‘’Vou deixar de comer isso?
Mas o meu prazer é comer!”

Quando ouço esta frase, concluo que o caso em questão é bem mais sério do que estou imaginando.
Usar a comida como fonte de prazer, é a porta de entrada que
se abre para muitas doenças. Sabemos o bombardeio que o açúcar promove
no corpo, a sensação de bem-estar, euforia, alegria...momentâneos é
claro, e que os alimentos gordurosos são
os que mais atraem, seja pela textura ou pelo sabor, pela foto dele na
placa da lanchonete. Ninguém saliva ao ver uma barra de cereal ou um pão
integral escuro com alfaces, nem eu, mas inconscientemente sabemos o
valor que se esconde ali. Feinho, sem atrativos, porem nutritivo e não
agressor aos vasos sanguíneos. E atrás de uma enorme pizza regada a
óleo, catchup, maionese e refrigerante com os amigos rindo e comemorando
sei lá o quê, escondem-se milhares de problemas psicológicos que não se
resolvem no consultório de clinica médica.
Junto com
este prazer de comer as gorduras, frituras, carboidratos e açucares
constroem-se por anos umas plaquinhas que se depositam nos vasos
sanguíneos que estreitam a passagem do sangue, fazendo com o que a
pressão arterial aumente e este aumento leva a lesões internas dos
vasos, que por sua vez formam trombos, que se destacam e formam embolos
que viajam pela circulação e chegam ao coração fazendo um infarto. Antes
disso cansaços, arritmias, indisposição, idas e vindas ao
pronto-socorro com pressões altíssimas que podem sangrar o nariz, dores
de cabeça alucinantes, sensação de paralisia de um lado do corpo, dor
na nuca, vômitos, tonturas, que também podem fazer um acidente vascular
encefálico chamado popularmente por derrame cerebral e que quando não
leva a morte, leva ao confinamento em uma cama por meses, anos a fio
levando a pessoa a ser cuidada por outros integralmente, insuficiência
renal que leva ao procedimento de dialise ou hemodiálise e outras
complicações. Junto a tudo isso obesidade, baixa auto estima pela perda
da silhueta, e hoje em momentos de revoltas e reivindicações levantam-se
até bandeiras de “”abaixo a gordofobia””, nada mais do que um tentativa
de justificar seus problemas não resolvidos.
Prazeres da mesa que
levam a prejuízos incalculáveis, e estamos falando apenas de um fator
para desencadear este processo doloroso e mortal. Sem falar de fumo,
álcool e sedentarismo. Os números são alarmantes e preocupantes:
“Em
relação aos custos, em novembro de 2009, houve 91.970 internações por
DCV, resultando em um custo de R$165.461.644,33 (DATASUS). A doença
renal terminal, outra condição frequente na Hipertensão Arterial,
ocasionou a inclusão de 94.282 indivíduos em programa de diálise no SUS,
registrando-se 9.486 óbitos em 2007’’ (Ministério da saúde - VI
Diretrizes Brasileiras de Hipertensão)
Isso não é um problema
nacional, é um problema mundial. A Obesidade, má alimentação, o
estresse, a vida cada vez mais manipulada por máquinas e a cabeça
desorganizada diante tudo isso estão levando pessoas a ficarem doentes,
principalmente por problemas cardiovasculares que começa na hipertensão
arterial.
Tudo isso por um prazer efêmero de satisfazer o corpo
com alimentos impróprios e em quantidade desnecessária para compensar
frustrações e preencher vazios que não são fome.
Prazer caro e
insano que pode ser substituído por atividades físicas, ler um livro,
sair pra passear com o cachorro, brincar com os filhos ou netos, viajar,
meditar, assistir tv ou simplesmente ficar sozinho. A comida é
combustível para alimentar o corpo e não rota de fuga para problemas
psicológicos. Antes de se perguntar por que não emagrece, pergunte como
vai sua cabeça e sua vida e procure um psicólogo para então recomeçar
seu plano de vida saudável, este profissional é tão importante quanto o
cardiologista, depois procure uma academia e um professor de educação
física, academia não é GASTO é INVESTIMENTO, o mesmo dinheiro que você
economiza hoje com atividades físicas e acha que é “luxo” ou que é
“caro” é o mesmo que você gasta em comida no fast food e será o mesmo
que você gastará amanhã com medicamentos e fraldas quando fizer um
derrame e ficar acamado dependendo de outros.
Entender o que se
come também é necessário. Saber o que é proteína, carboidrato, sais
minerais, vitaminas e suas combinações é fundamental para aprender a
comer. A internet serve muito neste aspecto, sites seguros e
informativos ensinam o que se pode comer ou o que é desnecessário comer,
os alimentos e suas funções. O tradicional arroz, feijão, macarrão,
farofa e carne é um absurdo e um bombardeio para o corpo (arroz/feijão/
macarrão/farinha) são quatro carboidratos em um prato só e em uma
refeição, para comer isso tudo você teria que ter um gasto altíssimo e
nem quem tem (atletas) faz essa extravagância toda. Comer dois, três
pães no café da manhã também é outro absurdo, está comendo com os olhos e
não com a boca.
Portanto...
- Vamos passear na floresta (caminhada) enquanto sua hipertensão (doença) não vem.
- Tá pronta dona hipertensão?
- Estou tentando te alcançar mas você anda muito rápido!
Escrito em 10/09/13 pela Enfermeira Jane Uchôa, 42 anos, malhadora e
que busca prazer em coisas que não causam efeitos colaterais.