Nos lembra desta vida o inutil sacrifício!


Em: Senhorita, anno 1,n.5, 1920?

IP Casa de Oração - Rua Moreira Neto, 283 - Guaianases - São Paulo

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