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domingo, fevereiro 03, 2013

Violência contra a Mulher - [Jane Eyre Uchôa]




NÃO DIGA NADA (Chico Rey e Paraná)




Deixa que eu te fale com ternura o que eu QUISER falar.
Deixe que eu te abrace com loucura até te SUFOCAR.
Deixa que eu seja sua SOMBRA por onde você for.
Para refletir no chão que pisas a imagem deste amor.
Deixa que eu relaxe no teu corpo o meu cansaço.
Me abrigar do frio no calor do teu abraço.
Deixa que eu te MATE de prazer te deixe louca.
Deixa que eu acabe minha sede na tua boca.
Mas se nada disso te interessa.
Não diga nada fique CALADA.
Deixe que eu pense o que EU quiser.
Não diga nada fique calada
Deixa que eu te leve por caminhos que SÓ eu conheço.
Deixa que eu esqueça de voltar pro teu começo.
Deixa que eu seja tua sombra tua REALIDADE.
Tua fé, tua crença, tua lei, tua VERDADE.
Deixa que eu lhe coma com meus olhos como se fosse então.
A paixão que entra e DEVORA um coração.
Pra que eu me alimente de você até decor.
Deixa que eu BATIZE a minha vida no sal do teu suor.
Mas se nada disso te interessa.
Não diga nada fique calada.
Deixe que eu pense o que eu quiser.
Não diga nada fique calada



Jane Uchôa

A violência contra a mulher no Brasil cresce assustadoramente. Mesmo com a criação da Lei Maria da Penha é difícil conter os índices, os crimes, os maus tratos e tudo o que acontece dentro de uma casa no âmbito familiar.
Inúmeros debates, campanhas, apelos da mídia por denúncias destas mulheres maltratadas também fazem parte desta tentativa de se resgatar estas vítimas que sofrem diariamente seja de violência física ou psicológica. Porém algo muito sério acontece e muito antes de todas estas coisas tomarem esta proporção, muito antes do casamento há o envolvimento, o namoro, o noivado, todas estas etapas mostram um pouco do que cada um é, claro que vivemos a vida inteira ao lado de alguém e não o conhecemos, isto é fato, mas certos comportamentos, declarações, afirmações nos mostram um pouco do que nos espera no dia a dia.
Esta música que foi muito tocada nos anos 80 na voz de Giliard mostra um pouco de que certas declarações de amor na verdade são avisos pequenos e disfarçados de romantismo escondem obsessivos, maníacos, depressivos e personalidades violentas que usam de seu poder masculino para subjugar a mulher e consequentemente fazê-la refém de suas vontades. Sob agressões físicas e morais elas vivem o dia a dia e da discussão que levou a um empurrão, que se transformou em um tapa e cresceu para um murro que culminou numa surra e transformou-se numa facada, tiro ou estrangulamento a violência vai tomando proporções dentro dos lares sem que se saiba por que as vítimas calam deixando apenas as marcas falarem e seus vizinhos ouvirem.
Também existem as pessoas que gostam deste inferno pessoal. Eu mesma presenciei isso quando morava em um apartamento e ao lado havia um casal sem filhos que todo dia tinha sessão de tortura. Começava com uma discussão por dinheiro, por qualquer coisa e em seguida a maquina de lavar era ligada para disfarçar os gritos dela, mas as paredes sofriam as consequências quando ela era jogada de contra a alvenaria, todo dia uma surra, todo dia a mesma coisa. Mas um dia eu saía a noite depois da briga para jogar um saco de lixo e encontrei na área em frente ao condomínio o casal brigão sentados numa calçada namorando, o namoro pós porrada. Joguei meu lixinho e fiquei pensando em quem era o louco da história ou se ambos eram retardados.
O tempo passou, e ela ficou grávida, achei que teria uma pausa, mas que nada! A porrada continuava e várias denúncias de vizinhos surgiram assim eles foram convidados a se retirarem do condomínio. Um tempo depois nos mudamos para nossa casa também e eis que na primeira semana ao entrar em uma panificadora dou de cara com o marido. Na hora pensei “Meu Deus! Será que mora ao lado da minha casa?” ele me olhou, baixou a cabeça, pagou o pão, cumprimentou a dona da padaria que perguntou pelo bebê, ele respondeu que tudo bem e foi embora.
Quando fui pagar o meu pão ela me disse “Poxa, tenho pena desse casal, o bebê nasceu prematuro, todo doentinho, fraquinho, acho que não vinga. Ele é tão gente boa”. Paguei meu pão, não falei nada mas pensei “Se a senhora soubesse...”
Sempre vou buscar mulheres vítimas de violência doméstica também e todas elas dizem que não é a primeira vez e com certeza não será a única. Fico pasma com isso por isso a recomendação para o noivo da minha filha Anna Carolina que nem nasceu ainda será esta “Se tocar um dedo nela pra machucá-la, eu acabo com você, não se atreva.”
Se há fórmulas eu desconheço mas acredito que é sempre bom prestar atenção em certas afirmações tais como.
“Deixe que eu seja sua sombra por onde você for”
Nem pensar grudar vinte e quatro horas em alguém, isso não é vida, isso é loucura.
“Não aceito que você tenha amigos”
Todos temos direito a ter nossas amizades, não é um zé mané que saiu sabe Deus de onde que vai acabar com o seu cineminha com as amigas no shopping e depois fazer compras.
“Não quero que você use tal roupa”
O corpo é seu, o pudor é seu, se não combina com o dele, problema dele, quer casar com uma mulher que gosta de andar bem coberta, vai pro Oriente Médio lá elas usam burca.
“Deixe que eu te leve por caminhos que SÓ eu conheço”
Nem pensar! E se tu resolve me matar pra ficar com a minha pensão? Eu hein!
“Deixa que eu seja tua sombra tua REALIDADE.
Tua fé, tua crença, tua lei, tua VERDADE”
Não quer nada esse aí. Meu filho quer ser verdade de alguém vai estudar Direito, lá você vai poder defender a verdade dos outros sem problemas! A minha lei quem faz sou eu.
“Penso noite e dia em você””
Típico sinal de vagabundagem rsrs. Vai arranjar o que fazer criatura, vai jogar sinuca, tomar umas cervejas com teus amigos, vai escrever num blog, ficar no face curtindo, ou seja, faz algo diferente na vida que não seja eu.
As relações precisam ter um espaço na vida das pessoas mas não podem ser o centro do universo, cada um de nós precisa ter seu território, seu cantinho, sua hora de lazer sozinho, seus amigos, sua individualidade respeitada, marcações sem fim demonstram um sujeito inseguro e a insegurança gera um tumulto enorme. Nada de achar bonito estas afirmações pensando que o cara te ama, está apaixonado , isso não é amor, isso é obsessão e obsessão gera violência. Caia fora enquanto é tempo.
“Deixe que eu te abrace com loucura até te sufocar”
Vá sufocar tua mãe seu louco!
“Mas se nada disso te interessa.
Não diga nada fique calada.
Deixe que eu pense o que eu quiser.
Não diga nada fique calada”
NÃO FIQUE CALADA , MAS SUMA!

3 comentários:

  1. Jane
    Ai amiga!
    Que bela construção.
    Amei.
    E copiei e coloquei no meu blog. Outras pessoas precisam entender o que há escondidos entre as palavras que aprecem de amor, mas são pura opressão.
    Parabéns mais uma vez amiga, por sua visão consciente e objetiva, sem marcas doentes e imbecis, sem sonhos irreais.
    A vida é uma e deve ser vivida com grandeza.

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  2. É caríssima a linha que separa o amor da obsessão é tênue.Essa eterna síndrome de Estocolmo conduz milhares de mulheres à morte . Parabéns por seu belíssima texto.

    ResponderExcluir
  3. Leide,
    Jane acerta sempre...
    Obrigada pela visita.

    ResponderExcluir

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