quinta-feira, fevereiro 04, 2010

E. F. do Norte (1875-1889)
E. F. Central do Brasil (1889-1975)
RFFSA (1975-1994)
CPTM (1994-2000)
GUAIANAZES
(antiga LAGEADO e CARVALHO ARAÚJO)
Município de São Paulo, SP
Ramal de São Paulo - km 474,994 SP-0167
x Inauguração: 06.11.1875
Uso atual: restaurante com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1982
HISTORICO DA LINHA: Em 1869, foi constituída por fazendeiros do Vale do Paraíba a E. F. do Norte (ou E. F. São Paulo-Rio), que abriu o primeiro trecho, saindo da linha da SPR no Brás, em São Paulo, e chegando até a Penha. Em 12/05/1877, chegou a Cachoeira (Paulista), onde, com bitola métrica, encontrou-se com a E. F. Dom Pedro II, que vinha do Rio de Janeiro e pertencia ao Governo Imperial, constituída em 1855 e com o ramal, que saía do tronco em Barra do Piraí, Província do Rio, atingindo Cachoeira no terminal navegável dois anos antes e com bitola larga (1,60m). A inauguração oficial do encontro entre as duas ferrovias se deu em 8/7/1877, com festas. As cidades da linha se desenvolveram, e as que eram prósperas e ficaram fora dela viraram as "Cidades Mortas"... O custo da baldeação em Cachoeira era alto, onerando os fretes e foi uma das causas da decadência da produção de café no Vale do Paraíba. Em 1889, com a queda do Império, a E. F. D. Pedro II passou a se chamar E. F. Central do Brasil, que, em 1896, incorporou a já falida E. F. do Norte, com o propósito de alargar a bitola e unificar as 2 linhas. O primeiro trecho ficou pronto em 1901 (Cachoeira-Taubaté) e o trecho todo em 1908. Em 1957 a Central foi incorporada pela RFFSA. O trecho entre Mogi e São José dos Campos foi abandonado no fim dos anos 1980, pois a construção da variante do Parateí, mais ao norte, foi aos poucos provando ser mais eficiente. Em 31 de outubro de 1998, o transporte de passageiros entre o Rio e São Paulo foi desativado, com o fim do Trem de Prata, mesmo ano em que a MRS passou a ser a concessionária da linha. O transporte de subúrbios, existente desde 1914 no ramal, continua hoje entre o Brás e Estudantes, em Mogi e no trecho D. Pedro II-Japeri, no RJ.
A ESTAÇÃO: Aberta em 1875, como Lageado, pela E. F. do Norte. Nos anos 1930, o nome foi alterado para Carvalho de Araújo, homenageando um diretor da Central, João Carvalho de Araújo. (Nota: outra estação foi aberta com o nome de Lageado, em 1998, portanto mais de cem anos depois, pela CPTM, por causa do bairro, e mudou também logo depois, para Gianetti). O nome de Carvalho de Araújo teria sido alterado para Guaianazes em novembro de 1943. Há relatos sobre três linhas que saíam da estação em tempos remotos: uma delas, particular, tinha bondes e seguia até a localidade de Santa Etelvina (hoje região muito pobre - a Cidade Tiradentes). Era conhecida como bondinho da Passagem Funda, e, segundo Wanderley Duck, ele teria funcionado entre os anos de 1919 e 1945, embora outras fontes dêem o período como sendo entre 1908 a 1937 (embora mapas posteriores ainda mostrassem os seus trilhos). O historiador José de Souza Martins lembra-se da estação em 1948: "Naquele 1948 em que fui matriculado no Grupo Escolar Pedro Taques, Guaianases era um povoado ao lado da estação ferroviária, as ruas iluminadas à noite por lampiões de querosene. No largo da estação terminava a estrada de terra que vinha da Fazenda Santa Etelvina. Era o meu caminho, 16 quilômetros batidos a pé, entre a ida e a volta, entre o casebre da roça e a sala de aula lotada, três alunos por carteira. (...) De vez em quando era chamado o batalhão dos mata-formigas da Prefeitura de São Paulo, que chegava lá na roça para acabar com os formigueiros. (...) O requintado prato indígena estava condenado no que ainda não era a degradada periferia urbana de São Paulo". (José de Souza Martins: O último bocado de içá, O Estado de S. Paulo, 15/2/2010). Martins já não fala sobre o bonde, que aparentemente já não existia mesmo nessa época. O outro ramal parece ter pertencido à Central e levava para uma pedreira (ver abaixo). O terceiro foi um tal de "rabicho da
"O ramal da Pedreira (em azul, no mapa à direita) tinha bitola de 1,60 m e via singela não eletrificada. Para quem vinha da Roosevelt, ele partia da linha tronco num desvio à direita, pouco antes da estação e seguia paralelo ao ribeirão Guaratiba por algumas centenas de metros e depois chegava à Pedreira São Mateus, de propriedade da família do ex-presidente do Corinthians Vicente Mateus. Era usado para o transporte de pedra britada. De onde eu morava, no Jardim Helena, nada a ver com o que é servido pela Variante de Poá, era possível avistar um bom trecho da linha, que cruzava a Estrada Itaquera-Guaianases em uma passagem de nível sem cancela. Quando mudei de lá, em 1967, o ramal já era pouco usado e no início dos anos 1970 não havia mais nenhum vestígio dele: trilhos e dormentes tinham sumido. Hoje há ruas asfaltadas em alguns trechos do antigo leito; o resto virou mato" (Luiz Garcia Bertotti, janeiro de 2009). À direita, no mapa da Sara Brasil de 1930, a linha vermelha era o bonde de Santa Etelvina; a azul, o ramal da Pedreira; a amarela, um suposto bonde para o cemitério do Lageado, que nem se sabe se realmente existiu ou se ficou no projeto. Quando ao desvio para lavagem de gado, não se conseguiu traçar a linha da época.
Sara Brasil, 1930
Central", que era uma espécie de pequeno desvio onde os trens de gado entravam para a inspeção sanitária dos animais e para a higienização dos vagões. Este serviço, depois da desativação do ramal, passou a ser feito no ramal da Penha (ver estação da Penha-EFCB), depois que este foi desativado para passageiros. O problema é saber as datas exatas em que estes três ramais estiveram ativos. Em 28/10/1982, um novo prédio foi entregue para a estação, com festas e a presença do ministro dos Transportes, Cloraldino Severo. Ela substituía o prédio anterior, construído em 1925. Finalmente, com a entrada em funcionamento do trem expresso da CPTM, em 28/05/2000, a estação de 18 anos foi desativada. Alguns metros antes, construiu-se a estação de Guaianazes-nova e a velha foi desativada no mesmo dia. Da estação só sobrou a passagem das vias férreas pela gare norte. Hoje, o mesanino da estação está sendo usado como restaurante popular "Bom Prato" do Governo do Estado. Após a duplicação da Av. Salvador Gianetti, executada pelo Metrô, ele utilizou a gare sul, para inserir a nova pista da referida avenida. (VEJA TAMBÉM RAMAL DA PEDREIRA VICENTE MATEUS) (VEJA TAMBÉM GUAIANAZES-NOVA)
(Fontes: Ralph Giesbrecht, pesquisa local; Wanderley Duck, 2005; Christopher R., 2003; Luiz Garcia Bertotti, 2009; Coaraci Camargo, 2002; J. Cardoso; José de Souza Martins: O último bocado de içá, O Estado de S. Paulo, 2010; Max Vasconcellos: Vias Brasileiras de Communicação, 1928; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)

Estação de Guaianazes, c. 1983. Foto J. Cardoso

Estação de Guaianazes, um dia após a desativação (28/05/2000). Foto Ralph M. Giesbrecht

Estação de Guaianazes, um dia após a desativação (28/05/2000). Foto Ralph M. Giesbrecht

A antiga gare sul foi "comida" pela segunda pista da avenida Salvador Gianetti. Foto Coaraci Camargo em 2004

A estação vista da gare norte onde ainda passam os trtilhos da CPTM. A parada só em Guaianazes-nova. Foto Coaraci Camargo em 2004
 Eu:Esta história de ramais da Estação Guaiannases é de fato verdadeira. Meus avós sempre falavam disto e tenho uma lembrança nítida de ter sido levada às pedreiras para ver o caminho das linhas ramais. Hoje é são pouco os moradores antigos que podem conatr histórias de nosso bairro, mas é algo lindo de se imaginar. .

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