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domingo, janeiro 16, 2022

Parabéns, Sarita!


 Logo de cara na vida tive duas primeiras melhores amigas. Margarete Darc Fidelis e Sarita Julião.

Duas primas. Uma pouco mais de 6 meses mais velha e a Sarita, 1 ano mais nova.
Hoje é o dia da segunda.
Dividimos muito mais que o mês natalício. Ela desde muito pequena sempre percebeu o ambiente nocivo de minha existência, Segurava minha mão depois que eu apanhava sem motivo sob a frase ''Mãe pode não saber porque está batendo, mas o filho sabe porque está apanhando''. O problema é que eu nunca sabia o motivo porque apanhava, mas tinha por certo que se Sarita visse, ela chamaria aos berros por nossa avó ou por sua mãe e depois, se não desmaiasse de desgosto por me ver ferida, seguraria a minha mão e secaria as lágrimas que eu já não conseguia derramar.
Sarita é assim até hoje. Se desapareço do WhatsApp ela me procura até me encontrar, sabe que estou revisitando antigas feridas e me impulsiona de volta ao presente, mostrando o quanto sou abençoada por viver outra realidade.
Não esquece meu bom dia. Lembra sempre de orar por mim. Está mais para mim do que estou para ela e mesmo assim ela não muda.
Só conheci outra pessoa assim como ela, minha tia Maria, sua mãe.
Sarita é boa sem ser boba. Sempre foi assim. Sapeca, era mais companheira dos meninos que eu e eles para garantir sua segurança eram obrigados a mentir para que ela não os acompanhasse nas estripulias. Bobagem deles. Sarita sempre foi forte e soube se safar bem das erratas da infância.
''Passa Anel que podia ser pedra, graveto qualquer coisa que deslizassem entre as mãos e ''Beijo, abraço, aperto de mão'' eram nossas brincadeiras preferidas. Mas tinha brincadeira de rodas e esconde-esconde com a permissão da vó Eulina e debaixo da orientação de ter cuidado ''modi não quebrar as plantinhas''. O problema é que nossos melhores esconderijos eram mesmo entre as árvores da chácara do vovô Manoel. Quebrar plantinha era coisa natural e ouvir reprimenda também.
Crescemos e não brincamos mais destas coisas. Ela seguiu trabalhando e criando filhos, o Davi e o Felipe, cuidando da vida dela longe de mim, eu sigo aqui tentando viver, mas nunca deixamos esfriar nossa amizade.
Por isso mesmo, hoje, que é o aniversário dela, venho aqui agradecer a Deus por me dar uma prima tão maravilhosa e ter nela uma amiga tão especial. e não só isso.
Venho também felicitar você, prima querida, por essa data tão especial: Feliz Aniversário e muitos Parabéns por essa data querida.
Desejo que você seja sempre muito feliz e abençoada. Amo muito você! E desejo que hoje você receba muitos Beijos e Abraços e sinceras felicitações.

quinta-feira, novembro 08, 2012

Um carinho para as amigas...


 Beatriz é minha sobrinha número 2. Uma mocinha hoje, mas sempre minha alegria!

 Elizabete Branco Zotta é alguém especial. Uma amiga virtual, mas sempre presente. Estamos nos combinando para nos encontrarmos em junho de 2013, quando eu estiver de volta a Sampa!


 Bianca é minha sobrinha número 3. Por anos dividíamos uma pinta no rosto, logo acima dos lábios. A dela cresceu demais e os médicos tiveram que retirar. Mas ela continua linda.

Brenda é minha sobrinha número 4. Linda que só, minha Princesa.
Infelizmente por causa do problema de Segurança no Estado de Sào Paulo, seu pai foi assassinado dois dias antes de seu nascimento. Sofremos muito a morte do Márcio, meu primo-irmão.
Por anos ela perguntava por ele. Hoje sabemos que ela guarda suas perguntas sem respostas para si mesma.

Todas as sobrinhas D'arc. Como esta marcado são bruna, Beatriz, Bianca e Brenda.

 Carol Alencar, bem, esta é uma amiga especial. Uma jovenzinha tão nova ainda, que me auxilia em orações, que divide seus sonhos comigo, que divide suas alegrias e ouve as minhas tristezas.
De todas as pessoas de São Paulo, é uma das que mais sinto saudades.
É a mãe do pequeno Davi. Um menino gracinha que me fazia festa em todo o lugar quando me via chegar.
Meu Deus como a saudade dói!


Edna uma amiga super maluca! A gente se entende bem. E toda vez que quero um doce, corro na casa dela. Afinal, tem um bolo de chocolate que o Tato, marido dela, faz... Uma delícia! E temos TPM, somos partidárias desta angústia mensal. E ela é quem faz minha unha. A gente mais brinca que faz qualquer outra coisa qunado estamos juntas. Nos falamos por Facebook todo dia, mas tenho saudades.



 Giselle Ribeiro é uma pessoa querida que chegou em minha vida meses antes de eu vir para Manaus. Comecei falar com ela e com o esposo dela, o Alexandre, para recepcioná-los quando chegaram a IPCO-Guaianases. Mas rapidamente deixou de ser uma relação social e passou para uma amizade maravilhosa.
A Giselle é como uma brisa que vem e fica, que refresca a vida.
Sinto saudade dela também.


 Jane Eyre é um anjo sem asas. Uma pessoa maravilhosa.
Nosso relacionamento iniciou-se de forma virtual. Começamos nos comunicar pela Internet e por anos assim foi. Dois anos na verdade. Um dia ela viajou para uma Seminário de Enfermagem em São Paulo e eu a convidei para ir a minha casa. E ela foi, por duas férias seguidas, quando combinamos que  apróxima visita seria a minha até Manaus. Dia 6 fez 11 meses que esta viagem se iniciou, mas ainda não acabou.
O passeio tornou-se um tratamento, que tem me garantido andar de forma independente. Mas isto esta por ai pelo blog, marcado como Pedaços de mim. Caso você se interesse e queira ler...
Hoje ouvi o Roberto Leal definir famílai de modo formidável: Família não é aquela criada por laços de sangue. É na verdade os gerados pelos laços do coração, mesmo que estejam a distância de muitos mares. Afinal, quando amamos não há distância que destrua uma grande sentimento.
Lia Rodrigues é uma pessoa especial. Uma de minhas irmãs biológicas, um das poucas que eu tenho contato, tanto em Sampa, quanto aqui, através do Facebook e de celular. Ela é uma pessoa em crescimento. Ela tornou-se mãe de duas outras Princesasde minha vida, a Emilly e a Jhennifer.

A Lôlo é uma pequena joinha, filha do Tatto e da Edna.
Um presentinho de Deus.
Posso estar possessa de nervoso, com a TPM em escala vulcânica, que ela consegue me roubar um sorriso.
Para se ter ideia de como ela é, perguntou a mãe estes dias se eu ia morar aqui, pois acha que estou demorando.
Ri muito quando a Edna me contou.




Marcinha é uma amiga especial. Apesar de virtual, ela aco panha minha vida pela web cam sempre. Sou fà dela, de sua forma maluca de viver, de seu modo meio louco de ser mãe, de sua vivacidade como mulher e como cristã.
Sempre nos falávamos quando estava em Sampa, mas hoje estamos amis ligada pelo Facebook, pois ela tem um filho de poucos meses que toma seu tempo todo, o Gustavo. Seu filho mais velho, o Thiago, é um show de menino. Ele grava mensagens pelo msn dela e me envia. E me faz chorar com seu carinho.
Sou feliz por sermos amigas.



A Maria Candido é na verdade uma doce menina, a Nininha. Depois que casou perdeu o apelido de infância, ams é assim que a verei para sempre. A doce Nininha.
Quando fiquei de cama ela ia me visitar e passava horas conversando comigo sobre tudo.
Principalmente sobre fé e livros. Temos o gosto pela Literatura em comum.





Bruna D'arc é minha sobrinha número 1. Uma Princesa linda que este ano assustou-me decidindo que era hora de casar! Estou surpresa ainda e torcendo apra que ela seja feliz.
A Leide é mãe de minhas Princesas D'arc.
Quando nos conhecemos as pessoas acreditavam que eu a detestaria. Mas ela me conquistou plenamente e tornou-se uma irmã, além de prima. Somos polos diferentes, pessoas de pensamento diferente e temperamento distante, mas juntas somos especiais.
Ela sabe tornar qualquer pessoa em alguém especial.
Sabe amar as pessoas como poucos e é uma pessoa maravilhosa.
Sou apaixonada pelo jeito dela agir.
Torço por sua felicidade e sei que ela torce também por mim.

Esta brincadeira com "anime girl" começou no Facebook com a Marcela Uchôa, que me encaminhou uma fotinho linda com estas figuras e meu nome. Acabei criando estes 'cards'  para estas pessoas queridas e para outras, que acaebi enviando para o perfil no Facebook, mas quis falar aqui sobre estas pessoas especiais que fazem aprte de  minha vida.
Beijos

terça-feira, junho 12, 2012

Um recado ao amor e a paixão

Um cartão para você que namora a Glicose ou o Oxigênio:
Lindas Frases de Amor Imagens Românticas Frases Românticas Frases de Carinho Frases de Amor Fotos com Frases de Amor Eu amo Você Dia dos Namorados Declaração de Amor Carinho Amor  frases de amor

Já pensou que tem gente que parece que namora o Oxigênio?
Sim, vira e diz: Sem você eu morro.
O outro parece que namora a Glicose: Sem você não sei viver!
Rio com estas frases estranhas.
Apenas!

Mesmo sendo romântica e, como a maioria de meus leitores sabem, gostar de poesias, de escrever e e de lê-las, ainda não entendo este sentimento desvarado que as pessoas vivem. Muitos dizem amar, mas é na verdade um sentimento obsessivo!
Entram em paranoia se imaginam o ser "amado" apenas conversando com outra pessoa. Acho que por isto amo meus livros, minhas poesias e meus amigos.
Não conseguiria viver em função de um sentimento aprisionante como este amor que as pessoas dizem sentir!
Acredito em amor livre, onde há respeito, amizade, companheirismo, diálogo e interesses mais firmes que apenas uma atração sexual.
Sei que quando amamos, queremos ter o carinho da pessoa amada, queremos mais que uma rosa diária - eles não costumam dar tantas flores assim, dirão alguns! - queremos ter mais que as outras pessoas recebem daquele a quem devotamos nossos sentimentos, MAS amor não é atrito de pele, é mais que isto.
É o que espero da pessoa que esta comigo, dividir os sonhos, dividir a missão, somar experiências, viver algo mais que momentos de prazer que como o fogo das velas se apagam logo.
O que faz valer a pena uma relação verdadeira é de fato a confiança, o companheirismo, o diálogo, pois quando todo o mais acabar, é isto que vai segurar a manutenção dos nossos projetos. Isto é amor!
Amor é o que você constrói com alguém, a parceria, o olhar dentro dos olhos e saber o que o outro pensa ou quer, é reconhecer o sentimento pelo toque no rosto, o baixar dos olhos, uma sombra passageira atrás do sorriso, o vincar da testa, o apertar dos lábios, o jogar os ombros de uma forma específica que te faz reconhecer o peso do dia ou da vida.
Isto é amor e não nasce no primeiro olhar, ele é um investimento diário, algo especial que faz com que você queira mostrar ao mundo sua felicidade.
O amor não é egoísta, a paixão é.
O amor é suave como uma tarde de primavera ou uma manhã de outono, já a paixão é quente, transbordante como o mais quente dos dias de verão e, gelado como a pior noite de inverno.
O amor te alimenta, a paixão te suga, te cansa.
O amor te aconchega, a paixão te isola, te consome em sensação de dependência.
O amor te deixa livre, a paixão te aprisiona.
O amor te trás paz e sossego, a paixão desassossega.
O amor cria raízes, a paixão te tira o chão.
O amor trás a vida, mesmo na dor do desapego.
A paixão, em extremo, mata!
A Paixão é falha, afinal, comsome-se em si mesmo.

Bem, e como é que a paixão falha?
Veja por exemplo, quando alguns jovens, no calor da paixão, tornam fato o desejo que os consome. Quantos não acabam na fila do aborto, terminam como filhos de pais separados, filhos sem pais, crianças para adoção, abandono de incapaz, e, outros problemas tais, que acabam envolvendo a família.
Quantos casamentos que jamais aconteceria em situação normal, acabam acontecendo por causa da pressa em satisfazer os desejos comuns da paixão e, mais uma vez, a maioria acaba em relacionamentos conflituosos e em separação difíceis e divórcios mais difíceis ainda – muitos tendo os filhos como vítima.
Já o amor faz planos, imagina onde viverão, como serão os filhos, o que vestirão, onde estudarão. Mesmo entre as pessoas mais simples.

O Amor

Lembra do Livro de Coríntios, capítulo ? A Poesia do amor?
Vamos relembrá-la?

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca falha (1 Coríntios 13:3-8)

A Paixão
Agora, peço licença aos irmãos e amigos – e ao apóstolo Paulo – e refaço a poesia, colocando no lugar do amor, a Paixão. Vejamos como ficaria?

A paixão faz sofrer – e não aceita o sofrimento.
A paixão é maldosa, a paixão é invejosa – dá-se que se a pessoa por quem há este sentimento estar com outra pessoa, o ser “apaixonado” vai fazer de tudo para ter para si.
A paixão é leviana, por sua própria natureza – ela busca a realiza,ão de si mesma, mas uma vez conseguida a satisfação deixa de ter importância.
A paixão se ensoberbece – quantas vezes você não ouviu uma pessoa dizer: “Viu que ele deixou ela para ficar comigo?”
A paixão é indecente – todo apaixonado acredita que os fins justificam o meio – e muitas vezes para conseguir o que quer a pessoa apaixonada faz coisas que não faria em circunstâncias normais! - Isto porque a Paixão busca sempre os seus interesses. A paixão é irritadiça – afinal em sua maioria, os apaixonados são ciumentos – e muitas vezes o são sem nenhum motivo especial e isto em si mostra algo mais sobre a paixão – ela suspeita o mal, afinal sua natureza é astuta.
A paixão compactua com a injustiça, pois para realizar-se, ela usa todos os meios que acredita ser seu direito para satisfazer-se.
A paixão, repito, não aceita o sofrimento – principalmente quando esta sujeito a deixar a pessoa amada seguir seu caminho e ser feliz com alguém que não com ela.
A paixão não compactua com a confiança, pois só crê em si mesma e em seus métodos.
A paixão nada espera, a não ser a realização de seus próprios instintos.
A paixão nada suporta.
A paixão falha.


PS - Leia o texto de Jane Uchoa no Facebook sobre Oxigênio e Glicose, Doce Vida. Um grande alerta  para sua Saúde!

terça-feira, maio 15, 2012

Ser Cristão: Cuidando da Família

Preocuopa-se com sua Família? Então leia hoje no Ser Cristão: Cuidando da Família
A Mensagem de hoje no Ser Cristão é muito valiosa para todas as famílias, diferente de ontém, que era direcionada a todas as famílias, cristãs ou não, esta mostra através da Bíblia, que há sim formas de termos um Lar mais feliz, se seguirmos ao menos alguns preceitos bíblicos.
Apesar de ser um estudo, esta baseada em poucas referências bíblicas, pois esta é mesmo o foco da mensagem, que esta marcada também como Porção Diária e, por isso mesmo não pode ser muito longa, pois os leitores do blog que acompanham estas mensagens curtas, não costumam se ocupar das maiores.
E não é por isso que o pessoal da IPCO-Brasil vai deixar de lado esta fatia de leitores, afinal, eles também tem suas famílias.
Bem, e cá entre nós, esta é mais uma deminhas colaborações...
Amei escrever. Foi correndo por causa do Concurso do dia 27, mas dei um breque e corri lá dar minha colaboração. Não gosto de ficar por fora.
Se você for lá, deixa um oi, diz que voiu a chamada aqui. Vou gostar de saber.
Beijos carinhosos!
Lorena

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Eu sem Palavras?


Primeiro Domingo do Ano, Primeiro dia de 2012

Um novo Ano, um novo dia e esperanças nem tão novas assim.

2012 começou antes para mim, começou em Projeto do qual faço parte como peça fundamental, embora esta seja uma situação da qual ainda não me acostumei, estou em tratamento. E este se dá longe de casa, longe da minha família (IPCO-Guaianases) e de amigos que fiz ao longos dos anos e das dores.

Meu novo ano iniciou-se com uma corrida matinal com o Diogo até o Aeroporto de São Paulo na manhã de 06 de Dezembro de 2011.

Neste mesmo dias, horas depois, passava a fazer parte de fato de uma nova família, que me aceitou com carinho 3 mil kilometros distantes de minha humilde casa. Não sei usar as palavras quando há sentimentos meus envolvidos, escrevo melhor sobre os sentimentos dos outros, mas sinto-me na obrigação moral de dizer hoje um Muito Obrigada especial à estas pessoas que fazem parte de minha família hoje. Talvez eles nem tenham noção do que representam para mim e de que estrutura de amor eles fazem parte hoje, pois outros amigos especiais que formam minha família, os adotaram também, por reconhecerem o tamanho da Obra que estas família especial tem desenvolvido por mim. Reconheço que entrei de chofre na vida destas pessoas queridas, mas sei que foi uma entrada esperada e que por isto mesmo tem sido muito boa, principalmente para mim. Tenho recebido um carinho muito especial.

Agora mesmo, sentei-me aqui para pegar uma roupa para tomar um banho, e fiquei aqui a meditar, que justamente eu que sempre pedi a Deus uma família e que, me perdoem todos, sempre me vi sem resposta, hoje percebo que minhas orações foi respondida de forma diferente. Minha família existe hoje, desde outubro de 2009, e estende-se a este lugar longínquo – sem índios – lugar chamado Manaus, onde a Jane Uchôa e o Rogério Camurça me receberam com imenso carinho E que além do Eddye – meu professor de violão acreditem! - juntaram-se a outros para fazer com que me sinta bem aqui.

Agora, escrevo estas palavras envolta em minha emoção, acabo de chegar de um almoço de Ano Novo – uma reunião familiar para eles – onde todos se lembraram de mim. Me senti uma celebridade, fui apresentada à Cultura local – teatro, orquestra, opera e museus – em um conversa maravilhosa com a Francisca Uchôa, recebi presentes com alguém da família – e amei todos – comi o creme da Marcela Uchôa, sorri das brincadeiras do Dom Miguel, que ficou feliz com seu carro amarelo, revi o Elielson e fui recebida com carinho pela dona da casa, dona Heloísa – simplesmente Isa.

Estou aqui sentada, olhando este PC e me lembrando sim de minha família amada, de todos, tenho saudades, mas sinto-me bem aqui, tão distantes dos que amo, mais cercada por este sentimento sincero de amor e lealdade tão necessários para se formar uma família e fortalecer uma amizade.

Se fosse falar acabaria chorando, de alegria por estar aqui e de saudade por estar distante, então escrevi, que é assim que revelo meus segredos e meus sentimentos.

Obrigada a vocês que acreditaram em mim e me permitiram com seu apoio atravessar esta jornada para estar longe de vocês e a vocês que me estenderam a mão aqui, muito obrigada por tudo.

Elisabeth

sábado, maio 28, 2011

— Ser negro é ruim, perguntou o menino loiro. — Não respondeu o negro: Onde começa o preconceito?

.Existem coisas que acontecem na vida e as pessoas não dão o devido valor.

Criança Branca em
oração
Eu, no entanto, sou observadora do que as pessoas falam. Algumas não conseguem entender, por exemplo, como sou capaz de guardar praticamente todo o diálogo do sermão do Pastor na igreja.E sei que não é comum isto, pois até ele consegue se surpreender com o que consigo captar de seu raciocínio quando posto na pa´gina da Igreja. (http://www.sc-sercristao.blogspot.com/)
Só que vou falar não tem nada a ver com religião, seja ela qual for, é sobre humanidade, sobre quem gera os preconceitos.

O fato se deu por volta de 6 anos já, mas me lembro desde os olhares envolvidos, até as palavras infantis. O Brian, meu sobrinho, era um menino de quase 6 anos então E o caso se deu com ele.
Ele era proibido de ir para a rua, dado a idade e tamanho, e para ficar alguns minutos na pracinha adulava de todas as formas as 3 tias, a Creuza, que Deus já levou, a San (Nil) e eu. Fazia de tudo. Era capaz de nos comprar com chocolates - que ele fazia uma  tia comprar para a outra.

Neste dia vítima escolhida fui eu. Cheguei na casa da Nâno, com um livro debaixo do braço e ele ficou olhando interessado. Perguntas peculiares da idade, mas o interesse era saber se eu já lera. Disse que não, pois vinha de longe, mas neste dia a dor de cabeça - falta de meu café - não deixara abrir o livro. Ele correu conseguir café pra mim e de 5 em 5 minutos voltava perguntando se tinha melhorado.


Na terceira vez vi qual era seu interesse - rua. Dei mais um tempo na conversa e me ofereci logo. Afinal, pobrezinho, tão preocupado, não é?

E lá  esqueci da cabeça, do menino e da vida, me apeguei ao livro como um náufrago à uma madeira e fiquei a ler, deitada na pracinha Gonçalo Ravasco, em frente a nossa casa.

Algum tempo depois chegou uma senhora muito branca e sentou-se por perto. Mantinha a bolsa agarrada ao corpo e o olhar fixo no Brian.
 Sabe instinto? Pois é, acho que foi isto. Tirei os olhos do livro e olhei aquilo. A mulher olhava atenta para o filho, um garoto bem loirinho, que corria pela praça, na verdade, no miolo da praça. O garoto se interessou pelo Brian que nesta época ainda tinha paciência com o resto do mundo.

Logo aquelas duas cabecinhas cheias de ideias estavam a cavoucar o chão. Acho que pretendiam chegar ao Japão ou coisa assim.

A mulher permanecia tensa, agarrada a bolsa como um Judas Iscariotes agarrava a "mucuta' que o Senhor recebia de oferta ou sei lá como. Os olhos temerosos não desgrudava do filho e eu percebia que ela nada dizia pois volta e meia o Brian erguia os olhos e me perguntava: a senhora está melhor?

Olhando para mim, que estava então com os cabelos lisos e curtos, quase Chanel - imagine aí a cara de lua cheia - de pele clara perto de meu sobrinho, meus cabelos extremamente loiros - muita tinta, ela, por certo,  imaginava que eu fosse a mãe ou algo assim.

Terminaria por aí, se não acontecesse algo.

Na conversa dos meninos, o loirinho, mais novo, porém tão esperto quanto meu sobrinho, perguntou pra ele:

— VOCÊ É NEGRO?
— Sim, respondeu.
— E não se importa de ser negro?
— Não - respondeu de novo, agora sorrindo.
— Na sua casa todo mundo é negro? - perguntou o outro.
— Meu pai, meu irmão e eu. Minha mãe não é. Ela usa Henê - (Pelúcia, médio, como eu hoje, para baixar a juba).

Enquanto isto, a mulher nem aí. Com cara de medo estava, com cara de medo continuou.

E os meninos:
O loirinho de novo.
— E ser negro é ruim.
— Não. É legal, respondeu. - Virou-se perguntou sobre minha cabeça e continuou a fuçar o buraco com a varetinha.
— E você gosta de ser negro?
E meu sobrinho, sorrindo perguntou, em resposta:
— E você gosta de ser loiro?
O menino riu e respondeu:
— Sim, todo mundo é loiro.
Meu sobrinho, que ainda não tinha grande percepção de Universo respondeu de volta:

( O Brian - na verdade Braiann em questão - e a prima.
— Não Juninho, todo mundo não. Só você e minha avó.
O menino retrucou:
— Minha mãe também.
E me sobrinho:
— Sim, igual minha tia. Viu? - E me apontou, explicando. - Ela pinta o cabelo. E continuou:  -Loiro de verdade, Juninho, tem olho azul.

A mulher ia falar alguma coisa, mas meu olhar, que sorria para conversa, fechou-se irado em sua direção.

E meu sobrinho, continuou. 
— As pessoas Juninho, são igual caixa de leite. Não importa o que você vê fora. Só interessa é que e é leite.
O menino, sorriu e disse: 
— Que legal.
Pensou um instante e perguntou de novo.
— E todo leite é leite, "né"? 
— Sim, não interessa a marca. ( Aqui na verdade ele citou duas marcas, mas não vou receber desconto, não vou dizer quais).

E a mulher, que não aguentou mesmo ficar calada, levantando, retrucou meu sobrinho:

— Sim tudo é leite, mas tem uns que são de marca melhor.
E meu sobrinho - sorrindo.
— E sim, senhora dona Branca, mas os leites de marca (citou 2) também "estraga".
Ergueu-se, me deu a mão e disse:
— Vamos tia, mamãe vai fazer outro café para você.


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Beleza Negra
Você pode perguntar como foi que deixei este diálogo acontecer. No entanto, quando minha irmã resolveu ter filhos, muitas pessoas disseram que eles sofreriam preconceito já que ela em vez de clarear a família, estava escurecendo casando com uma pessoa "de cor". Ela disse que não permitiria que eles fossem discriminados, mas que isto se daria com inteligência.



E sempre ensinou a eles - são 2 - que se deve respeitar as pessoas pelo que elas representam. E não pelo que elas possuem. Ela diz para els que as pessoas são apenas casca, que o que vale é o que está dentro, que quando pensamos em alguém especial, dificilmente falamos das características físicas, falamos dos sentimentos, das qualidades que estas pessoas possuem.



Não digo que eles não tenham sofrido discriminação, mas em nosso meio - somos pobres - é menor. No entanto, quando acontece, ela deixa a coisa rolar, pois por serem bem embasados os meninos sempre tiveram boas respostas a dar.



O leite mesmo, que estraga, foi ele que teve a ideia ali, quando tentou explicar sobre como as pessoas são iguais, em essência.



E pode crer, enquanto saíamos da praça e seguíamos para nosso lar, de portão velho de madeira, a casa mais pobre da vila, ele seguia rindo de outra coisa. Esquecido do acontecido, pois teve resposta para dar. Mas a mulher ficou lá com a mão estendida para um filho, mas com o olhar fixo no menino de 5 anos que lhe dera a maior resposta que por certo ela recebeu na vida.







Eu tomei meu café delicioso, nem contei o caso em casa. Anos depois sim, mas não naquele dia.



E ela, por certo, ficou ouvindo ricochetear na memória:







— E sim, senhora dona Branca, mas os leites de marca também "estraga".

Por, Elisabeth Lorena Alves






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