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segunda-feira, março 06, 2017

Dandara, Eliza Samúdio e o salário do pecado.

Dandara, Eliza Samúdio e o salário do pecado.


Esses dias me assustei com duas coisas graves. E vi ambas em um perfil específico. Na primeira postagem a pessoa cobrava justiça para uma pessoa, Dandara, uma travesti, que foi barbaramente assassinada. Nesse caso, não vi a reportagem, pois tudo o que vejo do vídeo é a violência, então nem abro. Fui à um jornal online de minha confiança e li o ocorrido. Embora a Polícia ainda esteja procedendo as investigações, o jornal informa que o caso se deu pela revolta dos autores contra a sexualidade da vítima. 

Sexualidade ou orientação sexual, como queiram, que é algo pessoal, relativo a pessoa Dandara Santos e que nada tem a ver com quem resolveu dar cabo de sua vida. A postagem do Facebook, como disse, sabiamente defendia Dandara e  acusava TODA  a Sociedade de aderir ao padrão heteronormativo. Independente desses fatores,  curti a postagem e fiquei pensando que a pessoa em questão poderia ter ampliado sim a discussão, pois em todos os lugares, pessoas são assassinadas – muitos por conhecidos e também com o requinte de crueldade empregado na execução de Dandara, que por acaso era travesti e, não por acaso, foi assassinada por ser diferente.

Os dias passaram, hoje vi a pessoa postando uma foto do ex-goleiro Bruno. E louvando sua soltura e “recuperação”, reclamando do “mimimi” de alguns usuários do Facebook, pois, segundo a pessoa, realmente o assassino de Eliza Samúdio ficando preso não trará ela à vida. E não trará mesmo. No entanto poupará a Sociedade de viver com um assassino covarde, que poderá sim matar outras mulheres. 

Me pergunto: porque essa pessoa quer a “Justiça”  para os assassinos de Dandara e não cobra o aprisionamento do assassino de Eliza? Pior, acredita que ele está reabilitado e que ele se tornou vítima da Sociedade, pois está sofrendo retaliação por um crime que ele já pagou. Não pagou, pois além de não assumir, mesmo as provas sendo contra ele, também não deu sequer o corpo dela para a família enterrar e efetivar o luto.
A barbaridade dele não pode ser minimizada, principalmente por perpetuar a situação da família de sua vítima. 

A justificativa pela defesa? Sim, tem. E podem acreditar, culpa a vítima por seu destino. Alega que ela era uma “maria chuteira”, uma “mulher de vida fácil” e outras locuções “tão inteligentes quanto”. 

Não seria uma atitude machista vinda de uma pretensa feminista, que se diz ‘desconstruída’  dos padrões normativos dessa sociedade machista que ela repudia? Na ânsia de “pregar”  os direitos humanos, acaba achincalhando a vítima, uma humana que não teve nenhum de seus direitos respeitados? Ou ainda, tanto ela  quanto Dandara estavam vivendo com poder sobre suas escolhas e seus corpos... Não é isso que essas ideologias dissiminam como regra? Mas não é assim que Eliza é vista por alguns. Sendo a vítima, torna-se ré por ter se e volvido com uma "celebridade"... Assim, dizem as piores asneiras...

Uma “maria chuteira”  sabe o risco que corre, dizem. Uma mulher de bandido sabe sim, a namorada de um jogador celebridade não se reconhecia estar em um grupo de risco, o jovem famoso, antecedentes criminais, não era uma ameaça. Então esse discurso idiota de que ela deveria esperar o pior não é válido...

Para ‘minha criação’, ser “maria gasolina”, “maria chuteira” e outros milhões de apelidos imbecis não é certo, porém, essa mesma forma em que fui criada me orientou a ser humana e jamais maltratar alguém por suas escolhas éticas diferentes da minha. Ou nunca, jamais, maltratar alguém por ser moralmente diferente de mim. Sim, fui ensinada que certas atitudes são imorais e não aceito que ninguém critique minha percepção de moralidade. Só que matar alguém por agir diferente dos meus princípios não é aceitável e, muito menos quando quem mata essa pessoa é seu parceiro de vida “mundana”. Se acho errado quem desconhece uma história usar de violência contra alguém, por causa dessa história, abomino quem partilha dela e depois mata por motivo fútil. No caso de Bruno me assusta desde sempre as mulheres que ficaram de seu lado, seja a ex-esposa, seja as outras que se relacionaram com ele quando foi preso.  Sinceramente,  a atitude delas as iguala as de Eliza, que elas repudiam. Alegam que ela foi ‘fácil’, ‘interesseira’ e tudo o mais que disseram ou deram a entender, mas agiram como ‘vendidas’ também, ficando ao lado de um assassino. Nada justifica a morte de Eliza.

Assim como nada justifica a morte de todas as “Elizas” e “Dandaras” desconhecidas, que morrem todos os dias nas mãos de pessoas doentes sociais, que devem sim, serem retiradas do convívio social de forma permanente.
E agora falemos sobre o salário do pecado: a Morte. Se você é daqueles que acreditam que as duas personagens do texto “receberam o salário merecido pelos seus pecados”, então você é daqueles que precisam reaprender ler e interpretar textos. A Bíblia realmente diz que o salário do pecado é a morte, no entanto, está falando de um pecado geral: todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Assim, Dandara, Elisa, você e eu estamos sujeitos ao mesmo pagamento: a morte. Ora, sendo assim, somos iguais em pecado, em vida e em morte e, estamos sujeitos aos mesmos destinos bárbaros das duas pessoas aqui citadas, se nos encontrarmos com pessoas que não possuem um mínimo de respeito pela VIDA humana.

Transformar suas histórias particulares em motim ideológico – político ou religioso – é dar mostras da insanidade que está se espalhando na humanidade e, pior, dar razão para seus exterminadores. Como seres humanos devemos protestar contra essas barbáries, exigirmos que os agressores paguem pelos seus crimes e, como foram cometidos no livre convívio social, devem ser banidos desse convívio. Assim como não deram chance de defesa às suas vítimas, deveriam não ter nenhum direito a liberdade.

Você pode dizer que eu estou errada, mas uso a Bíblia contra você, a mesma que vai usar dizendo que não estou amando um próximo, este livro santo ensina que todo criminoso deve ser banido do convívio social. Ou você nunca leu que Deus inventou as cadeias ou ainda nunca leu que para os criminosos deveriam existir cidades presídios... Não conhece a logística do Velho Testamento, as cidades refúgios? 

Bandido bom pode até não ser bandido morto, mas com certeza é bandido preso, sem conforto excessivo e sem esperança de liberdade. Todo criminoso deve pagar conforme o mal que dispensou à vítima e, nos casos de crime de morte, com requinte de crueldade, devem ter sua liberdade exterminada, assim como exterminou a vida de alguém que cruzou seu caminho e a quem eles não deram o direito de se defender.

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