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quinta-feira, abril 15, 2021

Novidades: Em breve teremos a Resenha do livro "Moleque de Fábrica", do professor e sociólogo José de Souza Martins



 Ontem, enfim, o MSN/Hotmail/Outlook me deram de novo a minha antiga conta. Resgatei correspondências que me interessam e entre elas, o contato com o professor e sociólogo José de Souza Martins. Ele já figurou aqui trazendo dados sobre a cidadã ilustre de Guaianases, escritora Francisca Júlia. Quem segue a mais tempo, sabe bem disso. E os mais íntimos sabem de meu problema como MSN também. Assim, vou ler o livro, resenhar e até postar pontos de destaque por aqui. E espero que vocês curtam
Depois me despedirei de vocês...

Agora, transcrevo nosso último contato:

"Prezada Elisabeth,

Agradeço-lhe a resposta a minha mensagem de dez anos atrás. Como dizem, antes tarde do que nunca.

Reitero a consulta que lhe fiz naquela ocasião. Se você tiver interesse em ler meu livro autobiográfico, "Moleque de Fábrica"  e, eventualmente, divulgá-lo em seu blog, peço-lhe que me mande seu endereço postal completo. Pedirei ao meu editor que lhe mande um exemplar do livro.

Em vários capítulos do livro, trato de aspectos de minha vida em Guaianases. Eu morava numa casa de pau a pique num pequeno sítio no que ainda era a Fazenda Santa Etelvina. Tinha que caminhar, descalço, 16 quilômetros por dia, para ir e voltar ao Grupo Escolar "Pedro Taques", na rua da Estação, escola em que terminei o curso primário em 1949. Fui aluno do professor Cosme Deodato Tadeu, que é hoje nome de rua na localidade. Localidade que era um povoado de meia dúzia de ruas.


O sítio em que m orávamos era encravado na Mata Atlântica, tinha onça, cobra, ouriço veado, lagarto, tamanduá. Comíamos alguns desses animais. Era o que tínhamos. No livro, narro episódios relativos a costumes que eram remanescentes do tempo da escravidão. 


Talvez o s jovens da região se interessem pelo livro. (...)

Fique bem."

Professor José de Souza Martins



                                             *************************

Viram só a vergonha que esse troca troca de senha que o outlook nos faz fazer para manter a conta segura faz a gente passar?
Ainda bem que sou corajosa e escrevi retomando o contato.
Agora me vou.
Beijos em vocês todos

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Literatura Feminina e Guaianases - A Mulher do Telegrafista


O texto abaixo é de José de Souza Martins.
Foi postado anteriormente na Folha de São Paulo. E trata de uma moradora antiga de Guaianases. Entra nessa postagem a ideia de mostrar as Mulheres da Literatura que foram esquecida com o tempo e nunca são citadas em livros didáticos.
Francisca Júlia, além de poetisa, ligada ao Simbolismo e Parnasianismo, foi a percursora da Literatura Infantil Brasileira, Sua influência didática foi muito importante para a formação literária básica de muitos jovens do Ensino Público e Privado. Por isso só ela já não poderia ser esquecida, porém, com o tempo seu nome foi caindo no ostracismo.
Em uma reunião acadêmica ao ser citada, algumas pessoas começaram discutir que sobre sua vida pessoal e sua morte e que por essa ter acontecido no mesmo dia que a de seu marido, mostrava a sua fraqueza de espírito. Isso em um ambiente de estudo da Empatia e Sororidade. Sua Depressão advinda do fato de viver com um homem doente - tuberculoso, não foi sequer levada em consideração. E, pior, esse não deveria ser um motivo para o afastamento de seu nome das discussões da importância feminina.
Sem vaidades intelectual, Francisca Júlia negou-se a entrar para a Academia de Letras. O fato da não aceitação não elimina sua conquista. 
Ainda falaremos dela por aqui...
Abraços e fique com essa bela escrita do Professor José de Souza Martins.


Publicado em O Estado de S. Paulo [Caderno Metrópole],
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011, p. C6.


A mulher do telegrafista



                                                       Victor Brecheret, “Musa impassível”

Em 1909, Francisca Júlia da Silva, com 38 anos, nascida em Xiririca, hoje Eldorado Paulista, casou-se na capela do Lajeado com Filadelfo Edmundo Munster, telegrafista da Estrada de Ferro Central do Brasil. Lajeado era o que veio a ser Guaianases, um lugarejo que devia o nome à imensa pedreira de onde era retirada a brita para forrar os dormentes da ferrovia. Francisca Júlia fora para o Lajeado quando sua mãe, professora primária, em outubro de 1908, recebeu transferência de Cabreúva para lá. Foi padrinho da noiva o poeta Vicente de Carvalho. Noiva que em Cabreúva fora professora de piano e que tivera como aluno Erotides de Campos, então com 10 anos de idade. Ele viria a ser o prodigioso autor de composições como a lindíssima “Ave Maria”. Da desilusão de um frustrado noivado em Cabreúva, Francisca Júlia carregou até quase o fim da vida o alcoolismo.
Pouco tempo antes do casamento com o telegrafista, Francisca Júlia fora convidada a ingressar na Academia Paulista de Letras, que se formava. Recusou. Alguns anos depois, seria homenageada com um busto na Academia Brasileira de Letras. Quem era, afinal, a mulher do telegrafista do Lajeado? Francisca Júlia era a maior poetisa do parnasianismo brasileiro, reconhecida e aplaudida por escritores como Olavo Bilac. Publicara seus primeiros poemas em jornais de S. Paulo. Em diferentes momentos recolheu-se à vida doméstica, coisa que fez também depois do casamento. Era uma mulher bonita, de viso triste, reflexiva. Sua poesia é densa de competência linguística. Trabalhava com maestria a língua portuguesa. Em seus versos é claro o empenho em fazer de nossa língua instrumento de elaborada criação estética.
Com a descoberta, em 1916, de que o marido estava tuberculoso, tornou-se depressiva e mística. Filadelfo morreu em 31 de outubro de 1920. Após o enterro, Francisca Júlia tomou uma overdose de narcóticos e morreu na manhã do dia seguinte. Seria sepultada no Cemitério do Araçá, no dia de finados. Ao seu funeral compareceu a fina flor da intelectualidade como Guilherme de Almeida, Paulo Setúbal, Mário de Andrade (que criticara sua poesia), Oswald de Andrade, Di Cavalcanti...
São os intelectuais de São Paulo que decidem propor ao governo do Estado a feitura do túmulo da poetisa, o que tramita no legislativo por iniciativa do senador estadual Freitas Vale, da famosa Vila Kyrial, na Rua Domingos de Morais, lugar de encontro de artistas e escritores. Victor Brecheret esculpe para o túmulo, em mármore de Carrara, a bela “Musa impassível”, título de um poema de Francisca Júlia. A obra está hoje na Pinacoteca do Estado, restaurada. Uma réplica em bronze substitui-a no túmulo do Araçá, como a murmurar: “Em teus olhos não quero a lágrima; não quero
em tua boca o suave e idílico descante”.
Professor Emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e ciências Humanas
 da Universidade de São Paulo

Voltando...
2020




Deixo aqui um Poema dessa grandiosa figura literária....



Supremo


Os teus olhares feitos de carinho,
De Extrema-Uncção, de mysticos luares,
Têm na expressão, ó santa dos Altares,
A velludosa maciez do arminho.


E no doce brilhar – áureo caminho –
A profundeza intérmina dos mares…
Têm na expressão, ó Santa, os teus olhares
A velludosa maciez do arminho.


São puros como as Hóstias dos Sacrários,
têm o brilho divino de Stellarios,
quando me fitam numa uncção extrema.


São rútilos santelmos guiadores,
são as dhulias lithurgicas das dores,
da minha Crença immácula e suprema!


Fonte: Internet Biblioteca Digital




IP Casa de Oração - Rua Moreira Neto, 283 - Guaianases - São Paulo

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