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sexta-feira, maio 14, 2021

Dona Margarida, descanse em paz.


 

No dia primeiro de Abril pp. Dona Margarida se foi. E não foi uma viagem até ali ao Japão, Terra de seus ancestrais, foi mais além e com bilhete só de ida.

Para você Dona Margarida é só essa senhorinha japonesa da foto, mas para meu Bairro, em São Paulo, ela faz parte de muitas histórias. No dia que soube de sua passagem, escrevi no Facebook, hoje transcrevo aqui o que lá deixo registrado:

Dona Margarida tinha uma lojinha minúscula ali em frente ao Colégio Estadual Professor Luiz Rosanova. Nós íamos ali comprar desde lápis até letras vasadas da #Compactor para preparar capa de trabalhos.
Eu fazia capas para ganhar uns trocadinhos e ia lá comprar sulfite. Era lá também que íamos comprar cadernos de brochura pra as canções do #JóiasDeCristo, lá da #AdBrás do 180 A, no Jardim São Paulo. Era lá na Dona Margarida que eu comprava material para as aulas das meninas da Ad Belém Setor 7 (Paulo Ramos), para as Escolas de Férias com a Turminha da Tia Dilene (Adilene Maria da Silva), para as sextas-feiras infantis da ICO-Guaianases. evoluímos com ela nos oferecendo seu trabalho e seu sorriso. Nosso Bairro progrediu, a lojinha dela também. 
Dona Margarida atrás de seu balcão evoluiu a loja, colaborou com o crescimento do Bairro, ensinou a gente optar por pen drives e protegeu muitos de nós da chuva em sua loja que crescia igual seu coração.
Era fechada, no primeiro contato, mas guardava linhas e fitas que sabia que algum cliente estava usando em algum projeto artesanal. Nunca empurrou uma agulha em cliente, mas sabia mostrar as vantagens de uma compra, muitas vezes oferecendo um produto pouco conhecido mas de maior qualidade.
Se desconfiasse de algum adulto estranho rondando alunos, ela disfarçava e não permitia que a criança saísse da loja.
Lembrarei com carinho dela.
Depois do acidente, meu rosto ainda machucado, ela demorou horas para conseguir uma foto em que eu ficasse menos inchada - era uma foto 3/4 para meu RG e ele sabia que depois eu ficaria triste de mostrar aquele rosto...
Dona Margarida era mulher de detalhes. Atitudes sutis, mas que melhorava nosso dia. E de algumas broncas quando ajuntávamos todos a tagarelar nos corredores.
É triste saber que partiu.
Aos familiares, amigos e clientes desejo que seus corações se aqueçam com boas lembranças, que nada ofusque o brilho dessa batalhadora que nos deixa.
Descanse em Paz, Dona Margarida. 
Por Elisabeth Lorena Alves


sábado, fevereiro 23, 2013

PHIL COLLINS - EVERYDAY e Antena 1 - Saudades de Sampa

Uma coisa que sinto falta em Manaus... Antena 1. Amo esta rádio, mas principalmente ao anoitecer. Confesso que ouvi-la durante a noite me faz sentir em casa.
Nem sei o motivo real, só sei que me faz sentir como se tivesse mesmo em casa, assim, adormecer fazendo algo que gosto. Claro que é muito normal eu dormir com outra coisa além da rádio...
Ouvir a Antena 1 não me faz perder a concentração.
Leio horas a fio mesmo ouvindo a rádio e curtindo as belíssimas seleções diárias.
Ouço desde a adolescência.
Lembro que tinha amigos que diziam que não entendiam uma pessoa que não gosta de outras línguas, ser fanática por uma  rádio que só toca música internacional. Nem tento explicar.
Apenas ouvia...
Quer conhecer? Visite a Antena 1 na Internet e divirta-se.
Só lá se ouve Phill Collins, Bryan AdamsPatrick SwayzeCyndi Lauper, Sting,
E muito mais...


sexta-feira, janeiro 11, 2013

Eugenia Social em São Paulo



Eugenia Social na São Paulo de 1900...
Eugenia. Definição:  A história da eugenia, disciplina que “adquiriu um status científico e objetivou implantar um método de seleção humana baseado em premissas biológicas”(p.10) é colocada, pela autora, como um tema relevante para o historiador, se bem que desconfortável, porque  poderá contribuir a uma reflexão sobre a atitude, que percebe dominar no mundo contemporâneo, de valorização excessiva da beleza física, esta cada vez mais uniformizada, e da ideia de saúde, intimamente ligada à questão da boa aparência e da eficiência para o mercado.
Como todas as grandes cidades, São Paulo também cresceu muito nos final dos anos mil e oitocentos e início dos mil e novecentos. Este crescimento populacional foi de 20 vezes mais à população já existente e o crescimento foi resultado das mudanças iniciadas no final do século anterior e que afetaram o Brasil.
Com o fim da escravidão e a debandada dos negros que se deu rumo as cidades, começaram a existir todos os tipos de problemas comuns aos grandes centros, era o acúmulo de sujeiras, aumento das doenças, criação e expansão dos cortiços. As senhoras ricas e suas famílias tradicionais, reparavam na forma como os negros andavam nus da cintura pra cima e sem sapatos, por não possuírem estas peças.

Os brancos que se julgavam os verdadeiros donos do Brasil, não gostavam de dividir as ruas e calçadas com os mulatos e negros que andavam pela cidade e reclamavam com qualquer autoridade, fosse ela o delegado ou o prefeito. O clima não era o ideal para a boa convivência e as pessoas, de ambas as raças, não se sentiam seguras para circularem livremente e, muitos, evitavam até o contato verbal.
O sistema de trabalho era  o industrial e a maioria dos negros alforriados trabalhavam no que hoje denominamos mercado informal,  era o que conseguiam fazer para manterem suas vidas com o mínimo que conseguiam.
Vale lembrar que com o fim do trabalho escravo, os negros alforriados foram lançados nas ruas sem nenhum soldo ou direito trabalhista pelos anos de trabalhos forçados que tinham ''dado'' aos antigos senhores escravocratas. Os negros foram alforriados, mas não receberam com isto plenos poderes de cidadania. Na verdade foram abandonados à sua própria sorte, sem direito a saúde, segurança, habitação, trabalho digno e remunerado, sendo deixados para morrer a míngua, embora eles não tivessem este interesse.
Com o dinheiro novo entrando nas casas, as pessoas resolveram reformular o visual e a cidade, mas não apenas no aspecto físico, com transformações na arquitetura, e, sim, no aspecto humano, e a saída era a interiorização destes seres que incomodavam os ex-senhores de escravos e os ditos estudiosos e janotas.
O povo não aceitava partilhar rádio, bonde, iluminação elétrica, telefone e outras novidades com os ''invasores'',  vagabundos e malandros, fama dada aos trabalhadores negros de então.
O mais incrível de tudo isto é que com a modernização da época, com a necessidade de mais trabalhadores, a maioria dos industriários não pensaram em contratar os negros como empregados, apoiaram a migração europeia e assim São Paulo começou receber navios e mais navios de italianos – estes vieram em grande quantidade – e europeus. Na verdade esta solução era mais étnica que industrial, e o discurso da sociedade era sobre progresso e não sobre o descaso e discriminação. Bem, é sempre assim, os políticos quando discursam que algo é ruim para os menos favorecidos, que tal evento é necessário para o bem de todos, pensam no seu próprio bem.
No caso de São Paulo a intenção por trás do desejo da expansão industrial era o ''branqueamento'' da população paulistana e brasileira. Afirmavam que a cultura europeia era civilizada e que valia pena o ''investimento'' em pessoas de tão nobres conhecimentos. Isto lhes serviria, como pensavam, numa forma de superar a situação com os negros e que estes se extinguiriam com o passar dos tempos. Isto por acreditarem que os negros não sobreviveriam às dificuldades que se avizinhavam. E as dificuldades que se avizinhavam eram grandes, indo da falta de alimento, a saúde e educação. Viver em condições insalubres era arriscar a vida de forma direta, pois a água para beber e preparar o alimento,  era vizinha dos esgotos dos cortiços. As chamadas, hoje, viroses, enfraquecia a saúde da população negra e mestiça, matando alguns e contaminando outros, o que tornava os prognósticos fáceis de serem feitos e de se cumprirem.
Os nobres, que com o final do Império, não se importando qual regime estava no poder, agora estavam presos a cargos públicos, não aceitavam os paulistanos nativos, que eram em sua maioria de caipiras, mestiços e negros e não aceitavam estas pessoas como cidadãos brasileiros e os acusavam de serem os malfeitores da cidade. Assim como tornaram os indígenas em um problema social, agora transferiam, ou alargavam a linha para os escravos alforriados e seus descendentes.
Com a chegada dos italianos às indústrias, os trabalhos considerados degradantes foram deixados para os negros. Assim os negros tornaram-se responsáveis por limpeza de bueiros, coletas de lixo, carroceiros e outras atividades como estas. Aqueles que não conseguiam esta espécie de trabalho se contentavam com o trabalho de mascate. A fama da inépcia para o trabalho era comum a todos estes brasileiros natos. Considerados preguiçosos, não conseguiam emprego e assim acabavam, de fato, perdidos nas ruas, em trabalhos poucos recomendados e pessimamente remunerados.
A cultura dos negros, vinda do continente africano, mestiça, adquirida das misturas dos indígenas e caipiras, que já se miscigenavam com todos os fazeres que chegavam do interior do Estado, não eram sequer consideradas como arte, representações de cultura ou de lazer, assim sendo não era benquistas pela Sociedade que rejeitava estas pessoas com toda a força. Infelizmente, nos primeiros anos da República, esta população era excluída e até odiada e, claro, eram vistos como cidadãos de segunda classe.
Fora a segregação econômica, havia também a separação territorial. Onde moravam os italianos, não moravam os negros que  eram desprezados pelos europeus recém-chegados, todos influenciados pela a opinião dos governantes sobre os ''brasileiros  natos” e passaram a tratar estas pessoas com medo e desprezo.
Para resolver o problema importaram a solução da Europa também. Começaram a abrir as ruas e com isto destruíram os prédios antigos para ''desafogar'' os centros, soprando para longe a arquitetura antiga que dava a cidade paulista um ar provinciano tão odiado pelos brancos que ansiavam pelo progresso. Vale lembrar que este ar provinciano não incomodava os chamados não europeus e os quase não europeus, como afirmam os historiadores, estes corriam atrás de conseguir o pão de cada dia com sua labuta e pouco importava o que acontecia além de suas necessidades. Na verdade as pessoas ditas ''especiais'', não consideravam as demais exatamente por este motivo, a “falta de civilidade”.
Com esta situação gritante, deu-se início a eugenia social e territorial. Acreditando nos males que os ''inferiores'' poderiam causar aos de “alta linhagem”, trazendo as infecções e contágios próprios da ralé, os médicos e cientistas da época davam o embasamento científico necessário para esta política de limpeza étnica que tomava conta dos grandes centros. Os brancos acreditavam que não só os negros, mas todos os nãos europeus, por serem pobres e tão diferentes deles, poderiam causar problemas sociais e morais irreparáveis, o desvirtuamento da moralidade e dos bons costumes da sociedade.
Aos poucos os imigrantes tornaram-se um problema social tão ruim quanto os problemas iniciais que eram os negros, mestiços e caipiras. A cidade agora estava mais cheia de pessoas com interesses próprios e diferentes dos interesses dos governantes. Agora a pobreza, em si, era um problema de difícil solução, pois havia muitos “sanitaristas” envolvidos no processo de “limpeza da sociedade”, centralizada nas regiões do Vale do Anhangabaú, Largo do Rosário e bairros próximos, considerados pelos governantes, bairros marginalizados. Limitar os espaços coletivos era acatado como necessário e não era visto de forma maléfica.
Anos mais tarde os imigrantes, agora,  também, marginalizados, aceitavam viver e se relacionar com as outras pessoas marginalizadas: os negros, mestiços e caipiras. Mesmo havendo leis que proibiam a proliferação dos cortiços, estas casas amontoadas com um banheiro por andar ou por edifício, estas eram desrespeitadas e assim os cortiços aumentavam a olhos vistos.
E foi justamente a união destes povos que deram força as lutas dos povos, agora, com a influência dos italianos, as pessoas não eram desrespeitadas em sua vontade, pois conseguiram a ajuda dos europeus que vieram para o Brasil prestar serviço nas fábricas, e estes também estavam lutando contra o governo para não serem, elas próprias, deportadas.
Que fique claro, embora os imigrantes fossem vistos com desconfiança, eles ainda tinham algum respeito por parte dos brancos e governantes.
Foi durante estes anos que surgiu a obrigatoriedade da vacina, incentivada pelo sanitarista Osvaldo Cruz, mas esta é outra história.
Trocando em miúdos, a eugenia tão conhecida de nossa era, tão criticada quando foi aplicada pelos Estados Unidos da América e pelos Nazistas, é algo que sempre existiu, sendo que em alguns casos, como em São Paulo, esta pratica criminosa era considerada progressista e se referia mais precisamente à limpeza territorial. 

Elisabeth Lorena  Alves - Alguém que não gosta de ficar parada, mas que estaciona frente a um bom livro e sonha com as palavras. Posta no Elisabeth Lorena Alves -  www.eliselorena.blogspot.com.br e na Revista Biografia - www.sociedadedospoetasamigos.blogspot.com.br 
 .

quinta-feira, novembro 29, 2012

São Paulo, minha musa.[Elisabeth Lorena Alves]

Amigos, agora faço parte da Família Biografia. Meus textos, sobre São Paulo saem toda quinta-feira.
Espero contar com vocês lendo e comentando.
Hoje publico aqui meu primeiro texto que saiu na semana passada e que me fez muito feliz, pois diversas pessoas comentaram e pude interagir com cada uma delas.
Abraços...
São Paulo, minha musa.

 
Do lado Direito da rua Direita
Compositores:(Luiz Carlos / Chiquinho)
Originais do Samba

Do lado Direito da rua Direita
Olhando as vitrines coloridas eu a vi
mas quando quis me aproximar de ti não tive tempo
num movimento imenso na rua eu lhe perdi

Cada menina que passava
para o seu rosto eu olhava
e me enganava pensando que fosse você
e na rua direita eu voltarei pra lhe ver

Esta canção fala de algo muito comum em São Paulo, os desencontros que acontecem por causa do seu tamanho e das distâncias que existem entre as zonas e o centro, da dificuldade de encontrar alguém entre a multidão que povoam esta cidade. E fala da corrida diária e do amontoado de pessoas que passam pela Rua Direita, que é um marco de nossa Metrópole.
Cidade esta que já inspirou muitos poetas e compositores a escreverem textos e canções que eternizaram em versos, o coração de nosso Estado.
São Paulo é um mundo dentro de um Estado. Uma miscigenação total de povos e culturas, tem sua população formada por indígenas, europeus e nordestinos. Mas nas regiões afastadas, nas Zonas Leste e Sul, a população é de origem nordestina.
Culturalmente falando, o paulista desenvolveu uma mistura de costumes. Um paulista, filho de mineiro e nordestino, por exemplo, pode ter o costume de comer nhoque todos os dias 29 do mês, um costume tipicamente italiano, onde se coloca um dinheiro abaixo do prato, para se ter sorte – o “Gnocchi da Fortuna”.
Pizza e comida japonesa é bastante comum, inclusive as pessoas compram yakisoba até nos camelôs e em barraquinhas. Pizza é o alimento mais vendido na Capital paulista, sendo seguido de perto pelo segundo, o Sushi. Com cada povo fomos aprendendo agir e receber as pessoas, com os mineiros aprendemos a servir café para as pessoas queridas. Litros durante a visita, acompanhado de um bolo de milho. Ou bolo de fubá cremoso, calórico, mas delicioso! Na culinária, nas artes em geral e nas festas, as misturas formam uma cultura singular, que não pode ser vista em qualquer outro lugar. Mas muito do que existe no Estado de São Paulo pode ser encontrado em outros Estados e até cridos por muitos como de origem própria, no entanto foram costumes difundidos pelos bandeirantes. Mas isto é tema para outras conversas.
Nos forrós promovidos por emissoras de rádio das comunidades nordestinas, é possível encontrar todos os sotaques que fazem esta cidade. Na verdade, em todos os lugares encontramos todos os tipos de rostos, modo de falar e vestes, afinal algumas comunidades, como árabes, judeus e outros povos mantêm o hábito de cuidar da sua cultura e assim, vivem entre todos, sendo os iguais como seres humanos, mas diferentes em seus modos, porém vivendo de modo amigável entre si.
Claro que temos problemas, como todas as grandes cidades e, no momento, a Imprensa conta toda a violência que anda acontecendo ali. Mas São Paulo não é só violência, existem muitas histórias de superação, de anônimos que mudam vidas com suas atitudes. Histórias de amor, literatos desconhecidos dos demais brasileiros, mas que surgiram de lugares distantes e desconhecidos dentro do universo paulista. Artistas de rua que ganham a vida cantando nas esquinas e vendendo nas esquinas seus CDs e DVDs e alegrando a todos.
Os paulistas são vistos por alguns como preguiçosos, já os cariocas dizem que somos viciados em trabalho, os gaúchos se divertem com nossos modos comedidos e assim por diante, mas na verdade não importa como, somos todos seres paulistanos.
Particularmente acredito que o povo de São Paulo pegou para si o melhor de todos os povos. Aproveitou todas as culturas e formou seu modo de ser e agir, continuando festeiro e alegre, afinal, todos nós gostamos de estar com os outros, fazermos um ajuntamento perto de uma boa música, sempre a gosto do freguês.
Bem, na verdade São Paulo é a maior cidade libanesa no mundo, japonesa fora do Japão, portuguesa fora de Portugal e italiana fora da Itália. Além de ter muitos outros povos vindos de vários outros países, hoje por motivos diferentes que a guerra ou a colonização,
Reparo que em outros Estados de nossa Federação, as pessoas curtem um tipo de música apenas, já os paulistas e paulistanos ouvem do clássico ao internacional, curtem samba e pagode, música sertaneja e rock, tudo em uma turma só, em uma festa só.
Lembro-me de um cantor que fez uma brincadeira boba anos atrás, definindo o motivo pelo qual uma espingarda tinha dois canos. Ele disse – e espalhou-se em solo Nacional – que era para matar dupla sertaneja, o povo de São Paulo ficou com muita raiva dele e hoje percebo que se fosse nesta nossa época em que as redes sociais podem levantar uma celebridade ou destruí-la, ele sairia desta bastante marcado. O povo de São Paulo tem um coração gigante que acolhe a todos, sejam eles brasileiros ou estrangeiros, uma vez forasteiro, entre nós, é acolhido com carinho.
Existem várias curiosidades sobre nosso estado e algo que algumas famílias ainda guardam, mesmo neste nosso século de modernidade, é o hábito de certas visitas não entrarem nas casas sem a presença dos homens da casa. E muitos de nós ainda responde “oh de fora” quando alguém chama na porta e diz “oh de casa”.
Sabia que em São Paulo tinha touradas? Pois é! Aconteciam na Praça da República.
Álvares Azevedo, escritor paulista acreditava que nossa cidade era sem movimento e a comparou a um cemitério. E ele disse isto quando as famílias faziam reuniões específicas para que todos se divertissem com as noites de valsa e vinho. Era costume também fazer apostas de cavalos e o Clube era frequentado só por homens. As damas costumavam ir apenas a missa e o namoro era feito em caminhadas contrárias, pelas praças. O homem seguia pelas praças no sentido horário e as mulheres no sentido anti-horário, ambos olhando-se com interesse. Muito diferente das relações modernas onde não é necessário a mulher esperar o homem paquerar ela, sendo que se ela estiver interessada pode se dirigir direto a ele e “xavecar”- uma de nossas palavras comuns.
Bom, por hoje é só “Sangue bom” e se te interessar conhecer nosso povo querido “cola aqui” que ''é da hora''.
Elisabeth Lorena  Alves - Alguém que não gosta de ficar parada, mas que estaciona frente a um bom livro e sonha com as palavras. Posta no Elisabeth Lorena Alves ( www.eliselorena.blogspot.com.br)e no Ser Cristão (http://www.sc-sercristao.blogspot.com.br)

quinta-feira, maio 24, 2012

Um pensamento, um pastor especial e algo sobre mim... Pastor José Vieira

Esta semana na sala de bate-papo da UBE, alguém disse que não sou crente e nem pentecostal, porque não aceito o tal "reteté".
Fiquei pensando em grandes homens que viveram entre nós e nunca aceitaram esta coisa.
Hoje li um poema do Pastor Marcelo Gonçalves, Saudades, que trata extamente da época do Cristianismo puro, sem mias delongas. Aconselho que leia, é muito bom.
Deixei meu comentário lá, mas o direito aos 2000 caracteres quase foi estrapolado, pois abriu  a porta de minha lembrança.

Eu pensava, às vezes, que que estava errada de fazer as mesmas perguntas. De sentir saudades de pastores que tinha amor verdadeiro pelas almas.


O Amor?

Aos 16 anos conheci um jovem, mais velho que eu, hoje ele seria considerado pedófilo. Tinha 32 anos e disse ter se apaixonado por mim. E devia ser verdade, afinal eu era uma flor recém brotada no Jardim da Vida.
Longos meses de namoro e eu, bobinha, acreditando que iríamos ser feliz para o resto da vida.
Fofocas, interferência de terceiros e a falta de caráter dele deram fim a única coisa que eu achava que a vida tinha me oferecido.
As dores desta perda e da traição de pessoas que diziam querer o meu bem, levaram-me as portas do desespero e ao desejo de morte.
Diferente da maioria dos suicidas que vejo por aí, comecei traçar um plano onde eu morresse e acabasse com minha dor e sofrimento, sem ferir os outros.
Eu costuma sentar na lage de casa - vivia com uma tai nesta época - e ali naquela lage, eu escrevia poesias, estudava e olhava a rua. Fazia tanto isto, que conhecia o horário exato em que dois ônibus se exprimiam naquela rua apertada... 

Uma presença de vida

Foi um pastor abnegado, José Vieira, que me mandou um recado exatamente na hora em que eu, aos 17 anos, subi no segundo andar da casa aonde vivia, para dar cabo de minha vida. Por ser hábito me sentar na beira da lage, ninguém sabia o que eu faria ali naquela tarde.
Alguém passou na rua minutos antes de eu pular entre dois ônibus - era esta minha intenção - e me disse que ele queria ver com urgência todos os jovens que um dia foram crianças em sua igreja.
Eu tinha ido poucas vezes lá, mas naquele momento lembrei-me de sua força, audácia e camaradagem. Desci e fui ver o que ele queria.
Sentada no quintal de sua casa, ouvindo sua palestra lenta e verdadeira, acabei encontrando Jesus.
Através daquela vida, daquele pastor que as normas humanas negaram-lhe o título por ele não falar línguas algumas, o Senhor Jesus encontrou uma jovem que sabia desfarçar sua dor e intenção, mas a sabedoria daquele homem alcançou meu coração.
Não ergui minha mão, não disse nada, recebi ao final da conversa uma oração que me encheu de paz e ali, quietinha, só eu e Deus, me comprometi a dar outro rumo a minha vida.
E isto aconteceu.

Parte um anjo

Na outra semana, em uma segunda feira, durante a reunião dos pastores na Sede do Belém, em São Paulo, estavam todos orando para iniciar os trabalhos adminstrativos, quando ele foi tomado de nós e, para quem tinha dúvidas de seu pastorado, ele subiu falando a língua dos anjos. Os irmãos e pastores ali presentes ficaram tão felizes, que não notaram que o Senhor o recolhera.
Sou uma das flores que o Pastor José Vieira semeou em Guaianases e hoje ainda lembro-me de sua voz e oração.
Era uma época em que os irmãos oravam e buscavam a presença de Deus e não se importavam com estes movimentos vazios e sem formas, mas o Senhor usava seus servos para nos falar de forma especial e não usava de subterfúgios malucos. Era uma fé simples e verdadeira.
Ai que saudade!

quarta-feira, maio 16, 2012

Encostei-me - Álvaro de Campos



Sou meio maluca mesmo!
Imaginem que de todos os poetas deste mundo de Deus, tinha que gostar de um tão maluco quanto eu? Não sei porquê amo tanto Fernando Pessoa. Conheci por acaso na Biblioteca Cora Coralina, quando criança, em São Paulo, sentávamos juntos naquelas cadeiras duras e ríamos e chorávamos hora s a fio. Algumas vezes o “tio” Luiz, funcionário da Biblioteca vinha ao nosso encontro e como se não visse o poeta, dizia-me: “Menina, faltam 10 minutos para fechar”. Então me levantava meio chateada, me despedia do poeta, colocando seu livro sobre a bandeja e ia embora, ainda inebriada por suas sábias palavras. Fernando – Pessoa – era alguém intuitivo, parecia saber que eu precisava de carinho, então com aquele jeito meio estranho me indicava outros poemas, sempre dele, mas com outro nome, que era para eu, ainda tão menina, não me cansar dele. Espertinho! Hoje me deu saudades do Fernando e da Cora Coralina, mas aqui em Manaus, não tem nenhum dos dois. Reli então Encostei-me e vou dormir.
Bom dia!

Encostei-me

Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos,
E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício.
A minha vida passada misturou-se com a futura,
E houve no meio um ruído do salão de fumo,
Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez.

Ah, balouçado
Na sensação das ondas,
Ah, embalado
Na idéia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã,
De pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas,
De não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali,
Em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse.

Ah, afundado
Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,
Irrequieto tão sossegadamente,
Tão análogo de repente à criança que fui outrora
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento.

Ah, todo eu anseio
Por esse momento sem importância nenhuma
Na minha vida,
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos ---
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender
E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro.

Álvaro de Campos



domingo, maio 06, 2012

Um papo e uma receita

Ontém saiu o resultado final do Concurso do Dr Thomas - Fundação Dr  Thomas de Manaus - e para minha felicidade fui a 21 colocada no cargo que concorri. Classificada! - Acredita que ei não entendia direito o que era isto? Bem, quem acompanha meu trabalho e minhas postagens sabe que prestei serviço para a Prefeitura de São Paulo, mas como contratada e não sabia ao certo como funcionava estas coisas de Concursos Públicos. Sendo assim, algumas palavras e termos relacionados a concursos me são  totalmente estranhos.
Assim sendo prestei o concurso, esperei a classificação sem entender direito o que estava para me acontecer ou não.
Ontem, como disse, saiu o resultado e nem me empolguei tanto, afinal fiquei como longe dos 10 únicos exigidos. Só que em um Universo de quase 6 mil pessoas minha conquista foi sim grandiosa.
No Face os amigos riram, me elogiaram, me chamaram de Sovina porque nào quis pagar pizza para o pessoal - aleguei que em Sampa são os amigos que patrocinam a comemoração. Bem e por aí foi.

A tarde, quando sentei para meus estudos, a Claudimar, minha amiga mineirinha, me chamou e perguntou qual sobremesa eu tinha preparado hoje e eu mandei a receita para ela.
Só que aundo fui apagar, por zoeira, acabei escrevendo um poema meio prosa poética meio humor com atal receita. Digo nela que celebro a vida pois não há nada a celebrar. Só que celebro a vida, os amigos e a Deus que me fez forte para passar firme por esta batalha.
Na verdade o Falso Manjar eu não fiz para comemorar nada, optei por ele por ser fácil saber que sempre é sucesso e porque o Rogério - marido da Jane Eyre minha amiga - era o responsável pelo almoço - Jaraqui e Costela assados com um vinagrete de fechar o comércio.
Ai fiz o manjar e pronto, voltei aos estudos, mas como já disse também, ele virou poesia e foi para o Recanto, só que deixo aqui para vocês também.

Antes da Receita, minha gratidão:

Aqui parte de nossas conversas no Facebook - Por falar nisto se alguém quiser adicionar basta convidar aqui.
(...)
Aos amigos que oraram, a Deus que me deu forças para estudar, a família da Jane pelo apooio em todos os momentos, ao Eddye Junio peas cobranças, ao Rogério pelas aulas de História do Amazonas. Sim, Obrigada Rogério Camurça .
Vocês também tem uma grande parcela de responsabilidade nesta conquista. Não só por me fazer entender a magnitude de minha conquista como também por me incentivarem a participar.
Mais uma vez agradeço de coração!


Este é o comentário do Pastor Sergio Carlos da Silveira:
Quando tiramos de Deus aquilo que devemos fazer,é sinal que estamos verdadeiramente aprendendo a sermos filhos....21  LUGAR,deveria ter estudado mais....Que Deus te abençoe sempre.Parabéns

 Minha resposta a Jane:

Nossa Jane Uchôa!
Você, como sempre, sabe me fazer sentir melhor a magnitude de minhas conquistas.
Esta em especial, como comentei hoje aqui com o Rogério (via mural mesmo) que vocês são responsáveis por isto também.
Muito obrigada.
(Uma grande verdade)
Nos últimos anos Deus tem colocado em meu caminho pessoas que me ensinaram a observar o meu próprio valor. O pastor Sergio Carlos da Silveira foi um dos primeiros a fazer com que eu traçasse outros caminhos na minha vida, tomasse as rédeas dela, por mais que parecessem limitadas e você com seu apoio incondicional, tem me mostrado que posso sim ir além.
Tenho muito a gradecer sim a todos que oraram, mas dedeco esta minha vitória a vocês dois (Jane e Sérgio) pois conseguiram perceber o que havia em mim quando os outros não viam.
Sou grata a Deus pela vida de todos os que torceram de uma forma ou outra e, principlamente pela vida de vocês dois.
Obrigada sempre!
PS- E que venha SEMSA e UFAM!

Bem Jane Uchôa e não seria ele o pastor Sergio Carlos da Silveira se não me cobrasse mais.
A cara dele o comentário!
Parece que estou vendo ele falar isto.
E quando eu tirar o primeiro lugar vai dizer: Não fez mais que a obrigação.


Aproveitem!


Festa e Manjar de Morango

Hoje, domingo dia especial, resolvi comemorar
Mas como nada sério tinha de motivo
Resolvi a vida festejar.
Bem, este sim um bom motivo!

E como no Brasil só se comemora bebendo
E, algumas vezes apenas comendo,
Resolvi fazer meu famoso manjar.
Bem, não o verdadeiro, mais um falso.

E de tão falso nos manda ao cadafalso
Se não nos, manda a dieta, esta sim,
Pois o doce é milionário em açúcar
Apesar de não levar cana em pó!

Bem, mas se queres a receita, eis ela.
Coloque no doutor gritador
Água gelada (800 ml), 1 creme de leite,
Leite condensado em lata e 2 gelatinas.

Eu uso a caixinha de creme de leite
E gelatina de morango, meu deleite!

Bata no liquidificador por 4 minutos apenas
E coloque numa forma de furo central
Umedecida de óleo ou untada como queira,
Que é a mesma coisa afinal.

Leve por 2 horas ao congelador
Depois retire e reserve na geladeira
Até a hora de servir.
Cubra com calda de sorvete

E diga se eu não precisava mesmo inventar
Uma desculpa convincente para comemorar!
Pois uma delícia desta tem mesmo que ter festa.
E dize-me depois se algo disto resta.

sábado, maio 28, 2011

— Ser negro é ruim, perguntou o menino loiro. — Não respondeu o negro: Onde começa o preconceito?

.Existem coisas que acontecem na vida e as pessoas não dão o devido valor.

Criança Branca em
oração
Eu, no entanto, sou observadora do que as pessoas falam. Algumas não conseguem entender, por exemplo, como sou capaz de guardar praticamente todo o diálogo do sermão do Pastor na igreja.E sei que não é comum isto, pois até ele consegue se surpreender com o que consigo captar de seu raciocínio quando posto na pa´gina da Igreja. (http://www.sc-sercristao.blogspot.com/)
Só que vou falar não tem nada a ver com religião, seja ela qual for, é sobre humanidade, sobre quem gera os preconceitos.

O fato se deu por volta de 6 anos já, mas me lembro desde os olhares envolvidos, até as palavras infantis. O Brian, meu sobrinho, era um menino de quase 6 anos então E o caso se deu com ele.
Ele era proibido de ir para a rua, dado a idade e tamanho, e para ficar alguns minutos na pracinha adulava de todas as formas as 3 tias, a Creuza, que Deus já levou, a San (Nil) e eu. Fazia de tudo. Era capaz de nos comprar com chocolates - que ele fazia uma  tia comprar para a outra.

Neste dia vítima escolhida fui eu. Cheguei na casa da Nâno, com um livro debaixo do braço e ele ficou olhando interessado. Perguntas peculiares da idade, mas o interesse era saber se eu já lera. Disse que não, pois vinha de longe, mas neste dia a dor de cabeça - falta de meu café - não deixara abrir o livro. Ele correu conseguir café pra mim e de 5 em 5 minutos voltava perguntando se tinha melhorado.


Na terceira vez vi qual era seu interesse - rua. Dei mais um tempo na conversa e me ofereci logo. Afinal, pobrezinho, tão preocupado, não é?

E lá  esqueci da cabeça, do menino e da vida, me apeguei ao livro como um náufrago à uma madeira e fiquei a ler, deitada na pracinha Gonçalo Ravasco, em frente a nossa casa.

Algum tempo depois chegou uma senhora muito branca e sentou-se por perto. Mantinha a bolsa agarrada ao corpo e o olhar fixo no Brian.
 Sabe instinto? Pois é, acho que foi isto. Tirei os olhos do livro e olhei aquilo. A mulher olhava atenta para o filho, um garoto bem loirinho, que corria pela praça, na verdade, no miolo da praça. O garoto se interessou pelo Brian que nesta época ainda tinha paciência com o resto do mundo.

Logo aquelas duas cabecinhas cheias de ideias estavam a cavoucar o chão. Acho que pretendiam chegar ao Japão ou coisa assim.

A mulher permanecia tensa, agarrada a bolsa como um Judas Iscariotes agarrava a "mucuta' que o Senhor recebia de oferta ou sei lá como. Os olhos temerosos não desgrudava do filho e eu percebia que ela nada dizia pois volta e meia o Brian erguia os olhos e me perguntava: a senhora está melhor?

Olhando para mim, que estava então com os cabelos lisos e curtos, quase Chanel - imagine aí a cara de lua cheia - de pele clara perto de meu sobrinho, meus cabelos extremamente loiros - muita tinta, ela, por certo,  imaginava que eu fosse a mãe ou algo assim.

Terminaria por aí, se não acontecesse algo.

Na conversa dos meninos, o loirinho, mais novo, porém tão esperto quanto meu sobrinho, perguntou pra ele:

— VOCÊ É NEGRO?
— Sim, respondeu.
— E não se importa de ser negro?
— Não - respondeu de novo, agora sorrindo.
— Na sua casa todo mundo é negro? - perguntou o outro.
— Meu pai, meu irmão e eu. Minha mãe não é. Ela usa Henê - (Pelúcia, médio, como eu hoje, para baixar a juba).

Enquanto isto, a mulher nem aí. Com cara de medo estava, com cara de medo continuou.

E os meninos:
O loirinho de novo.
— E ser negro é ruim.
— Não. É legal, respondeu. - Virou-se perguntou sobre minha cabeça e continuou a fuçar o buraco com a varetinha.
— E você gosta de ser negro?
E meu sobrinho, sorrindo perguntou, em resposta:
— E você gosta de ser loiro?
O menino riu e respondeu:
— Sim, todo mundo é loiro.
Meu sobrinho, que ainda não tinha grande percepção de Universo respondeu de volta:

( O Brian - na verdade Braiann em questão - e a prima.
— Não Juninho, todo mundo não. Só você e minha avó.
O menino retrucou:
— Minha mãe também.
E me sobrinho:
— Sim, igual minha tia. Viu? - E me apontou, explicando. - Ela pinta o cabelo. E continuou:  -Loiro de verdade, Juninho, tem olho azul.

A mulher ia falar alguma coisa, mas meu olhar, que sorria para conversa, fechou-se irado em sua direção.

E meu sobrinho, continuou. 
— As pessoas Juninho, são igual caixa de leite. Não importa o que você vê fora. Só interessa é que e é leite.
O menino, sorriu e disse: 
— Que legal.
Pensou um instante e perguntou de novo.
— E todo leite é leite, "né"? 
— Sim, não interessa a marca. ( Aqui na verdade ele citou duas marcas, mas não vou receber desconto, não vou dizer quais).

E a mulher, que não aguentou mesmo ficar calada, levantando, retrucou meu sobrinho:

— Sim tudo é leite, mas tem uns que são de marca melhor.
E meu sobrinho - sorrindo.
— E sim, senhora dona Branca, mas os leites de marca (citou 2) também "estraga".
Ergueu-se, me deu a mão e disse:
— Vamos tia, mamãe vai fazer outro café para você.


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Beleza Negra
Você pode perguntar como foi que deixei este diálogo acontecer. No entanto, quando minha irmã resolveu ter filhos, muitas pessoas disseram que eles sofreriam preconceito já que ela em vez de clarear a família, estava escurecendo casando com uma pessoa "de cor". Ela disse que não permitiria que eles fossem discriminados, mas que isto se daria com inteligência.



E sempre ensinou a eles - são 2 - que se deve respeitar as pessoas pelo que elas representam. E não pelo que elas possuem. Ela diz para els que as pessoas são apenas casca, que o que vale é o que está dentro, que quando pensamos em alguém especial, dificilmente falamos das características físicas, falamos dos sentimentos, das qualidades que estas pessoas possuem.



Não digo que eles não tenham sofrido discriminação, mas em nosso meio - somos pobres - é menor. No entanto, quando acontece, ela deixa a coisa rolar, pois por serem bem embasados os meninos sempre tiveram boas respostas a dar.



O leite mesmo, que estraga, foi ele que teve a ideia ali, quando tentou explicar sobre como as pessoas são iguais, em essência.



E pode crer, enquanto saíamos da praça e seguíamos para nosso lar, de portão velho de madeira, a casa mais pobre da vila, ele seguia rindo de outra coisa. Esquecido do acontecido, pois teve resposta para dar. Mas a mulher ficou lá com a mão estendida para um filho, mas com o olhar fixo no menino de 5 anos que lhe dera a maior resposta que por certo ela recebeu na vida.







Eu tomei meu café delicioso, nem contei o caso em casa. Anos depois sim, mas não naquele dia.



E ela, por certo, ficou ouvindo ricochetear na memória:







— E sim, senhora dona Branca, mas os leites de marca também "estraga".

Por, Elisabeth Lorena Alves






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